segunda-feira, 3 de abril de 2017

Plagios Mais do Que Perfeitos



Filomena sempre amara escrever e sempre o fizera desde que aprendera a ler, desde que a tinham ensinado na escola que ela tinha por habito escrever coisas que ia apontando num cadernezinho que escondia religiosamente a sete chaves como se um tesouro os mesmo escritos fossem ou pudessem ser tratados como tal.

Era uma jovem diferente de tantas outras amigas que parecia ser fragil e ser uma crianca muito doente e era-o de facto. Enquanto as amigas na escola no recreio durante o intervalo brincavam, pulavam e corriam Filomena escondida no seu canto escrevia, o que sentia, o que lhe ia na alma e por fim o que a imaginacao consentia e autorizava. Menina sossegada e triste chamavam uns enquanto outros a consideravam nao mais do que um ser doente e fragil. Fosse o que fosse era uma crianca demasiadamente inteligente e so era pena a pobreza dos pais nao dar para permitirem que a mesma estudasse muito mais do que o ensino primario.

Nao era uma crianca facil embora nao fosse agressiva era uma criatura muito fragil talvez por ser muito doente ou simplesmente potque sempre lhe faltara muito afecto em casa. O pai era alcoolico enquanto a mae nao tinha tempo para lhe dar atencao a ela ate porque haviam mais seis irmaos.

Naquele meio com familias quase a viver miseravelmente o destino dos mais novos era so um e nao havia volta a dar, era mal se completava a quarta classe e iam trabalhar. Os rapazes habitualmente iam para o campo fazer os trabalhos mais leves da lavoura e as raparigas quando nao seguiam o mesmo caminho de ir trabalhar nos campos das redondezas iam servir para casa de uma familia rica e com posses na cidade.

A cidade, ir para a cidade. Era esse o sonho de Filomena, de ir ver sitios novos, caminhar naquelas avenidas grandes quase do tamanho da aldeia em que vivia. Lisboa era ja ali ao lado apesar de parecer tao distante. A televisao so recentemente chegara a sua aldeia, perdida entre montes e que nem constava em certos mapas ou roteiros turisticos. Ela tinha quase dezasseis anos mas estava certa do que queria. Queria ir para longe do mau genio do pai e das suas sovas, queria ir para longe das saias da mae. Lisboa algo a chamava para Lisboa so faltava encontrar uma forma de partir se nao fosse para Lisboa que fosse ao menos para outra cidade.

A capital era o centro de tudo e ela sabia que nao era a unica, nao era somente ela a ter a ambicao de partir para la. Antigamente via apenas pelas noticias do jornal, as revistas e naquilo que ouvia na radio Lisboa era o novo mundo apesar de tudo ela era demasiado humilde para sonhar ainda mais alto com uma outra capital europeia ou mundial que por sua vez iria fazer Lisboa parecer uma avendida como a mesma fazia parecer a sua aldeia pelo menos no seu ideal.

Era um casal de meia idade que comprara ali uma casa e que viera da capital com intuito de comecar a ter aquele lugar como local de repouso e que depois de se instalar trataram de se fazer saber de que precisavam de uma Empregada Domestica para a casa. Filomena nao pode deixar de se oferecer para o emprego e como praticamente era a unica candidata acabou por ser escolhida. Era o principio de um sonho e de um desejo seu, quem sabia se eles a acabariam por levar para Lisboa.

O Senhor Ventura e a Senhora eram pessoas da classe intelectual de Lisboa mas eram ambos muito humildes e gente simples. Filomena ficou admirada quando recebeu ordem para se sentar a mesa com os patroes e surpreendia-se quando Henriqueta Ventura a ia ajudar na cozinha enquanto o Senhor Camilo insistia em ser ele a fazer certos trabalhos mais pesados como regar as flores do jardim que eram regadas com auxilio de uma mangueira um pouco pesada para a jovem.

Camilo e Henriqueta pareciam ter sido feitos um para o outro. Formavam um casal de meia idade, aparentemente feliz e unido, nunca assistira a uma discussao entre ambos e havia somente algo que nao permitia que a sua felicidade fosse plena, faltara-lhes um filho, um herdeiro, uma semente daquele enorme amor lancada ao mundo. Aparentemente Camilo era esteril e isso fizera-o um pouco triste e fragil de personalidade e caracter, fazia-o sentir-se menos homem que os outros.

O casal era bem conhecido da sociedade por serem escritores famosos e serem considerados como fazendo parte do grupo de intelectuais portugueses e falavam-lhe muito das festas e eventos nao so em Lisboa em que participavam, das viagens que tinham feito pelo mundo fora e daquilo que ainda planeavam fazer. Filomena era ja mais do que uma Empregada era como que uma filha, A filha que o destino nao lhes dera embora os tenha feito ser tao felizes juntos.

Achavam que Filomena tinha talento para a escrita embora ainda fosse uma diamante para ser polido e havia ali muitas arestas a limar, alguns pontos a acertar mas sem duvida  tinha potencial, um potencial enorme para ser uma nova Romancista como eles proprios o eram mas com muito mais experiencia mas todos os escritores conhecidos como dizia o lema da editora para a qual escreviam aos anos comecavam pr ser escritores anonimos ou desconhecidos. Filomena era jovem, era nova e tinha muito ainda para descobrir o melhor mesmo era convida-la a partir para Lisboa com eles.

O convite estava feito e fora aceite pela jovem mas faltava ainda a aprovacao dos pais de Filomena ela ainda era menor e por isso Camilo estava decidido a ir naquele dia mesmo falar com os pais dela alem do mais eles estavam quase de partida para Lisboa e nao tinham ninguem para lhes fazer companhia em casa e servir em casa e estavam demais apegados a jovem para se separarem agora. Aparentemente nao iria haver nenhum problema, os pais de Filomena certamente nao se iriam preocupar que uma filha quase maior de idade fosse para Lisboa fazer pela vida como tantas e tantos outros faziam para ir trabalhar dignamente como todos os outros.

As manhas ali na serra eram quase sempre de forte nevoeiro e a estrada era tudo menos segura e a unica sorte era o facto de nao ser muito movimentada mas mesmo assim ja provocara alguns acidentes ligeiros sem qualquer gravidade mas todos no seu intimo temiam que qualquer dia acontecesse o pior.

Os pais de Filomena tambem haviam saido cedo de casa, queriam ir lavrar e tratar de um pequeno terreno que tinham que embora pequeno era o principal sustento da casa e familia e uma grande ajuda para todos ja que era dali que vinha tambem quase todos os produtos que vendiam na praca da vila enquanto os filhos mais novos iam pastar o gado que nao passava de meia duzia de ovelhas e duas vacas.

Camilo nao gostava mesmo daquela estrada eram curvas e mais curvas muito estreitas e apertadas por sorte a viagem nao era longa mas mesmo assim podia causar algum dissabor se nao houvesse cuidado ate porque muito dificilmente dois meios de transporte de conseguiam ali cruzar por culpa da estrada ser tao estreita.

O Escritor ia com aqueles pensamentos e nao se apercebeu de mais uma maldita curva estreita a sua frente tendo calculado mal a trajectoria o despiste foi inivitavel e tudo piorou quando o mesmo carro ja descontrolado para desespero de Camilo e Henriqueta acabou por ir embater de frente num tractor, era o tractor dos pais de Filomena.

No cafe da aldeia e na vila nao se falava de outra coisa os passageiros do carro Camilo, Henriqueta e Filomena estavam no hospital em estado grave mas quase que fora de perigo. Quanto aos passageiros do tractor nao tinham tido a mesma sorte, o tractor capotara e os pais de Filomena haviam morrido logo ali no local do acidente. A tragedia havia deixado a todos com uma enorme tristeza. O casal Ventura era novo por ali mas conquistara a todos pela sua simplicidade e simpatia em geral e todos esperavam que eles sobrevivessem tal como Filomena. Os pais da jovem eram filhos da terra e toda a gente os chorava. O que iria ser daquela familia agora era o que todos perguntavam e da forma como podiam todos procuravam ajudar.

O funeral foi triste como tantos outros Filomena ja conseguiu estar presente mas sentia que depois do funeral acontecesse o que acontecesse com Camilo e Henriqueta ela ja nada fazia ali e seguiria para Lisboa iria procurar uma vida melhor. Tinha algum dinheiro junto alem de alguns contactos e nao podia deixar fugir aquela oportunidade e mesmo que ficasse ali iria estar sozinha porque todos os irmaos tinham intencao de partir para fora dali. A casa estava a venda, o gado ja tinha sido vendido e basicamente era essa a unica coisa a qual se podia chamar de heranca. O funeral chegara ao fim e Filomena optara por ficar mais um pouco.

Camilo recuperava bem mas Henriqueta estava cada vez mais fragil o acidente deixara-a delibitada e os medicos nada davam pela mesma. Ja nao havia esperancas e cada dia que a mesma vivia era um dia de sofrimento. Antes de dar o ultimo suspiro Henriqueta chamou Filomena e Camilo e pediu para falar com os dois mas um de cada vez e a sos.

Henriqueta falou primeiro com Filomena e pediu-lhe ve-la jurar que ficaria junto de Camilo e que tomaria conta do mesmo caso ela Henriqueta falecesse. Que ficasse junto dele, a servir-lhe fielmente ate o ultimo dos dias do mesmo. A Escritora sabia que se ela morresse e Camilo sobrevivesse era a mesma coisa de terem morrido os dois, o que seria dele sem ela. Mais de trinta anos de casamento, muito amor e cumplicidade dava para ajudar a conhecer bem o marido e saber que sem ela o mesmo nem ia conseguir por uma maquina de roupa a lavar era normal as mulheres pensarem isso quando dedicavam muito tempo aos maridos. Filomena jurou-lhe que estaria sempre ao lado de Camilo, que ficaria sempre com ele e nem poderia ser de outra forma nao os tinha como patroes mas como pais e foi ai que a mesma ficou a saber que ela era a herdeira que aquele casal havia escolhido e a quem haviam feito um testamento, de seguida Henriqueta pediu a Filomena que pedisse a Camilo para entrar.

A conversa entre o casal foi rapida e foi a ultima tambem. Henriqueta queria que Camilo entregasse a Filomena todos os escritos que a mesma tinha deixado por publicar e que fossem publicados no nome da jovem. Inicialmente Camilo nao aprovara a ideia, isso seria plagio embora de forma consentida mas era plagio e embora consentido talvez nem fosse legal. Camilo mesmo contrafeito aceitou o pedido da esposa era a sua ultima vontade, havia que ser respeitada e so nao o seria se Filomena nao o aceitasse. Depois disso sentou-se na beira da cama e o casal juntou as maos, Henriqueta sorriu e simplesmente na maior tranquilidade possivel de imaginar, faleceu.

Alguns anos se passaram Filomena vivia em casa de Camilo e cumpria com o juramento que fizera a Henriqueta no dia da sua morte. Aceitara o pedido que Henriqueta fizera a Camilo e os mesmos escritos que a falecida havia deixado por escrever foram publicados em nome de Filomena com algum sucesso mas nao o suficiente para fazer da mesma uma Escritora notavel e os restantes livros que escrevera nunca conseguiram grandes elogios por parte da critica e nem grande compra por parte do publico. Filomena tinha quase 25 anos como Escritora e ja passava dos 40 anos de vida com pouco ou quase nenhum sucesso. A critica sobretudo referia que ela ate tinha comecado bem mas que depois se perdera em qualidade e valor e estava a ser cada vez mais dificil encontrar editora que aceitasse publicar uma obra sua, isso claro, sem contar com aquelas novas editoras em que o Autor em vez de crescer com o tempo parecia que tinha perdido o valor.

O que se passava era que os cinco primeiros livros que Filomena havia publicado haviam sido escritos por Henriqueta sem que ela os publicasse em vida e tivesse querido que os mesmos fossem publicados como sendo de Filomena. Ora Henriqueta era muito mais experiente, tinha estudos, formacao, mais talento que Filomena e isso marcara muito a diferenca entre as obras iniciais e as restantes que a mesma conseguira escrever e tudo sem contar com aquelas que nao conseguira publicar.

Filomena sentia-se triste consigo mesma quem era ela afinal? Uma Escritora que ate comecara bem gracas a um segredo que estava guardado apenas por ela e por Camilo, nunca ninguem sonhara com a verdadeira historia. Filomena sentia-se a beira de um esgotamento nervoso, nao conseguia viver mais com aquele segredo, nao queria mais ser portadora daquele momento de gloria que pertencia na relidade a Henriqueta. Nao suportava mais tudo aquilo e ja tentara inclusive o suicidio so se sentia mais calma e tranquila quando estava em contacto com a natureza. Adorava pegar no carro e ir ate Cascais ficando depois muitas vezes simplesmente e somente a observar o mar e a paisagem que a baia lhe oferecia.

O novo livro iria ser editado quase de favor e porque o dono da editora lhe andava a fazer olhinhos a muito tempo e ela temia um novo fracasso por mais publicidade que lhe fosse feita nunca editara um Best-Seller enquanto olhava tao perto de si Camilo e antes tambem Henriqueta nunca os invejara mas desejava ser igual a eles ter o mesmo sucesso que eles a quem tudo o que era na vida devia.

Camilo ia tambem publicar mais um livro com algumas semanas de diferenca de Filomena mas a editora era a mesma e enquanto o editor tinha uma certa antipatia por Camilo era louco por Filomena a antipatia do Editor pelo Escritor era por ser louco pela mesma e suspeitar que Camilo e Filomena escondiam uma relacao amorosa, cego por ciumes so aceitava publicar os livros de Camilo porque sabia que eram um sucesso e porque isso de uma forma ou de outra servia para estar junto da apaixonada que nunca lhe ligara a minima importancia que nao fosse profissional.

Camilo sentia-se cada vez mais doente e a idade realmente nao perdoava e ele estava cada vez mais ciente disso, ninguem ficava mais novo com o passar do tempo mas gostaria de conseguir fazer coisas que fazia com vinte anos e que agora com mais de setenta estava longe de conseguir sequer tentar. Fora e tivera uma vida feliz mas fazia anos que ja nao o era, nada fazia importancia sem a sua amada Henriqueta que fora tudo para si. A mulher era a sua razao de viver, de respirar, de lutar e tudo mais que se pudesse imaginar.

Tudo fora adiado a ultima da hora porque Camilo acabou por nao resistir a uma Bronquite e morrera como a tanto desejara partindo assim para junto da sua amada falecida esposa. O funeral era para ser uma coisa simples e reservada apenas aos amigos mais proximos ja que nao havia familiares mas acabou por atrair varias personalidades da cultura portuguesa, da literatura em particular e alguns elementos mais altos da politica portuguesa. Apesar de solitario e de nos ultimos anos Camilo ter sido um homem demasiado isolado de tudo o que estava a sua volta.

Dias depois do funeral o Editor ligou a Filomena a marcar uma reuniao e o motivo so podia ser serio e importante e a mesma esperava que nao fosse a cancelar a publicacao do seu livro.

Reinaldo Mateus era um homem frontal, sem rodeios e directo como Filomena ja sabia desde a muito mas naquele momento parecia estar nervoso, indeciso e nao parecia o mesmo tentando sempre ser gentil com ela, simpatico e charmoso.

No entender de Reinaldo que afirmava ja ter alguns anos daquele negocio e conhecedor de casos mediaticos, de sucesso e insucesso e tinha a certeza que com a morte de Camilo o seu livro nao ia ter o mesmo sucesso, recusava a ideia de o publicar assim e tinha uma ideia uma simples que facilmente podia ter pernas para andar se ele e Filomena chegassem a um acordo mas em caso contrario pelo menos que a conversa, que aquela conversa pudesse ficar por ali, em segredo, entre os dois.

A ideia de Reinaldo e a proposta que o mesmo fazia naquele momento a Filomena era que o livro de Camilo fosse publicado como sendo de Filomena e que a obra da mesma fosse publicado em nome de Camilo. Seria a melhor solucao o livro teria certamente mais vendas e a carreira de Filomena teria um renascer de sucesso, sucesso esse que nunca teve verdadeiramente. Quanto a Camilo, Camilo nao seria prejudicado em nada porque ja nao estava vivo, nao podia defender os seus direitos e nem podia acusar ninguem de plagio ou de lhe terem roubado a autoria do livro.

Filomena estava indecisa era de facto a melhor solucao para fazer renascer a sua carreira, dar-lhe um novo alento e brilho de sucesso. Por outro lado a consciencia pesada ficaria ainda com um peso maior, ja bastava o facto de se sentir tao mal com o que acontecera com os livros de Henriqueta publicados no seu nome e sentia-se tao mal com isso nos ultimos tempos mas era um segredo seu, agora unicamente seu e seria assim ate ao ultimo dia da sua vida.

Nao tendo grandes saidas Filomena aceitou e o livro foi publicado a partir desse momento a sua vida dera uma volta de 180 graus. Entrevistas e mais entrevistas e tudo mais podia ate ganhar um premio literario so havia um pequeno problema. A critica.

A critica elogiava o livro mas os melhores criticos garantiam que aquele livro nao podia ser, dificilmente era de Filomena Martins. A mesma nunca escrevera de uma forma tao pura e singela. Filomena nao utilizava aquele tipo de discricao na narrativa tao claro, directo e depois as personagens nao se envolviam tanto.

As acusacoes foram diversas mas as provas nao eram nenhumas e com o tempo o caso acabou por morrer para todos menos para Filomena.

Era um dia como outro qualquer mas a Escritora ja nao aguentava tantos sentimentos de culpa. Escreveu uma carta e colocou a folha da mesma com mais um envelope num envelope ainda maio e pediu que a Empregada a guardasse e entregasse ao seu Advogado quando achasse que era o momento certo. Saiu de carro ate Cascais como tanto gostava de fazer e so parou junto ao mar.

Foi caminhando descalca e penetrando na agua ate nao ter mais pe procurando por todos os meios afogar-se e veio a consegui-lo era o fim de toda aquela historia a envolver coisas de que alguns desconfiavam e outros que foram novidade para todos.

No envelope que Filomena entregara a sua Empregada com ordens de entregar ao seu Advogado Filomena revelava toda a verdade e lamentava tudo o que tinha concordado em fazer os plagios dos livros publicados em seu nome embora a ideia inicial nao tenha sido sua, falava do enorme sentimento de culpa que a obrigava a terminar com a vida. Filomena revelava que sentia que a ambicao destruia as pessoas e apesar de tudo ela fora ambiciosa demais mas o mal ja estava feito ela naquele momento apenas fizera o que sentia ser melhor. A sua vida nao fazia sentido, estava cansada e com aquele suicidio dava por finalizado aquela serie de plagios mais do que perfeitos onde pedia apenas como ultimo desejo que as proximas edicoes dos mesmos livros fossem publicadas com o nome dos autores verdadeiros Henriqueta Ventura e Camilo Ventura.

                                                                                                       Manuel Goncalves









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