quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A Magia do Amor



Nao era de todo facil ser-se mae solteira num meio rural e local tao pequeno como aquele ainda que sendo filha de boas familias a qual apesar da vergonha e de ver o seu bom nome jogado na lama e falado de boca em boca na praca lhe deu todo o apoio. Eram demasiado religiosos e conservadores para se pensar em aborto, isso estivera sempre fora de questao.

Estivera enamorado, apaixonara-se pelo homem errado, se e que ele se podia chamar de homem mas a crianca que trazia no ventre nao tinha culpa de nada e tudo se havia de arranjar, ela estava com a adolescencia perdida ou roubada no meio da mesma mas mesmo assim ela e a familia sentiam que nada estava perdido e Maria Celeste podia voltar a ter uma vida normal, podia encontrar que homem de h grande que a amasse e aceitasse ser o pai do seu filho ja que aquele que lhe mostrara o que era a forte magia do amor nao aceitara isso. Nao aceitara cumprir com as obrigacoes de pai, nao soubera ser homem diziam todos. Era facil avaliar e criticar uma situacao quando se estava de fora.


Maria Celeste nao se sentia arrependida de nada porque aquele Magico ou Ilusionista realmente lhe mostrara o que era o amor, mas o amor de mae, esse ela nao trocava por nada e se era isso que Deus lhe tinha para dar entao estava grata pela davida e bencao de ter sido merecedora de ter tido aquele filho.

A primeira vez que  o olhara, que o vira, que o sentira perto de si ia perdendo os sentidos, ia desmaiando por sentir uma fraqueza nas pernas. Foram aqueles sintomas da forca dos amores que so os adolescentes conseguem sentir. Ele sentiu isso e nao perdeu tempo, era mais experiente e seduziu-a facilmente.

Maria Celeste era empregada num infantaria da vila e naquele dia estava como algumas outras colegas suas responsavel de levar as criancas ao circo. A ideia agradava-lhe porque nunca tinha iso a um circo e alem disso as turmas do infantario iam poder ir ate aos bastidores, estar de perto com os animais. A jovem estava feliz por poder ir ver coisas que nao tivera na sua infancia a familia era de facto muito religiosa e muito respeitada na terra mas era igualmente muito pobre.

Primeiro foi a alegria da criancada e os palhacos a entrar em accao na pista, o Palhaco Pobre e o Palhaco Rico como sempre, depois foram os trapezistas, acrobatas, um homem que engolia espadas e cuspia fogo, Celeste adorou o numero dos leoes, o equilibrista e por fim foi a troca de olhares com ele que era assistente do Magico que estava a actuar no momento na pista.

O circo era enorme e pertencia a geracoes aquela familia onde todos os seus membros tinham nascido no mundo do circo e alguns ate tinham mesmo nascido ali quase na pista do circo. Ele serviu de Guia Turistico e veio a dizer mais tarde que era filho do dono do circo e que sonhava vir a ser um grande Ilusionista de renome mundial como os seus grandes idolos Harry Houdini e David Coperfield.

Maria Celeste mesmo sem saber quem era esse Houdini e Coper... nao sei que das quantas comecou a pensar que o rapaz tinha tanto de belo como de sonhar alto e comecou a desviar os pensamentos para outros assuntos.

Ate entao Maria Celeste era uma jovem como tantas outras que apenas sabia o que era o amor pelas cenas romanticas que via nas telenovelas e pelos livros de romances que lia. O amor sincero e puro nao era para meninas pobres como ela que vestiam os trapos que iam buscar as caritas esse amor era para meninas que podiam andar perfumadas, bem vestidas e arranjadas, meninas de familias com dinheiro, era so por uma dessas meninas ou raparigas que alguem como aquele Ilusionista que ate a pouco podia ser ser o seu Principe Encantado se podia apaixonar.

Chegara a casa e o seu irmao mais velho estava radiante tinham-no aceite para ser ajudante no circo enquanto o mesmo estivesse na vila e depois ou ficava ali ou ia com o circo pelo pais e pelo mundo fora. Para o seu irmao parecia ser um sonho, uma aventura poder ir pela Europa e alem da mesma por sitios que lhe eram desconhecidos e que de outra forma jamais teria conhecido. Era mais do que um sonho, era uma aventura, uma aventura com que o pai nao parecia concordar.

Era certo que estar ali naquele meio tao pequeno, empobrecido e sem grandes oportunidades de vida nao era futuro para ninguem. Partir dali para lugares incertos e sem nenhumas garantias quase, trabalhar praticamente em troca de prato de sopa e um maco de tabaco por dia tambem nao era muito melhor que estar ali. O pai nao concordava com a ideia eram pobres e iriam continuar a ser, se o irmao partisse nao iriam enriquecer certamente e ali todos juntos sempre conseguiam ser felizes e sentir a forca daquela uniao.

O Domingo era sempre um dia apetecido nao porque pudesse dormir ate mais tarde, nao, ate porque acordavam de manha para ir a missa. Era um dia apetecido porque a mae deixava tudo feito no dia anterior, a casa estava arrumada e limpa, a comida estava feita, o Domingo era um dia de descanso e para estarem juntos em familia, isto quando o pai nao dava em entender em ir fazer algum trabalho para a horta que era o sustento da familia. Legumes, fruta, hortalica, animais de criacao, os queijos e tudo o resto que vendiam no mercado durante a semana na vila era dali que sai-a.

Nao gostava de ter que mentir mas ao mesmo tempo nao resistindo a tentacao de o voltar a ver teve mesmo que o fazer e com a desculpa de ter que ir encontrar-se com umas amigas na vila saiu de casa em direccao a vila mas a ideia era ir ao circo e ve-lo talvez ate falar com ele a sos, isso seria maravilhoso. Tinha como pretexto a apresentar o querer falar com o irmao e assim nao estaria a denunciar-se tao facilmente.

Maria Celeste adorava tudo aquilo a sua volta e nao apenas o circo. O cheiro das pipocas e do algodao doce, a musica que sai-a pelos quatro cantos onde se encontravam. A barraca dos tiros ao alvo e das rifas sempre cheia, os carrosseis, as luzes e a alegria das criancas sempre a procura de conquistar mais um doce.

Ela sonhava casar e ter filhos mas queria que os mesmos nao viessem a passar as necessidades que ela tinha passado. Sabia que os pais tinham feito o melhor que podiam e so por isso nao se lhes podia exigir mais mas nao deixava de se sentir triste com isso. As roupas que vestiam que eram dadas pelos vizinhos e que depois iam passando dos irmaos mais velhos para os mais novos e o quase ter que andarem descalcos. O que o pai ganhava no campo e no mercado nao chegava para tudo e tinham que deixar de estudar mal faziam a quarta classe para irem trabalhar em troca de uma miseria de ordenado que apesar de pequeno ja era uma grande ajuda.

Maria Celeste sentiu alguem agarra-la e depois viu novamente aquele sorriso, aquela figura, o Principe Encantado. Ela nem se apercebera que tinha chegado a zona que estava destinada para as caravanas do circo e ele vendo-a ali as voltas pensou que ela estivesse perdida.

As suas pernas tremiam e a voz era gaguejante se ja era uma fraca figura pior ainda ficava com ele junto de si. Ele convidou-a a entrar na sua caravana e a beber um cafe ou um sumo. Ela receou que pudesse ofende-lo com a recusa a verdade e que nunca estivera sozinha com um homem que nao fosse um dos seus irmaos e sabia que o pai nao ia gostar se soubesse que ela andava metida nas caravanas do circo sozinha com um homem. Acabou por ceder a vontade dele e ao sorriso do mesmo, nem ela sabia onde se estava a meter.

Lourenco tinha uma voz suave e as suas palavras pareciam-lhe tao sinceras que nem se preocupou quando o mesmo sem cerimonia tirou a camisa e ficou em tronco nu. Celeste nunca tinha visto um homem assim ou melhor o pai as vezes e os irmaos mas se o primeiro era mais um estomago e barriga de cerveja ja os irmaos podiam vir ate vir a ter um corpo musculado como o de Lourenco mas o deles ainda nao estava desenvolvido como o corpo dele, eles eram rapazes ainda e a frente dela estava um homem ja feito.

Aproximou-se dela e a mesma comecou a ficar arrependida de ter entrado na sua caravana, ja sabia o que ele queria e isso nao... isso nao lhe podia nem queria dar, mal o conhecia, era religiosa, conservadora e nao queria oferecer a sua virgindade ao primeiro que lhe aparecesse a frente e nem perder a mesma numa possivel simples aventura. E depois como justificar tanta coisa ao futuro marido na noite de nupcias?

Sempre sonhara casar vestida de branco, cor da pureza. Da pureza como ela era ate entao e queria continuar a ser. Queria oferecer a virgindade a maior riqueza que possuia e praticamente a unica ao futuro marido na primeira noite juntos. Era assim que tinha de ser e ela queria que fosse, era assim que a sua mae sempre lhe aconselhara. Como iria na proxima confissao revelar ao Padre que ja nao era virgem e que se entregara ao primeiro que lhe aparecera a frente.

Quase sem dar conta ele deitara-a no sofa e estava a beija-la e por mais que lhe custasse a aceitar fosse correcto ou pecado ela para alem de estar a gostar, estava a adorar. Ele comecou por levantar-lhe o vestido e ja lhe tocava nas cuecas com uma mao enquanto com a outra lhe apalpava os seios por cima do vestido. Estava a gostar, sim claro que gostava mas nao era aquilo que queria. Nao era assim que ela queria que fosse, mesmo que viesse a entregar-se a ele ainda era cedo, mal o conhecia. Queria gritar mas nao podia porque a sua boca estava ocupada a retribuir os beijos que ele lhe dava.

Ele olhou-a sentiu que nao era isso que ela queria e nao queria ir contra a vontade dela. Calculou que a mesma fosse virgem mas nem por isso voltou a carga, nao era a primeira virgem que lhe calhava na rifa e decidiu que isso seria quando ela entendesse e quisesse. Ele tinha que se ir preparar para a actuacao da noite.

Ela foi-se embora nao lhe prometendo se voltava. Se ao mesmo tempo ate tinha gostado daquele momento sentia que estivera quase a saltar do Paraiso para o Inferno ao quase se entregar a ele. Tinha que ter a certeza do que ele realmente queria e em principio se ele para ela seria o primeiro nao tinha muitas duvidas de que ela para ele seria apenas mais uma, somente mais uma, que ele iria usar e deitar fora.

Maria Celeste completava naquele dia dezoito anos e a familia fizera tudo para que a data fosse inesquecivel. Matara-se um porco, fizera-se um Cozido a Portuguesa e agora estavam todos a mesa, numa mesa onde a fartura era abundante ao contrario de outros dias mas ja haviam tido dias piores. O irmao fora o ultimo a chegar para aquele Almoco mas nao vinha sozinho trazia consigo o filho do patrao, Lourenco, o Principe Encantado da irma mais nova. Lourenco aproveitara o pretexto de vir falar com o pai deles para tentar convence-lo a aceitar que o filho partisse com o cirdo para voltar a ver de novo Maria Celeste, a tal que ele queria meter na sua coleccao de conquistas.

Lourenco ate achava Maria Celeste bonita e diferente das outras mas certamente ela nao valia tanto ao ponto de o fazer desistir de tudo com que sempre sonhara para ficar com ela, o proprio circo era demasiadamente pequeno para fazer com que o seu sonho se viesse a realizar e um dia o circo seria dele. Sonhava com a ida para Moscovo onde se encontrava a mais famosa escola de circo e aprender tudo sobre a arte da magia, depois, depois queria partir para os Estados Unidos e conquistar os famosos casinos de Las Vegas com os seus espectaculos de magia. A fama, o reconhecimento do seu talento e por fim a fortuna esperavam por si.

Celeste estava cada vez mais decidida a ceder e a entregar-se a ele fosse quem fosse que viesse depois se a amasse iria entender que nao tinha sido o primeiro na sua vida e por fim ela entendeu que nao era a primeira e nem seria a ultima a tomar essa decisao. A sua virgindade pertencia a Lourenco e ao saber que o mesmo estava prestes a completar mais um aniversario decidira igualmente que a sua entrega total a ele seria no dia do seu aniversario.

A jovem deu por si no autocarro a caminho da cidade mais proxima onde queria comprar uma lingerie sexy e provocante para o momento que escolhera ter com Lourenco. Ao mesmo tempo pensava se nao estava a mudar completamente, a mostrar novas facetas e tracos da sua pessoa que ela ate entao escondera. Seria ela uma leviana sem ter ainda optornidade de o demostrar? Seria ela isso mesmo em vez de uma rapariga que seguia os ideais da religiao, da moral e dos bons costumes.

Um perfume tambem seria ideal ter um bom perfume, queria estar cheirosa para Lourenco, uma ligeira maquilhagem tambem ajudaria mas nao de forma exagerada, Celeste sempre gostara de si ao natural, sem pinturas de maquilhagem, sem nada daquelas modelos das revistas e das actrizes do cinema. Mesmo que gostasse dessas modernices de beleza pre-fabricada que era moda das raparigas da cidade perante ele, perante Lourenco seria ela mesma.

A festa do aniversario de Lourenco correu como todos os anos na pista do circo num dia em que nao havia actuacao. Nao estavam muitos convidados para alem da familia e dos funcionarios do circo so alguns auxiliares temporarios como era o caso do irmao de Celeste e mais uns amigos que se tinham feito durante a paragem naquela terra como era quase toda a familia de Maria Celeste.

Ela estava linda pensou Lourenco consigo mesmo. Podia nao ser tao rica como outras que tivera na sua cama, podia nao ter tanta cultura, nao ser tao inteligente e tantas outras coisas que lhe faltavam e no fundo nao eram assim tao importantes mas era linda, linda de verdade ja que nao se produzia assim tanto como as outras com quem dividira a cama, com quem dormira depois de fazerem amor. Ela podia ser a proxima mas era ja diferente de todas as outras nao so pela sua beleza pura e original mas tambem porque lhe resistira a primeira investida e sabia ja que talvez lhe resistisse a segunda e a terceira.

Depois de soprar as velas do bolo ela aproximou-se dele e deu-lhe im beijo no rosto segredando-lhe que se ele fosse bom rapaz e meigo com ela aquele beijo tinha sido o primeiro presente de aniversario que ela lhe tinha para dar naquela noite, sorriu e segredou-lhe novamente ainda que estava a sua espera para irem para a caravana.

Ele sorriu e teve a certeza de que o seu desejo ia ser realizado. Nenhuma mulher lhe resistira ate entao desde que ele lhe fizesse a corte. Tinha sido assim desde o inicio pelas terras por onde o circo ia passando ele era um sedutor por natureza e um conquistador nato. Com Celeste tinha que ser diferente, tinha que haver todo o romantismo e delicadezas possivel mas isso nao o incomodou, sabia que para ser assim bastava ele proprio ser ele mesmo.

Entraram juntos na caravana procurando ser discretos para que ninguem os visse. Lourenco vivia sozinho naquela luxuosa caravana mas era preciso que ninguem os viesse a ver entrarem na caravana juntos.

Ja na sala um forte abraco, um enorme beijo e o comecarem a despir-se mutuamente, nenhum homem ate entao tinha visto Celeste nua desde que a mesma tinha entrado na idade adolescente e se tornara mulher. Nenhum homem lhe beijara os seios e mamilos como agora Lourenco fazia, lhe pegara ao colo ja nua e a levara para a cama.

Doera-lhe um pouco mas nada que nao fosse suportavel e depois viera um prazer que ela nunca pensara vir a sentir e depois ainda viera mais uma sessao, duas e tres de amor feito na cama. Cansados da cama foi por toda a caravana Lourenco era insaciavel e ela so queria descobrir todo o prazer que tinha o acto de fazer amor. Foi na mesa da sala antes de chegar a bancada do lava-loicas na cozinha, foi no duche quando ja cansados tomavam duche juntos.

Aquela noite tinha sido uma loucura completa que ela adorara e para terminar em beleza ja que descobrira o que era o prazer de fazer amor queria que o mesmo fosse completo. Ia descobrir o que era, e fazer aquilo que a igreja tanto condenava, sexo oral. Lourenco nao cabia em si de surpreso o que ela era capaz de fazer para lhe dar prazer e a cada gemido dele de prazer ela aumentava a intensidade do ritmo ate meter tudo na boca.

Quando ela lhe dizera que queria fazer tudo e agora estava mostrando receio talvez por vergonha de dar esse passo ele bastante mais experiente e habituado aquelas coisas decidira ser ele a avancar. Colocou-a de quatro e preparou bem o caminho. Ela sentira uma dor monumental e que nunca pensara sentir e ia a soltar um grito capaz de acordar todo o circo, ele porem ja esperando por isso tapara-lhe a boca com a mao e assim tinham acabado de fazer a relacao completa.

Ja amanhecia e estavam os dois abracados e deitados na cama. Nenhum dos dois sabia o que lhe reservava o futuro mas sentia que havia espaco para o outro nesse futuro sempre incerto. Ela levantara-se primeiro tinha que ir e ia tinha arranjado uma boa desculpa para justificar a noite fora de casa. Estava ja vestida quando ele deitado na cama lhe pediu para ela lhe realizar uma fantasia e foi assim que sem nunca pensar vir a faze-lo ela viu-se a fazer um striptease para ele.

A relacao manteve-se durante algumas semanas umas vezes mais em segredo do que outras mas onde episodios como os daquela noite na caravana nao faltaram. Faziam amor no carro dele, na caravana e por vezes Celeste apesar de apaixonada e gostar de estar com Lourenco perguntava a si propria se aquilo que fazia era correcto.

Foi num dos dias de limpeza na casa. Limpava o sotao quando deu por ela junto a uma velha arca que nunca abrira e que nem sabia da sua existencia. A curiosidade como era natural naqueles casos acabou por vir a falar mais alto e  nao estando a mesma fechada, era tao facil investigar o que estava la dentro e qual a razao misteriosa pela qual nem se sabia da sua existencia.

Fotografias muitas fotografias sobretudo do pai quando estivera na guerra em Africa e cartas que ia trocando com a mae na altura sua namorada. Nao resistindo a tentacao de ler algumas ficou a saber que tambem os pais tinham tido intimidade ou seja relacoes sexuais antes de casarem. Embora nunca tivesse pensado que isso fosse possivel ficou feliz em te-lo descoberto e por nao ser a unica a ter feito o mesmo.

Os momentos de amor com Lourenco continuaram quase como na primeira noite que tinham feito amor ate ela comecar a sentir qualquer coisa estranha e de diferente em si, nao demorou muito a descobrir o que era, estava gravida.

Lourenco ficou em panico e ela nunca o vira assim. Ele queria que ela abortasse claro. Amava-a mas aquele filho iria estragar-lhe todos os planos, queria ir para Moscovo para a escola de circo durante anos esse fora o seu sonho e ela nao lhe podia roubar o realizar essa ambicao de ser estrela da magia nos casinos e salas de espectaculos mais conhecidas do mundo. Lourenco justificou-lhe tudo isso friamente e quase que parecia nao ter sentimentos.

Se ela queria seguir com aquela gravidez teria que a assumir sozinha. Ele, claro, iria dar o nome a crianca mas nao iria estar ali ao seu lado a cria-lo isso ela teria que o fazer sozinho. Ele iria ate dar sustento ao filho mas iria estar longe. Quando eles se tinham envolvido ela sabia bem que ele nao tinha raizes em lugar nenhum e estaria ali enquanto o circo estivesse ou melhor agora com tudo aquilo iria se embora o mais rapidamente possivel.

Maria Celeste viu crescer um sentimento de odio enorme por aquele homem que ate a poucas horas atras amava. Jurou que o iria odiar ate ao ultimo dos seus dias e que preferia que ele nao desse sequer o seu nome ao filho dela. Sim filho dela porque dele ela nao queria que ele tivesse nada. Ela iria ser mae e pai ao mesmo tempo, levantou-se do sofa e saiu da caravana em direccao a casa e sem saber como iria dizer aos pais que estava gravida e que o pai preferia que o filho nem o nome do pai tivesse.

Apos a noticia ter sido recebida em sua casa todos foram-se acostumando com a ideia e apoiaram Celeste a seguir com a ideia de ter aquele filho sozinha. Alias ela nao estaria sozinha estaria com todos eles.

Os anos foram passando Maria Celeste olhava Simao crescendo. Aquele filho era tudo para ela e nunca mais tivera outra relacao com ninguem ja se tinham passado quinze anos. Podia-se inicialmente pensar que fora porque decidira viver somente para aquele filho mas a verdade e que amava o pai do seu filho e nunca amara outro homem senao Lourenco.

Lourenco conseguira o que mais queria e era um dos magicos e ilusionistas mais famosos do mundo. Conquistara uma legiao enorme de fas e fizera uma fortuna incalculavel mas tambem ele era um homem amargurado e solitario, sim solitario ele que tivera tantas mulheres na vida estava a envelhecer sozinho.

Naquela manha a noticia principal tinha sido a quase morte do magico Lourenco O'neil durante um numero de uma das suas actuacoes nos Estados Unidos. A sua vida tinha sido um risco e estava agora em risco de vida e morrer. No entanto mais tarde as coisas foram acalmando e foi sendo noticia de que o mesmo ia ficando livre de perigo e estava salvo no entanto ficaria o resto da vida numa cadeira de rodas.

Ia pensando nele e em como ele estaria ate pouco tempo depois de sair do hospital um belo dia ele lhe surgir na frente. Lourenco estava arrependido, queria uma nova oportunidade, queria dar tudo ao filho embora soubesse que lhe roubara uma das coisas mais importantes na vida de um ser humano ou seja uma infancia ao lado do seu pai.

Maria Celeste de inicio rejeitou-o mas com o tempo foi amolecendo o seu coracao, perdendo o seu odio por ele e a familia tambem achou que ele merecia uma segunda oportunidade. Estavam em inicio uma nova vida, uma vida totalmente diferente porque apesar de tudo Lourenco tinha vencido na vida e nem tudo o que tinha feito ao longo da mesma tinham sido asneiras. Era rico e podia dar tudo ao filho e a sua esposa, tudo ate aquilo que eles nunca tinham sonhado vir a ter mas todos sabiam que a unica coisa que Maria Celeste sempre quisera tinha sido o amor daquele homem, o amor do pai do seu filho e tinha-o agora, era uma mulher realizada e feliz o presente vivia-se, o passado perdoava-se e o futuro era ao lado de Lourenco.

                                                                                                        Manuel Goncalves







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