quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O Sebastianismo



O Sebastianismo leva-me e faz-me pensar naqueles que esperavam em vez de pelo Dom Sebastiao de Portugal (1554-1578 (?) ) "O Desejado" espervam pelo Messias ou seja seguiam o Messianismo.

Para muitos so o regresso do Rei naquela sonhada manha de nevoeiro podia salvar Portugal do dominio do Reino de Espanha mas tal nunca veio a acontecer e somente em 1640 ja com a ultima Dinastia em Portugal ficamos livres dos espanhois apos Dom Joao IV (1604-1656) chamado de "O Restaurador" ter tomado o poder e ser autoclamado Rei de Portugal em 1640 depois de ser sido Duque de Braganca (1630-1645). Chegava assim ao fim o dominio espanhol em Portugal que durou de 1580 ate 1 de Dezembro de 1640 teria assim tambem no entanto inicio a Guerra da Restauracao (1640-1668) que terminaria ja depois da morte de Dom Joao IV no reinado de seu filho Afonso VI (1643-1683).

 Inicialmente Dom Sebastiao ainda fora sucedido por pelo seu tio o Cardeal Dom Henrique (1512-1580) mas todos sabiam que isso de pouco adiantava e era uma situacao provisoria visto o Cardeal ser um homem da Igreja e nao ter por isso descendentes que pudessem assegurar o Trono do Reino de Portugal o mesmo vira a falecer dois anos mais tarde em 1580. Era preciso arranjar-se um descendente directo para o Trono de Portugal mas isso era impossivel, Dom Sebastiao morrera ou desaparecera sem deixar descendentes directos.

Aqui estou eu bem ao meu gosto a escrever mais uma vez sobre um tema, episodio e acontecimento da Historia de Portugal fazia mesmo ja algum tempo que nao o fazia tinha sido com a cronica lancada em 23 de Maio de 2016, Isabel de Aragao (1271-1336), a Rainha Santa Isabel de Portugal.


O Sebastianismo foi uma crenca ou Movimento Profetico que viria a surgir em fins do Seculo XVI, como consequencia da morte de Dom Sebastiao na Batalha de Alcacer Quibir, em 1578.

Apos o desaparecimento de Dom Sebastiao no Norte de Africa e da morte de seu tio, o Cardeal-Rei Dom Henrique, houve uma disputa por quem seria o sucessor do trono portugues por falta de herdeiros legitimos e directos. O trono viria a terminar nas maos do Rei Dom Filipe II, de Espanha (1527-1598) da rama espanhola da Casa de Habsburgo.

Basicamente o Sebastianismo e um Messianismo adaptado as condicoes lusas e a cultura do Brasil. Traduz uma inconformidade  com a situacao politica vigente e uma expectativa de salvacao, ainda que miraculosa, atraves do retorno de um morto ilustre.

Varios sectores da populacao e sociedade nao acreditavam de forma alguma na morte do Rei, fazendo assim que se comecasse a divulgar a lenda de que o mesmo Monarca ainda se encontrava vivo, apenas esperando o momento certo para voltar ao trono e assim de forma legitima afastar do Trono de Portugal o dominio estrangeiro. De certa maneira, isso ecoava uma crenca no chamado "Rei Encoberto", que povoara a Penisula Iberica, e que se manifestara fortemente durante as "Germaniadas" em Valencia, durante o Reinado do Imperador Carlos V (1500-1558). Entretanto,  foi ja com o aparecimento dos chamados falsos "Dom Sebastiao", que aquilo que era uma crenca difusa e acabou por ganhar contornos politicos mais definidos, e em alguns casos, mais preocupantes para Madrid. O caso mais emblematico e importante para a constituicao do que se chamou Sebastianismo foi o do "Sebastiao de Veneza", um calabres (natural da Calabria uma Regiao de Italia), Marco Tulio Catizone, que se fizera passar por Dom Sebastiao e que curiosamente nao falava portugues e nem tinha qualquer traco fisico semelhante com o Rei portugues. Incrivelmente, o Sebastiao de Veneza obteve o apoio de varios fidalgos, letrados e religiosos portugueses, muitos deles ligados a "corte" exilada de Dom Antonio, Prior do Crato (1531-1595), que disputara com Dom Filipe II de Espanha (Dom Filipe I de Portugal) a sucessao da coroa portuguesa. Entre eles, Joao de Castro (1551-1623), neto do homonimo Navegador e Vice-Rei da India, Joao de Castro (1500-1548), que dedicou os seus ultimos anos de vida a defender a causa sebastianista. Como indicado por Jacqueline Hermann (1960), foi o proprio Joao de Castro que deu forma letrada e constituiu um corpo mais teorico ao que antes era um conjunto de esperancas no retorno de um Rei desejado.

Joao de Castro em seus tratados, uniu uma tradicao exegetica e ate mesmo apocaliptica em tornos dos sonhos do Livro de Daniel com o encobertismo e com fundamentos profeticos da Monarquia Portuguesa. Entre eles, o Milagre de Ourique (1139), que ganhara novas cores com o juramento de Dom Afonso Henriques (1109-1185), Diploma forjado nos anos de 1590 no Mosteiro de Alcobaca (tambem conhecido como Mosteiro de Santa Maria de Alcobaca ou Real Abadia de Santa Maria de Alcobaca), e, sobretudo as Trovas de Goncalo Annes Bandarra (1500-1556) tambem conhecido como Goncalo Anes, o Bandarra, as mesmas Trovas eram as que haviam sido escritas antes de 1540. Foi Joao de Castro que editou e fez imprimir a primeira versao das Trovas do Bandarra que ate entao apenas circulavam manuscritas ou oralmente. No seu Parafrase e concordancia, lancado na Franca em 1603, transcreveu e comentou os versos do Sapateiro de Trancoso, mostrando mostrar como as trovas enigmaticas e profeticas so poderiam indicar a volta e regresso de Dom Sebastiao I para retornar o trono portugues e expulsar os castelhanos.

Outro sebastianista importante foi Manuel Bocarro Frances (1588 ou 1593-1668) tambem referido como Jacob Rosales, um novo-cristao, Medico, Matematico e Astrologo, Astronomo e Escritor portugues de ascendencia judaica.

No dia 1 de Dezembro de 1640, ja com 60 anos de dominio espanhol em Portugal, um grupo de conjurados (ficaram conhecidos como os quarenta conjurados) chefiados pelo entao ainda acutal Duque de Braganca (futuro Dom Joao VI - Dinastia de Braganca ou Dinastia Bragantina (1640-1910 no Brasil em 1889), depos em Lisboa, o representante de Dom Filipe III, de Portugal e IV de Espanha (1578-1621) tendo assim restaurado a independencia de Portugal e o movimento tomou novas caracteristicas por todo o Imperio Portugues. Como demostrado por Eduardo D'Oliveira Franca (1917-2003) e mais tarde Luis Manuel Soares dos Reis Torgal (1942) houve ainda adequacao da crenca sebastica por uma ideologia restauracionista a servico da causa de Dom Joao IV. O Padre Jesuita, Filosofo e Escritor Antonio Vieira (1608-1697) foi um dos principais articuladores dessa construcao profetica a partir do chamado Sebastianismo. Ainda que nao tenha terminado suas obras profeticas, dedicou-se a elas de modo sistematico no fim da sua vida e ja apos o fim da Guerra da Restauracao contra ao Reino de Espanha, escrevendo, entre outras, a Clavis Prophetaruam e a Historia do Futuro (1718).


O conhecido Poeta e Escritor portugues Fernando Antonio Nogueira Pessoa (1888-1935), em seu Livro a Mensagem (1934), fez uma interpretacao sebastianista da Historia de Portugal, em busca de um Patriotismo perdido. O poema reinterpreta a Historia de Portugal em funcao de uma ressureicao de um passado heroico ("e a Hora").

O Sebastianismo tambem veio a acabar por influenciar certos movimentos brasileiros em todo o pais, desde o Rio Grande do Sul ate ao Norte do Brasil, principalmente no inicio do Seculo XX.

Por exemplo, Antonio Vicente Mendes Maciel (1830-1897) que ficou mais conhecido na Historia do Brasil como Antonio Conselheiro, empregou-o em seus discursos a populacao de Canudos um Municipio brasileiro do Estado da Bahia. Segundo ele, Conselheiro, Dom Sebastiao iria retornar dos mortos para restaurar a Monarquia no Brasil, atraindo assim a ira e furia do recem-inaugurado Governo Republicano do Brasil. Antonio Conselheiro via tanto na realeza de Dom Pedro II e na Casa de Braganca o Direito Divino do Imperio do Brasil recebido na cristofania do Milagre de Ourique.


Portugal tem ao longo dos anos vivido de esperancas e criado mitos se entre entre 1580 e 1640 se vivia no mito do Sebastianismo que consistia no regresso de El Rei Dom Sebastiao para livrar o Trono do Reino de Portugal do governo do Reino de Espanha e que a salvacao veio a surgir atraves de Dom Joao IV hoje creio que vivemos numa nova esperanca e novo mito so que desta vez creio que seja mais o mito do Salazarismo.

Portugal anseia por alguem que o salve e nao sao os actuais governantes que perante os sucessivos governos que o vao fazer, ja o mostraram que sao incapazes disso. Resta apenas a esperanca de surgir alguem que governe como Antonio de Oliveira Salazar (1889-1970) governou e que morreu pobre deixando o pais rico.

Caro(a) leitor(a) espero que esta cronica tenha sido do seu inteiro agrado e que tenha servido para enriquecer o seu conhecimento, quanto a mim espero voltar a dar noticias aqui brevemente, ate la, abracos.

                                                                                                         Manuel Goncalves



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