terça-feira, 12 de setembro de 2017

Vicios e Dependencias Vencidas


 
Ela era jovem mas as responsabilidades eram muitas e Sandra Regina nao as ignorava nem as esquecia, o seu trabalho era aquele ajudar as pessoas a voltarem a ser livres e livrar-se dos vicios em que se tinham tornado dependentes um dia.

Tambem ela tivera os seus problemas porem nao chegara a bater bem la no fundo como as pessoas dos casos com que lidava dia-a-dia no entanto essa sua curta experiencia pelo mundo das drogas dera-lhe a certeza daquilo que queria ser na vida, queria ser Psiquiatra e especializar-se em ajudar pessoas toxicodependentes e alcoolicos a deixar aquele tipo de vida, aqueles vicios que so levavam a um abismo quase sem saida e que em muitos casos, maioria infelizmente, a unica saida era a morte causada por doencas como hepatites, sida e tambem overdoses. Ela era jovem, acabada de formar mas comecava a dar nas vistas e a dar que falar no Centro de Recuperacao onde trabalhava devido a uma taxa de sucesso bem acima da media nos casos que lhe eram entregues.

Sandra era jovem que descendia de uma raizes muito humildes, os pais tinham feito muitos esforcos para ela estudar ate se formar mas nunca lhe tinham deixado faltar nada. Por sorte no meio de alguma tristeza a avo morrera e coubera aos pais e a filha uma casa e um pedaco de terreno que venderam e deram todo o dinheiro a Sandra para que ela pudesse terminar os estudos, fora uma grande ajuda mas mesmo assim nao fora o suficiente ja que era muitas despesas com o custo dos estudos, as propinas, o alojamento de Sandra em Lisboa longe daquela aldeia do interior remoto e esquecido.

Os anos passaram ela formara-se mas nao deixava de esquecer as suas raizes pobres e humildes jamais esquecera isso e assim que se formara e comecara a ganhar dinheiro procurara ajudar os pais em tudo o que podia. Sandra Regina pagara as obras em casa dos pais para os mesmos terem melhores condicoes de vida e sobrevivencia em casa, comprara para si um apartamento em Lisboa o qual tencionava pagar o emprestimo o mais rapido possivel e todos os que estavam a sua volta apenas estranhavam ver uma jovem bonita e inteligente como ela sempre sozinha ou pelo menos nao dava amostras de andar e namorar alguem, fosse quem fosse, no entanto parecia ser estranhamente bastante feliz assim como se encontrava.

Os novos amigos em Lisboa nao eram muitos e pouco ou quase nada sabiam do seu passado alem das suas origens humildes que a mesma fazia questao de nunca esconder. Nunca falara de casos amorosos com ninguem, nem mesmo com a sua amiga mais proxima a Enfermeira que acompanhava os casos que lhe eram entregues.

A chegada ao local de trabalho mais cedo do que a hora habitual e devida era um habito de rotina que fazia ainda mais os seus superiores gostarem do seu trabalho e de si propria, sempre atenciosa as reunioes do corpo clinico da sua equipa que eram realizadas semanalmente e era rara a vez que nao apresentava propostas que eram de logo bem vistas e prontamente aceites e era-lhe esperada embora fosse uma das docentes do corpo medico mais jovens ali uma promocao para se tornar Directora de uma das equipas medicas daquele centro.

Nao era dia de reuniao mas nao estranhara o facto do Director General do centro pedir para se reunir com ela e mesmo assim decidira primeiro dar um retoque na sua pessoa, voltou a ver a maquilhagem no espelho, pentear-se e colocou um pouco mais do seu perfume habitual sem exageros seria apenas uma reuniao a sos como outras que ja haviam tido e onde nao se falara de nada mais que nao fosse trabalho.

Ao entrar no Gabinete do Director General mais uma vez notara que embora sempre a tivesse respeitado, nunca tivesse mostrado segundas intencoes e sempre a tivesse tratado de uma forma profissional mais uma vez nao deixara de notar que o mesmo a olhara de alto a baixo parecendo-a querer comer com os olhos. Era um homem casado, com pouco mais de 50 anos e que parecia ser bem sucedido sobretudo profissionalmente. Era o Director Clinico daquele centro e nao havia uma decisao que nao fosse tomada sem o seu parecer a nao ser que o mesmo Medico ja tivesse carta branca para agir como bem lhe parecesse ser melhor. Alem de ser Director daquele centro escrevera ja alguns livros com assuntos relacionados com Psiquiatria e tal como Sandra tinha muito interesse em investigar e debater o tema Esquizofrenia.

Sandra Regina notou desde o inicio de que o assunto era serio, serio ou teria a ver com tudo menos com trabalho, seria agora que iriam comecar os avancos, os assedios? Por estranho que parecesse tambem nao lhe parecia o caso porque Alberto, o Director, estava demasiadamente serio e parecia nervoso.

O que se passava e que tinham para receber um paciente muito especial, filho de gente importante, a mae era Embaixadora dos Estados Unidos em Portugal e o pai era um militar de alta patente da Forca Aerea Americana. A questao nao era so te-lo ali mas mante-lo ali em segredo e sigilo seria bastante desagradavel para a familia saber-se publicamente que tinham um membro da familia da Embaixadora dos Estados Unidos em Portugal e de um General da Forca Aerea Americana internado num centro para toxicodependentes, seria uma vergonha, desse por onde desse o caso teria de tratado no maximo sigilo.

Sandra Regina pronunciou-se pela primeira vez apos um longo silencio. Regina aceitava que o caso fosse mantido em sigilo, maximo silencio mas nao estava disposta a dar privilegios especiais e destaque ao mesmo caso so porque o paciente era filho de uma embaixadora e de um General, podia ser filho do Papa e da Rainha de Inglaterra nao iria ser mais do que os outros, nao estava certo.

Foi a vez do Director explicar-lhe com mais clareza de que ela nao ia ter praticamente mais caso nenhum iria ocupar-se so com aquele caso, podia parecer-lhe uma ma ideia mas nao era. Ela embora fosse uma das psiquiatras mais novas daquele centro era tambem aquela que apresentava uma percentagem maior de casos curados com sucesso. Aquele centro fora escolhido para levar para ali aquele paciente justamente por ser aquele que tinha uma maior taxa de casos com sucesso e por ser num local discreto. O sucesso daquele centro na cura de muitos pacientes a ela se devia e o Director nao tinha duvidas em afirmar que tinha a certeza de que um dia aquele lugar de dirigir as equipas medicas daquele centro seria seu. Para ja fora-lhe dito apenas de que se ela tivesse sucesso naquele caso seria promovida a Directora de uma equipa de medicos.

Sandra pediu um tempo, um tempo para pensar. Tinha alguns casos pendentes e nao queria abandona-los... O Director entao por fim explicou-lhe que nao lhe estava a fazer uma oferta ou pedido, nao estava a perguntar se ela aceitava ou deixava de aceitar, Alberto explicou-lhe que lhe estava a dar uma ordem e enquanto ele fosse ali Director e ela apenas uma Medica ela para trabalhar ali tinha de cumprir as suas ordens, quanto aos casos pendentes Sandra podia ter a certeza de que os mesmos seriam muito bem acompanhados por outros tecnicos, claro. Ficou-lhe agora bem explicado de que por muito boa Psiquiatra que fosse tinha que cumprir as ordens dos seus superiores.

Era fim-de-semana e estava em casa nao deixava de pensar nos ultimos dias naquela conversa que tivera com o Director. Era a primeira vez que alguem a ameacara ainda que indirectamente com o despedimento. Depois de tanto trabalho e dedicacao, entrega total, depois de sempre ser vista e tudo ter feito para ser uma boa profissional agora recebia uma ameaca de despedimento unicamente como nao achara correctamente etico deixar todos os casos que estava a acompanhar e que tinha em desenvolvimento para agora tratar de apenas um.

Conseguira uns dias de ferias ou melhor quase toda a gente o havia conseguido com aquele feriado junto a sexta-feira e aproveitara para pegar no carro e ir por ai a fora ate a terra e ir fazer uma visita aos pais. Queria meter a cabeca e as ideias em dia e estava quase decidida a aceitar o caso mas caso mudasse de opniao a pedir a demissao e a mudar de emprego por muito bem colocada que estivesse.

Sandra conversara acerca disso com os pais e o pai foi bem claro nao criara uma filha para andar a engolir sapos, a ser humilhada e ate ofendida, uma filha dele tinha  a honra a defender e nao devia deixar fosse quem fosse fazer de si o que bem queria e entendia. Podia ate ser o Papa mas tinha-a que respeitar nao so a si como as suas ideias.

Pegara no carro e fora dar uma saida avisando os pais de que nao demorava. Era um ritual de rotina sempre que ali estava e nunca deixara falhar isso. Sandra fora ao cemiterio onde deixara flores na campa dos avos que em muito tinham ajudado para ela ser tudo o que era no presente, depois fora ate a campa do Vasquinho colocar tambem flores e meditar um pouco na vida.

Vasquinho ou melhor Vasco era um amigo seu de infancia por quem ela se apaixonara quando crescera sem ser correspondida, para Vasquinho ela era como uma irma, nada mais do que isso.

Eram amigos de infancia, vizinhos de rua, colegas de escola primaria, andaram juntos tambem no ensino preparatorio mas em turmas diferentes e seguiram igualmente juntos para o ensino secundario. A escola primaria fora feita ali mesmo na aldeia mas a escola preparatoria essa ja foi feita na vila mais proxima para a qual iam de autocarro ou de bicicleta porem com a chegada ao ensino secundario tudo se alterara. O ensino secundario era feito na cidade nao muito longe dali mas que so podiam se transportar de autocarro era distante para se poder fazer de bicicleta como o anterior ensino preparatorio. O pai de Vasco comprara-lhe uma mota que ele adorava e dava boleia a Sandra todos os dias para irem para a escola.

Naquela Manha fatal Sandra estava indisposta e nao fora as aulas e Vasco seguiu sozinho na sua amada de duas rodas mas nao fora muito longe. Vasco com o velho habito de conduzir a moto sem capacete sempre que podia teve o azar de um bater acidentalmente contra o camiao do lixo e sofrera serios ferimentos na cabeca aos quais nao conseguira resistir dias depois.

Vasco fora aquilo que se podia chamar o grande e ate ao momento o unico amor de Sandra Regina, ninguem mais provocara em si os sentimentos da paixao, ninguem mais o conseguira. Sandra tornou-se reservada, fechada e nao ligava importancia aos pretendentes que tinha a sua volta, Vasco fora o seu principe encantado, o unico.

O regresso a Lisboa era o regresso ao trabalho e o encontro cara-a-cara com o Director General e dizer-lhe que aceitava o que lhe fora pedido iria dedicar-se unicamente ao caso do filho da Embaixadora e do General na condicao lhe ser dada carta branca no mesmo caso.

Longe ainda do olhar de Sandra embora nao muito longe fisicamente enquanto a jovem medica estava em Lisboa a preparar-se para ir para o local de trabalho ele estava em Cascais em casa dos pais a preparar a mala para partir para o centro de recuperacao para toxicodependentes e jurara a si mesmo que se nao se conseguisse curar nao seria o pai a mata-lo como jurara faze-lo na ultima discussao que haviam tido mas seria ele proprio a faze-lo.

Thomas Jeffrey Hanks assim se chamava ele e era ele o paciente que seguiria para o centro onde Sandra Regina trabalhava e que mesmo sem ela o conhecer ainda pessoalmente e ja lhe roubara tanto tempo em pensamentos, preocupacoes e que tanto lhe perturbara nos ultimos dias.

O jovem nem sempre fora assim como estava nos dias do presente. Thomas era um bom aluno e bem comportado mas o facto de ser filho de quem era mesmo sem sua intencao levara-o a ser previlegiado por alguns professores e por sua vez vitima de invejas e ataques de Bullying por parte dos colegas levaram-no a comecar a mudar a sua personalidade para bem pior do que aquilo que era. A ausencia dos pais sempre ocupados com suas carreiras profissionais e pensando que apenas o facto de nao medirem despesas para que tudo estivesse bem com eles era o suficiente foi tambem importante para que seguisse o caminho que seguira.

Perdeu-se um bom estudante de Direito com ideias de seguir advogacia e talvez ate continuar a seguir as pegadas da mae e vir a tornar-se um Diplomata como a mesma um pouco contrariando as vontades do pai que tinha o desejo e sonho de ver o filho tornar-se um Militar como, um heroi de guerra coberto de medalhas e fazendo-o ter ainda mais orgulho naquele filho.

Comecara com as drogas leves e foi naturalmente subindo de patamares sem se conseguir dominar, sem conseguir parar, depois viera ainda o alcool e muitas outras coisas, experimentara de quase tudo e nao sabia como sobrevivera ate ao presente momento. Para os pais fora um choque, algo que queriam esconder da sociedade e amigos a todo o custo. Os roubos em casa, o abandono dos estudos, a morte de alguns amigos e mais uma quantidade de sobressalto levaram a uma completa queda no abismo Thomas estava no fundo do abismo.

Os pais suportaram tudo ate entao pelo facto de se amarem muito e daquele ser o unico fruto do seu amor, por no fundo reconhecerem que em parte haviam tido uma quanta parte de culpa em tudo aquilo, deixaram crescer Thomas sem atencao, afecto apenas com um livro de cheques, com todos os jogos de computador que ele lhes pedia nos raros momentos em que estavam juntos, mas tudo tinha um limite. Haviam sido tentativas atras de tentativas de o livrar do vicio das dependencias da droga e do alcool, haviam sido internamentos em clinicas e centros no estrangeiro sem qualquer sucesso.

A situacao chegara aos extremos finais e o pai comecava a ficar cansado de nem garrafas de bebida se poder ter em casa, a mae estava desesperada e ele sentia-se a dar as ultimas como se costumava dizer ali em Portugal onde se encontravam.

Uma conversa final com os pais e chegaram a um acordo ia-se tentar mais uma vez uma recuperacao desta vez ali mesmo em Portugal, era tambem a primeira vez que ele tomara esse passo e decisao e dera uma esperancao aos pais de que sendo por opccao propria tudo seria mais facil no entanto o pai fora bem claro, estava a ficar cansado daquela situacao que se alargava ja aos anos ou ele vinha do centro curado ou era ele o seu proprio pai que o ia tratar matando-o.

A chegada ao Centro fora normal como em todos os casos despediu-se dos pais com um beijo na mae e um abraco no pai trocando algumas palavras de afecto e acabou por dizer ao pai que ele nao iria cumprir a jura que lhe fizera mesmo que ele nao se curasse, seria ele proprio a acabar consigo caso nao conseguisse.

O primeiro passo seria a desintoxicacao e depois seria a parte onde Sandra teria a parte mais importante a reabilitacao psicologica e por fim mas nao menos importante a reinsercao social onde Sandra tambem teria alguma utilidade e que no caso de Thomas seria mais facil devido ao seu estatuto e as condicoes dos pais derivado ao preconceito que a sociedade apresentava perante um ex-toxicodependente.

Uma certa antipatia por parte de Sandra inicialmente por Thomas cedo se finalizou ao ver que ele afinal era diferente daquilo que era esperado, era humilde e uma pessoa relativamente simples para o estatuto que tinha podia estar perdido mas ainda era um Jeffrey Hanks e esse conjunto de sobrenomes ainda tinham alguma importancia para muitos.

O interesse por Thomas comecou a ir muito alem do que a sua etica profissional exigia. Sandra sabia que a etica profissional nao via com bons olhos o envolvimento sentimental de uma Psiquiatra com um Paciente mas caso ele ficasse curado, daqui a uns tempos ja nao era seu paciente, era uma pessoa normal, no futuro nada iria impedir que eles se pudessem envolver sentimentalmente quando ele fosse um antigo paciente seu, ele nao era uma pessoa qualquer e ela nao iria sentir-se atraida por outro paciente na sua carreira em tempos futuros.

Thomas comecara igualmente a sentir-se atraido pela sua Psiquiatra a Doutora Sandra ou a Dona Sandra cedo passou a ser simplesmente a Sandra e alguem de quem ele nunca se sentira tao proximo como se sentia da mesma.

Thomas nunca tivera muitos amigos, as pessoas mais proximas de si ate entao tinham sido os pais e os empregados da casa com quem ainda chegara a ter alguma intimidade mas de resto nao tinha passado dali. Thomas nunca tivera uma namorada e dera por si a pensar de que nunca se sentira realmente apaixonado, havia porem uma primeira vez para tudo.

A recuperacao estava a correr dentro do normal e Thomas estava naquele chamado periodo de ressaca que era o mais importante e igualmente o mais duro, sentia-se sem forcas, o corpo dorido a pedir-lhe droga ou uma gota de alcool que fosse.

Onde estava ele com a cabeca iria la uma pessoa como Sandra olhar para ele, mesmo recuperado seria sempre um ex-toxicodependente, alcoolico que a qualquer momento podia vir a ter sempre uma recaida e tudo seria ainda pior. Eram quase da mesma idade mas de mundos diferentes embora como pessoas fossem muito semelhantes.

O tempo passara Thomas continuava em recuperacao mas para alegria de todos sobretudo dos pais Thomas vencera o periodo de ressaca, aquele periodo infernal e estava desintoxicado, atravessava agora o tempo de reabilitacao psicologica e a relacao com Sandra era agora quase que de pura cumplicidade embora quando era preciso ela nao deixava fugir a parte profissional. Thomas sentia agora que tinha para ali para se curar dos vicios e dependencias que a vida e o destino lhe haviam trazido e agora estava a ficar dependente cada vez mais de Sandra, sorriu, antes assim.

Naquele dia fora ate ao seu cabinete mais cedo do que o habitual e antes de entrar apercebeu-se de que ela nao estava sozinha e que o tema da conversa era ele, pelo menos era o unico Thomas que ali existia e era do mesmo que Sandra falava com uma Enfermeira. E que bem que ela falava.

Sandra confessava a Enfermeira o que sentia por ele e nunca sentira por nenhum homem. Estava louca por ele, amava-o loucamente e iria lutar por ele contra tudo e contra a todos so se ele nao se curasse e que nao iria lutar por isso.

Thomas saiu dali sem se aperceberem da sua presenca e estava prestes a explodir de felicidade, agora mais do que nunca tinha razoes para recuperar totalmente, terminar o seu curso, refazer toda a sua vida e tornar-se um exemplo de pessoa para os pais, ser um razao de orgulho para os mesmos, queria ser, tornar-se um homem, um homem de h grande, queria ter filhos, ser o pai dos filhos de Sandra.

Era o ultimo dia que ele passara no centro despediu-se de todos e estranhou Sandra nao estar presente mas sentiu que a razao seria que ela nao iria aguentar ve-lo partir com a ideia de que nunca mais o iria ver ou que dai em diante tudo isso seria mais dificil. Estava enganada ele iria preparar-lhe uma surpresa, a maior surpresa da sua vida que ela jamais podia alguma vez imaginar.

Os pais receberam-no de bracos abertos a primeira coisa que ele fez ao chegar a casa foi abracar os pais, pedir-lhe desculpa pelas humilhacoes, tormentos que os fizera passar, pela dor que os fizera sentir e embora soubesse que isso nao era importante, nem eles precisavam iria voltar a estudar, terminar o seu curso e trabalhar, trabalhar para muita coisa mas primeiro que tudo para lhes pagar o dinheiro, a fortuna que tinham gasto com ele nao apenas naquele internamento mas em todos os outros.

Para os pais isso estava fora de questao confessaram finalmente com todo o orgulho posto de parte que ambos se sentiam culpados pelo que acontecera, amavam-no mas o tinham conseguido demostrar da melhor forma. Os pais pensavam que apenas era preciso dar-lhe tudo o que ele pedia, telemoveis, carros, uma mesada grande e esqueceram-se de que era necessario dar-lhe amor, afecto, perderem algum tempo com ele, passearem com ele, levarem-no ao cinema e a tantos outros lugares quando ele era crianca, sentiam que nao tinham visto crescer mas ele crescera e sentira-se abandonado na selva que era o mundo dos adultos e o resultado fora o que se vira a presenca no Paraiso a descida ao Inferno e agora o regresso tao desejado ao Paraiso. Sorriram todos quando Thomas dizera que tinha voltado ao Paraiso com bilhete so de ida portanto nao havia hipotese alguma de voltar ao Inferno.

Fora um homem novo que fora ao encontro de Sandra, um homem que voltara a estudar e agora era o melhor aluno da sua turma na faculdade onde estava a estudar. Batera a porta e nao demorou muito para ela abrir, mostrou-se contente por o ver mas sempre julgara que as flores que ele trouxera eram uma forma de agradecimento por tudo o que ela fizera por ele.

Thomas finalmente ganhou coragem para contar a Sandra o que lhe dera mais forca para vencer todo o Inferno que passara, contou-lhe que acidentalmente sem qualquer intencao ouvira a conversa que ela tivera com a Enfermeira e onde falava o quanto o amava e desejava:

- Devias-me ter contado isso, Sandra, o que sentias.
- Achei melhor nao, tu eras meu paciente...
- Mas agora ja nao sou - Interrompeu-a com aquele agora ja nao sou e com um abraco ao que se seguiu um beijo.
- Amo-te Thomas, sinto-me a mulher mais feliz do mundo por estares aqui.

A cena terminou como nao podia deixar de ser com os dois a fazerem amor na cama de Sandra e a ficarem abracados em silencio a trocar caricias de amor:

- Porque nao me contaste que eras virgem? - Perguntou-lhe Thomas admirado.
- Achas que tive tempo, sinto-me envergonhada por me ter entregue a ti desta forma tao facil. Se o fiz foi apenas por amor, entendes. - Beijou-o - Thomas tu estas mesmo livre, sentes que estas livre de qualquer vicio?
- Nao - Sorriu ele - com tudo isto arranjei um novo vicio e quero apanhar uma overdose dele, Sandra o meu vicio agora es tu.

Sorriram ambas e selaram aquela cena fazendo amor novamente e com juras de amor eterno nao se preocupavam com o futuro sentiam que so o presente importava e o futuro esse certamente seria melhor que o passado.

                                                                                                             Manuel Goncalves










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