sábado, 10 de dezembro de 2016

O Momento da Vinganca


 
Fumando mais uma cigarrilha e olhando tudo a sua volta no ultimo andar daquele arranha-ceus do Central Park no Bairro de Midtown Manhattan a Zona que era considerada como a Area de negocios mais importante dos Estados Unidos. Era ali que vivia quando estava em Nova Iorque onde tinha a Sede Mundial das suas empresas numa ruas mais abaixo da sua casa, alias escolhera aquele apartamento justamente por estar perto de tudo.

Era um dos homens mais ricos e poderosos do Mundo mas parecia-lhe faltar algo e essa aparencia nao estava em erro. Faltava-lhe por em pratica e realizar tudo aquilo porque lutara para ali chegar. A vinganca era um prato que se servia frio e ele sentia que estava na hora de se vingar de todos aqueles que o haviam querido destruir e matar quando era um Ze Ninguem. Era tempo de mostrar que nao se brincava com um Luis Castro Semedo e com o todo poderoso Dono da Semedo Corporation Group.

Eles eram perigosos mas ele ja mostrara que alem de poderoso nao tinha medo de ninguem ainda para mais de gente que falhara na vida, que haviam falido e hoje nao eram ninguem enquanto ele era quase o Dono do Mundo.

Muitos viam-no como esse mesmo Dono do Mundo, temiam-no ou respeitavam-no. Viam-no como um Empresario de sucesso sem escrupulos que nao olhava a meios para atingir os seus objectivos mas era assim mesmo que tinha de ser. Fazia parte das regras do jogo que ele joganva mas que nao tinha sido ele a inventar, no Mundo dos negocios podia-se ate ser boa pessoa e ter bom coracao mas nao se podia mostrar o lado sentimental. Era o lado frio e calculista que se tinha de ter para se ter sucesso naquele meio e devido a tanto sucesso comecava a ter muitos inimigos e a ser odiado por outros mesmo outros quase tao poderosos como ele. Outros viam-no como o sujeito solidario que apesar de tudo dera algum dinheiro para obras sociais e ajudara os mais necessitados ao ponto das suas empresas de comida abastecerem gratuitamente escolas para se ter a certeza de que nenhuma crianca nos Estados Unidos estava na escola mal alimentada.

Sentia-se uma mistura de tudo um pouco daquilo que o consideravam. Era um homem reservado mas que mostrava ter uma das maiores fortunas do Mundo e certamente o Imigrante portugues em qualquer parte do Mundo de maior sucesso de todos os tempos. Nos Estados Unidos chegara a haver quem considerasse aquele portugues vindo dos Acores o homem mais importante do Pais depois do Presidente dos Estados Unidos.

Ele talvez tivesse uma vantagem sob os antigos presidentes dos Estados Unidos. Talvez ate tivesse havido mas ele nao tinha conhecimento que algum Presidente dos Estados Unidos da America tivesse andado descalco na rua por nao ter que calcar, nao lhe  constava que algum desses homens tivesse passado fome na infancia mas ele passara. Por outro lado enquanto aqueles homens eram capas de jornais e falados enquanto eram presidentes dele falavam quase todos os dias ou sobre os seus negocios.

Falava-se muito dele mas pouco se sabia mesmo de quem era na realidade Luis Semedo. Era na verdade um homem reservado e solitario que ja fora casado e ficara viuvo e que tinha filhos. Um homem que investia milhoes em negocios que lhe davam muito mais lucro do que aquilo que investia e era um homem que sempre que podia estava na sua ilha que comprara a alguns anos atras no Oceano Pacifico e era o sitio onde mais gostava de estar na companhia dos filhos e onde a sua falecida esposa estava sepultada. A seguranca a volta da ilha era tanta que quando Semedo la estava entao ainda se sabia menos sobre ele.

Fizera uma das maiores fortunas do Mundo e quase esquecera que um dia fora pobre mas nao esuqecera o desejo de vinganca trouxera consigo toda a vida desde dos tempos da pobreza ate ao momento em que era um dos homens mais ricos, poderosos e influentes do Mundo.

Nascera no seio de uma familia que nao era muito numerosa ele proprio era filho unico mas era uma familia muito pobre e no meio daquela extrema pobreza nem os mais novos deixam de passar necessidades e de sofrer com isso.

Cedo comecara a ajudar os pais de alguma maneira e aos 8 anos para se livrar um pouco de o levarem para o campo para ajudar nos trabalhos mais leves pegava numa caixa para engraxar sapatos e ia a sua vida para o Centro de Ponta Delgada ou para o Porto Fluvial quando o mesmo tinha algum Paquete com turistas estrangeiros ou ate portugueses do Continente de visita a Ilha de Sao Miguel.

O pai nao era um homem severo e violento mas nao gostava de repetir a mesma coisa duas vezes e estava ja cansado de lhe puxar as orelhas por estar farto de lhe dizer que nao o queria na rua ate tao tarde e muitas vezes so se safava de apanhar por aparecer em casa com uma quantidade de moedas no bolso e com um maco de tabaco daqueles que o pai fumava ou uma garrafa de vinho. Luis sentia que era uma boa ajuda ja que ele dava aos pais que apesar das dificuldades e do problema do pai com o alcool tudo faziam para que nada lhe faltasse.

Sao Miguel como estaria agora Sao Miguel? Os Acores aquele lugar que ele tanto amara e que nunca esquecera embora fosse um homem que tivesse corrido o Mundo e de nenhum lado fora corrido e expulso como fora de Sao Miguel.

Agora era tempo de voltar e a vinganca que a muito preparava e nao estava la mas sabia bem o que se passava e aqueles que o haviam querido matar e correram com ele da sua Terra e do seu lugar tinham perdido a fortuna, a forca e o poder que outrora tiveram. Eles tinham descido ao mais baixo nivel enquanto ele foi subindo e estava onde eles jamais haviam estado mesmo nos seus tempos de gloria e nao so com o seu dinheiro mas com o poder que tinha e influencias que usufrui-a podia esmaga-los como se nada fossem sobretudo depois da morte do Lorde Hudson Carter. Ele queria no fazer alguns negocios e certificar-se que era Dono de tudo o que pertencia aqueles com quem os Carter ainda estavam envolvidos e de quem eram dependentes, depois seria o fim, dos Carter claro. Quem eram afinal aqueles inglesitos de merda para lutar contra ele? Ele um dos homens mais ingluentes do Mundo!

Nem sempre fora assim e aqueles Carter tinha chegado aos Acores quando Luis Semedo era uma crianca e eram donos de quase tudo. Terrenos, casas, comercio e fabricas da zona pertencia quase tudo ao Lorde Hudson Carter que chegara ali com a familia vindo da Inglaterra e como tinha dinheiro julgava que podia comprar tudo e podia, comprar quase tudo menos algumas pessoas que nao se deixavam vender como o jovem Luis Semedo.

Acabado a Escola Primaria naquele tempo os pais nao podiam dar oportunidade aos filhos de estudarem e os mesmos tinham que ir trabalhar com Luis nao seria muito diferente. O pai aceitava que o filho fosse estudar a noite e trabalhasse de dia e para aquele filho unico nao desejava a dureza dos trabalhos da lavoura. Eram de facto outros tempos mas Luis por ser filho unico ainda era um priveligiado muito por ser filho unico e neto unico.

Luis acabou a trabalhar numa oficina de reparacao e fabrico de calcado no Centro de Ponta Delgada. Era um bom inicio para um jovem como ele embora o ordenado nao fosse grande coisa porem Luis era muito habilidoso e tinha jeito para criar novos modelos de sapatos, talvez sem saber estava a tornar-se um Estilista de calcado e a fazer aumentar as vendas na sapataria do Senhor Norberto.

O Senhor Norberto era um velho Sapateiro que se sentia feliz por finalmente ter conseguido arranjado um Aprendiz que lhe pudesse garantir que aquele oficio pelo menos ali em Ponta Delgada nao iria morrer e tencionava ate deixar o negocio da sapataria entregue nas maos do rapaz logo que ele tivesse um pouco de mais idade, bem o merecia. Quem havia de dizer que aquele miudo de 16 anos tinha tanto jeito e criatividade para fazer modelos de sapatos novos!

Foi numa tarde de Verao que ela entrou na sapataria e o olhar que trocaram de inicio desdde logo prometeu que aquilo nao iria ficar por ali, estava prestes a nascer uma historia de amor que em breve toda a cidade de Ponta Delgada iria falar.

Victoria era filha unica daquele Lorde ingles que estava a comprar quase toda a Ponta Delgada enquanto ele nao era ninguem. Era a unica coisa que tinham em comum o facto de serem ambos serem filhos unicos no entanto tinham vidas bem diferentes. A inglesa era rica, vestia bem e havia nascido num berco de ouro enquanto ele nao conseguia ser nada e nem ninguem pelo menos ali. Os clientes gostavam dos sapatos, elogiavam os modelos de Luis mas no entanto isso nao o ajudava a ir longe, era um meio pequeno e um paraiso mas estava um pouco isolado do Mundo.

A inglesa entrou na loja com cara de quem podia comprar tudo o que quisesse, e podia, pelo menos o pai tinha dinheiro para isso. Victoria ficara encantada com o talento de Luis para fazer aquelees modelos de calcado que nem nas melhores sapatarias de Milao e Paris encontrava algo tao encantador. Queria comprar um par de cada modelo. Olhou Luis com uns olhos de desejo enquanto o mesmo lhe ia fazendo alguns pares dos modelos por nao ter o seu numero pronto.

Dali para a frente as visitas ou passagens a andar por ali eram quase diarias e com tantas visitas foram-se tornando intimos e ate comecaram a sair a sos ate comecarem a namorar foi um pequeno passo.

O Lorde nao gostou muito da ideia da filha andar de namorico com um Ze Ninguem ate porque tinha outros planos e nao tencionava ver a filha unida a um portugues. Carter tratou de tentar convencer a filha de que Luis era um oportunista que queria dar o golpe no bau. Tentou influenciar sem exito a filha de todas as maneiras contra o jovem Sapateiro e nao tendo outra opcao passou a medidas mais drasticas.

O Nobre ingles tinha planos de casar a filha com o filho de amigo e socio a mesma uniao ia ainda fortalecer mais a sua familia e negocios e o mesmo jamais aceitaria ver a filha ligada a gente que nao tinha nenhum futuro promissor a sua frente. Tinha dois planos fazer desaparecer Luis daquelas bandas ou simplesmente fazer com alguem acabasse com ele.

Carter mandou chamar o jovem e sem rodeios perguntou-lhe quanto queria ele para se afastar da filha e para desaparecer daquela Terra. O jovem nao se intimidou e explicou ao Lorde que nenhum dinheiro vendia ou comprava os sentimentos do coracao e quanto ao desaparecer daquela Terra era algo fora de questao porque estava na terra dele. O Lorde e que tinha a desaparecer se estava a sentir-se mal e a voltar para a sua Terra mas se possivel a deixar ficar a filha.

Nunca ninguem enfrentara Hudson Carter daquela forma e depois de expulsar o jovem destemido da sua casa resolveu partir para a accao, primeiro seria apenas um aviso e depois logo se veria o que se seguia mas agora o velho ingles estava disposto a levar o caso ate as ultimas consequencias.

Era noite e Luis tinha acabado as aulas com enorme esforco conseguia conciliar tudo e estava prestes a terminar o Decimo Ano estava a ver se conseguia ter boas notas era a forma mais facil e praticamente a unica de conseguir ganhar uma bolsa de estudo e poder ir estudar na faculdade.

O caminho para casa era quase deserto e naquela escuridao era o local ideal para se dar a licao a Luis que o Lorde pretendia e ja tinha mandado alguem tratar disso. Luis nao se apercebera de que estava a ser seguido e so quando se viu rodeado de cinco mascarados e que se apercebeu que o tinham seguido e ele caira numa emboscada. Foi esmurrado, pontapeado e sabe-se la mais o que. Queriam mesmo dar-lhe uma licao e antes de o deixarem sozinho e abandonado coberto de sangue e de pancada foi-lhe dado o aviso: "Para a proxima ve se es mais cortes e as ordens de um superior sao para serem cumprida, para a proxima mato-te".

Certezas, ele ate tinha mas faltavam-lhe provas para incrimar e acusar alguem sobretudo alguem como o Lorde Hudson Carter. Estava decidido que mesmo assim nao ia deixar as coisas ficarem daquela maneira e iria vingar-se mesmo que isso lhe custasse a vida. O Lorde podia ser rico, poderoso e influente mas era um forasteiro. Ele era um filho da Terra todos o conheciam, todos sabiam quem ele era e ser um Semedo tambem nao era uma coisa qualquer. Era uma questao de honra.

A tareia e o aviso custara semanas no hospital a Luis mas mal saira do hospital fizera questao de mostrar ao Lorde que o aviso nao fizera efeito e nem lhe amedrontara e nao deixava de garantir que tinha sido obra do ingles a surra que tinha levado daquele grupo de mascarados ou melhor de capangas do miseravel do Lorde que no momento so merecia algum respeito e dignidade nao pela sua fortuna ou poder mas por ser o pai da mulher que ele amava. Luis achava surpreendente e quase impossivel como podia Victoria sendo uma rapariga doce e afavel ser filha de Hudson.

Carter comecava a notar que o tinha de tomar outra forma de dominar aquele rapaz e as coisas nao estavam faceis alem do mais aquilo nao podia ser o Velho Oeste e o rapaz era ali da Terra, todos o conheciam e havia sempre gente que nao se deixava subornar por dinheiro nenhum. So havia uma saida e era a melhor opcao era uma hipotese de poder conseguir correr dali com aquele rapazego que o estava a infernizar.

O Lorde comecara por comprar o predio onde se situava a Sapataria do Senhor Norberto e tratou de ir falar com o mesmo. Uma simples exigencia para poder continuar ali com a sapataria, despedir Luis caso contrario ate o predio seria deitado abaixo se fosse preciso.

Norberto nao encontrou solucao e calmamente explicou as coisas a Luis nao o podia manter ali mas porem tinha forma de o compensar. Norberto tinha um familiar nos Estados Unidos e o mesmo poderia ajudar Luis na vida se ele fosse para os states.

Os States pensou Luis Semedo era a Terra com que muitos e ele incluido sonhavam para triunfar na vida e fazer fortuna e nao era ali desempregado que iria conseguir. Quanto a Victoria as coisas ja nao estavam como antigamente e poderia vir mais tarde busca-la ou se tivesse ja condicoes para isso ficar com ela em Sao Miguel. Pensava na vida e no futuro a ida para os Estados Unidos era a oportunidade da sua vida talvez nao fosse a ultima mas era uma oportunidade unica de vencer na vida e de um dia estar a altura de ser genro do Lorde Hudson Carter com o apoio do mesmo.

Estava mais do que decidido a partir ate porque Victoria sabia as coisas que o pai tinha feito, sabia da historia de lhe ter mandado dar o aviso e a surra, sabia que o mesmo comprara o predio da sapataria e ameacava mandar tudo abaixo se Norberto nao o despedisse e jamais fora capaz de lancar uma palavra a opor-se as atitudes do pai. Mas ali, ali quem teria coragem de desafiar ou enfrentar o Lorde Hudson? Poucos homens teriam esse atrevimento quanto mais uma mulher mesmo que fosse a sua filha pagaria bem caro com a ira do Lorde a ousadia de o ter desafiado e Victoria sentia-se cansada de por outras razoes anteriormente ter ficado de castigo no quarto.

Na ultima noite Luis nao dormira e fora ver o mar, o mar que o iria levar para as americas no dia seguinte para um sitio que ele nao sabia se iria gostar ou nao mas de onde via gente partir cheios de nada e com muitas ilusoes e voltarem ricos e poderosos. Naquela noite o jovem acoriano jurara que um dia voltaria rico, poderoso e que se iria vingar de tudo o que lhe estava a acontecer.

Partira como tantos outros e Victoria nao se fora despedir dele o pai sabia que Luis iria partir e proibira-a de sair naquela manha.

O oceano levava-o para longe de tudo e sentia que era melhor assim ficaria longe dos problemas e se ali continuasse o Lorde ainda comprava os terrenos onde estava a casa dos seus pais e iria expulsa-los a todos. Sentia que ia a caminho da riqueza, do poder e da gloria so nao imaginava o quanto dificil isso seria logo para ele que estava prestes a chegar aos Estados Unidos com a carteira vazia e praticamente com a roupa que tinha no corpo. As economias que tinha juntado tinham sido praticamente para pagar a passagem para a America.

Ninguem estava a sua espera no Porto Fluvial de Nova Iorque como havia ficado combinado com ele e com o primo de Norberto. Tinha a morada e falava um pouco de ingles meteu os pes a caminho sem saber para onde se virar comecando a pensar que Sao Miguel era quase do tamanho de um bairro de Nova Iorque ou ainda menor.

Sentia que estava com sorte pelo primo de Norberto viver ali na cidade caso contrario mal teria dinheiro para ir ao seu encontro. No caminho comecara a pensar se estava combinado o mesmo ir espera-lo ao Porto Fluvial porque razao nao fora?

Luis quase caira ao chao quando soubera o que tinha acontecido. O primo de Norberto tinha falecido durante a sua travessia no Atlantico e ninguem o conseguira avisar disso. Pior que isso agora estava ali sozinho sem sequer ter dinheiro para regressar numa terra onde nao conhecia ninguem e nao tinha por onde se virar, estava simplesmente perdido e comecava a ficar com fome e para terminar recordara tambem que nao tinha onde ficar sequer.

As ruas de alguns bairros de Nova Iorque talvez fossem demasiadamente perigosas mas ele nao temia nada e olhava a sua volta via tantos outros a dormirem no chao como ele estava prestes a fazer. Um grupo daquilo que pareciam ser hippies se aproximaram dele e ofereceram-lhe o que ele mais queria no momento, comida.

Luis ficou a saber que como ele chegavam centenas talvez ate milhares de pessoas aos Estados Unidos diariamente e que o fundamental no momento era arranjar trabalho e um sitio onde viver.

Sentiu que para comecar a trabalhar no momento so precisava de uma caixa de engraxador de sapatos, era o que ele fizera na infancia e era o que ele iria comecar por fazer ali naquele lugar que nao era o seu rodeado de gente estranha. Vagueava com a sua mala na mao ao amanhecer quando encontrou uma carteira e que estava com 1000 dolares no seu interior.

Era um bom comeco mas havia o problema de aquele dinheiro nao lhe pertencer por direito proprio ele simplesmente o encontrara e podia-o ir devolver ao dono ja que a carteira continha documentos com a morada do dono do dinheiro. Podia ignorar tudo e ficar com aquele dinheiro que era um comeco para ele mas tinha conciencia que era um dever ir devolve-lo mesmo que isso lhe custasse ter que passar fome e outras necessidades.

Comecava ali o seu sucesso nos Estados Unidos devido a carteira pertencer a um milionario de Nova Iorque que ouvindo a historia do jovem tendo tomado conhecimento das suas dificuldades e mesmo assim ter ido devolver o dinheiro sentiu que devia apostar naquele jovem. O mesmo recusou qualquer recompensa em dinheiro e simplesmente lhe pediu um emprego, qualquer emprego, aceitava fazer qualquer coisa.

Luis aos poucos se tornara o homem de confianca do Senhor Smith e comecara a aprender a arte de fazer bons negocios em menos de cinco anos comecara a fazer a sua propria fortuna, o seu proprio grupo empresarial e tudo ficara mais facil ainda quando Smith ao morrer lhe deixara uma boa heranca.

Tinham-se passado trinta anos e Luis desistira da ideia de voltar para junto de Victoria para junto da sua terra e dos seus ao saber que nem dois anos se tinham passado e a mesma casara com o tal filho do socio do seu pai. Os seus negocios foram crescendo e ele apesar da distancia tinha os seus investigadores sempre a informa-lo do que estava a acontecer com a familia Carter. Os mesmos tinham falido, tinham perdido tudo e o Lorde cometera suicidio quanto a Victoria nos dias de hoje era uma mera Tradutora que trabalhava por conta propria basicamente para uma agencia de noticias russa chamada Sputnik.

O seu plano era so um destruir Victoria e tinha como faze-lo. Sabia perfeitamente que perdendo o emprego seria o fim da mesma e do seu negocio de Tradutora. Tinha que meter maas a obra para consegui-lo.

Nos Acores Victoria lutava diariamente para conseguir que o dinheiro lhe chegasse ate ao final do mes sobretudo depois de perder o trabalho que tinha como Guia Turistica de uma Agencia de Viagens que havia sido comprada por um tal grupo americano sediado em Nova Iorque o unico trabalho que tinha agora era aquele com a Agencia de Noticias russa e ainda chegava para ir vivendo mas tinha que lutar por mais sobretudo desde que o marido morrera.

Em Nova Iorque Luis Semedo tinha fechado mais um negocio e estava a conversa com o filho que nao entendia e nem queria aceitar aquele desejo de vinganca do pai tao possessivo. Sentia que o mesmo estava a ser destruido e alterado por aquele desejo e sentimento de vinganca. Paul Semedo sentia que aquele nao era o seu pai.

- Paul quando se comeca alguma coisa tens que acaba-la e eu nao comecei em vao - explicou - Agora que comprei aquela agencia de noticias so vou acabar com aquilo que ja havia comecado.
- O pai tem nocao do dinheiro que ja gastou nessa sua vinganca. Primeiro a Agencia de Viagens e agora essa Agencia de Noticias. Pai, o pai esta a entrar num mundo de negocios que nem conhece!
- Um dia filho vais-me entender e dar-me razao alem do mais rapaz e sempre melhor seres tu a destruir que seres destruido. Eu vou mostrar ao que resta daquela gente que consigo fazer com eles o que eles nao conseguiram fazer comigo.

Victoria entrara em desespero quando soubera que a Sputnik tinha abdicado dos seus servicos e prestimos. Iria pagar-lhe o ordenado daquele mes e uma indemnizacao de despedimento mas nada mais que isso.

Tinha que saber quem estava por detras de tudo aquilo e lhe podia estar a fazer tudo aquilo. Victoria ficara supreendida ao ver que o mesmo grupo que comprara a Agencia de Viagens para a qual trabalhava anteriormente tinha sido o mesmo que comprara uma semana antes a mesma Agencia de Noticias para a qual a mesma iria ainda trabalhar mas somente ate ao final do mes. Tudo aquilo significava que ela fora despedida duas vezes em menos de tres meses pela mesma pessoa. Tinha que saber quem estava por detras de tudo aquilo.

O Director da Sputnik em Portugal apenas lhe explicou que cumpria ordens e que o seu despedimento havia sido uma ordem do Director General ou seja do Chefe dos directores da agencia. Cada pais tinha um Director e o Chefe dos directores esse era russo mas estava agora ali como por sorte em Lisboa para uma reuniao.

Fora explicado que fora o novo Presidente da Sputnik a ordenar o seu despedimento de imediato e que o mesmo se chamava Luis Semedo. Victoria nao ouvia aquele nome a mais de trinta anos mas sofrera um impacto enorme ao ouvi-lo. Era ele, certamente que era ele seria impossivel ser outra pessoa com o mesmo nome a querer-lhe tanto mal.

Nao lhe guardara qualquer odio e no fundo ate o entendia depois de tudo o que a sua familia lhe fizera. Era no entender chegado o momento da vinganca e ela sentia que no entender dele seria ela a pagar por isso visto que era a unica Carter que ainda vivia para contar toda aquela historia que eles haviam vivido a mais de trinta anos atras. Sentia que so ela e o dialogo poderiam leva-lo a parar e a demove-lo de todo aquele desejo de vinganca e a enterrar todo aquele maldito odio. Queria reencontra-lo e convence-lo a fumarem o cachimbo da paz mas nao seria facil.

Mais de trinta anos depois Luis Semedo aterrava nos Acores e seguia agora para a casa que tinha comprado para passar ali uma temporada. Viera com muitas ideias e o desejo de fazer varios investimentos mas vinha tambem com desejo de reencontrar-se com Victoria Carter e fazer-lhe frente como o seu pai lhe fizera a ele e o mesmo nao conseguira responder na altura. Nos dias actuais tambem ela nao iria ter qualquer meio de fazer-lhe frente a ele.

Iam-se encontrar finalmente mais de trinta anos depois. Nao sabiam o que iam encontram e o que os esperava mas tanto um como o outro sabiam quem era quem. Um Semedo nao se encondia atras do anonimato ou falso nome pensava Luis enquanto Victoria nada tinha a perder e sabia que so ela sendo ela podia acalmar a ira e o odio de Luis.

Chovera toda a noite e o piso da estrada estava molhado o encontro seria nas furnas. Paul insistira em vir com o pai aos Acores. Alem de querer conhecer a terra do pai e dos avos queria estar presente para tentar evitar que o pai fizesse algum disparate ou que alguem lhe fizesse mal mas viera mais pela primeira das hipoteses afinal quem e que teria coragem de fazer mal ali ao todo poderoso Luis Semedo um dos homens mais ricos dos Estados Unidos e do Mundo alem de ser um filho da Terra ausente por mais de trinta anos mas ainda era um filho da Terra. Ali a unica pessoa que lhe quisera fazer mal fora o Lorde Hudson Carter mas esse ja jazia num caixao debaixo de tres palmos de terra pelo menos e ate esse se fosse vivo iria teme-lo a ele Luis Semedo ao ponto de se borrar nas calcas.

Estava a chegar a hora e o proprio Luis sentia que era tempo de parar com aquilo a sua vinganca ja estava realizada. Os Carter ja nao eram nada ali e ele orgulhara-se de comprar a quinta e a casa que lhes pertencera a trinta anos atras para a habitar agora, so tinha a lamentar que com aquela compra tivesse dado dinheiro aos Carter mas a compra fora mais um capricho seu, mais uma amostra de vitoria e superioridade.

Luis sentia que fora para a America para fazer fortuna e fizera mas nunca encontra-la o que um homem mais podia querer. Amara Amanda a mae do seu filho mas nem ela nem outra mulher o haviam fazido esquecer Victoria Carter, essa era a verdade. Ela estava viuvo ele viuvo estava mas trinta anos depois o que teriam ambos para dizer um ao outro para la de um caloroso e simpatico cumprimento. Sabia que o dinheiro dele nao podia comprar o amor dela e talvez nem o seu perdao mas queria reencontra-la ali nas furnas onde se viam a mais de trinta anos atras as escondidas.

Paul conduzia o carro com o pai ao seu lado queria ver como iria acabar toda aquela historia e queria ver a mulher que na madrugada anterior o seu pai confessara ter sido o maior amor da sua vida.

Victoria tambem nao iria sozinha ao encontro nao porque temesse Luis mas porque pelas mesmas razoes que Paul a filha de Victoria insistira em acompanhar a mae aquele encontro e assim iam tambem mae e filha no carro em sentido oposto que Luis e Paul mas com o mesmo destino, as furnas.

- A mae gostou mesmo desse Luis, nao gostou?
- Sabes Catherine mesmo que nao tivesse sido o grande amor da minha vida era aquele que nunca poderia esquecer por ter sido o primeiro.
- E nao ficaram um com o outro porque? Afinal esse amor se era assim tao forte nao seria capaz de vencer a vontade do avo Hudson?
- Filha existem coisas que por mais que queiramos o destino nao autorizou que fosse assim. A nossa vida esta escrita a nascenca e toda ela e como o destino queria que fosse e a nossa cruz viver a vida como nos foi destinado.

Ja no destino marcado ambos haviam sido pontuais e Luis e Victoria olharam-se sentiram que era o momento de enterrar o passado, esquecer odios, vingancas e enterrar todos os males. Havia tanta coisa para dizer e ate poderia ser ali, era o sitio ideal mas eram coisas intimas demais para se falar ali na frente dos filhos de cada um.

Catherine apercebendo-se disso como conhecia bem a zona nao exitou em convidar Paul para um passeio combinaram-se encontrar todos ali no final da tarde. Paul e Catherine partiram no carro de Victoria e sabia-se la se aquele passeio era o principio de uma uniao.

Luis e Victoria estavam sos e sorriram um para o outro tinham-se passado mais de trinta anos mas estavam melhor do que nunca, estavam livres e podiam fazer o que bem entendessem viuvos a algum tempo ate podiam voltar para os bracos um do outro.  Fora comovente a forma como Luis lhe pedira perdao por todo o mal causado e a forma como ela lhe pedira perdao a ele logo depois de o ter perdoado, sentiam que o momento da vinganca estava prestes a chegar ao tempo e vinha la momentos de amor e paixao como havia havido a mais de trinta anos atras.

A maior surpresa que acabara por nao ser incomodo nenhum fora o facto de sem nada estar combinado Luis e Victoria terem acabado por ir almocar no mesmo restaurante onde Paul e Catherine almocavam com ar de quem estava a comecar a viver uma nova paixao e um novo amor. Os pais nao puderam deixar de pensar sera que era daquela vez que iria nascer um Carter Semedo, oxala la assim fosse.

                                                                                                     Manuel Goncalves
















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