segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

No Corredor da Morte



Era mais um que ali estava esperando a sua vez para morrer, como se alguem lhe perguntasse alguma vez se ele queria morrer. Tambem ja ali estava a alguns anos mas isso era normal, era habitual estar a espera naquele chamado corredor da morte quinze anos.

Nao tinha vontade de estar tanto tempo a espera para isso teria escolhido a pena de prisao perpetua quando lhe deram a escolha entre a pena de morte e a prisao perpetua mas sabia que isso do tempo que tinha de esperar nao dependia so de si e tinha conhecimento de Brandon Astor Jones executado com 72 anos e que tivera 37 anos a espera nos corredores da morte. Perguntava a si mesmo se 37 anos muitas vezes nao era uma vida, uma eternidade nao seria certamente mas poderia ser uma pena de prisao perpetua. Jones poderia ate ter morrido subitamente enquanto esperava pela sua vez de ser executado.

Ia-se perguntando a si proprio no silencio da cela gelada e de paredes escurecidas como poderia haver paises, governos e estados que ja nao aceitavam a pena de morte, proibiam a eutanasia e nem queriam ouvir falar na legalizacao da mesma mas ao mesmo tempo aceitavam sem qualquer ilegalidade a pratica do aborto, bem isso segundo o estado ja era uma decisao pessoal mas para ele Roberto era tudo uma forma de matar alguem a do aborto inclusive a mais covarde porque era morto alguem que nao tinha como se defender de forma nenhuma.

Roberto estava ali quase a dez anos e nunca protestara sobre a ma qualidade da comida, aquilo era uma cadeia nao era um hotel de cinco estrelas. Como ele na Prisao do Estado de San Quentin na California estavam mais de 700 condenados esperando a sua execucao mas ele era um dos mais conhecidos e pelas melhores razoes.

O portugues nunca causara problemas e era um sujeito pacato, sossegado fora condenado e estava ali a espera, a espera de morrer, ali so estava igualmente a ser condenado mas condenado a viver. O Director da cadeia ja lhe tinha dito vezes sem conta que se as autoridades portuguesas se tivessem empenhado mais, se tivessem insistido com um novo apelo ele sem duvida com o seu comportamento tinha conseguido ser deportado.

Em Portugal o seu caso fora muito noticiado mas as autoridades acabaram por esquece-lo para nao causar problemas diplomaticos e porque para ele ser deportado para Portugal o governo americano falou logo na deportacao de George Lucas um criminoso americano que estava em Portugal e que curiosamente como em Portugal nao cometera nenhum crime estava em liberdade, em plena liberdade casado com uma portuguesa e com familia portuguesa ele ali nos Estados Unidos nao tinha praticamente ninguem e mesmo que tivesse isso nao mudaria a sua sentenca e muito menos a lei.

Era um miudo novo e chegara aos Estados Unidos para trabalhar como chegavam tantos outros com meia duzia de dolares na carteira e com sorte com uma carta de recomendacao ou com mais sorte ainda ja com um emprego garantido. O que em nenhum dos casos era o caso dele.

Roberto partira para os Estados Unidos como que numa aventura de loucos e a unica coisa que tinha a seu favor era o facto de ter conseguido um visto no passaporte para ir e entrar nos Estados Unidos mas porem nem tinha nenhuma oferta de trabalho em vista e tambem nao conhecia ninguem. Partira para os Estados Unidos porque via nos filmes o que era aquilo, ouvia as pessoas comentarem que nao era um Paraiso mas que se ganhava dinheiro quando se queria e tinha vontade de trabalhar. E ele tinha tudo isso em demasia e acabou por chegar a conclusao de que era preferivel tentar fugir a miseria em que vivia do que se deixar estar na mesma para sempre.

O comeco nao foi facil sem conhecer ninguem dormiu nas ruas das cidades mais perigosas dos Estados unidos. Vagueou por cidade em cidade procurando um lugar onde criar raizes ou ate chegar a capital do mundo. Os Estados Unidos eram agora no Seculo XX o que Roma fora nos imperios antigos e portanto queria chegar a Washington D.C e para continuar a sua viagem limitava-se a tocar guitarra como tantos outros enquanto paravam para ouvi-lo tocar havia sempre quem lhe desse uns centimos e por vezes ate mesmo uns dolares. A guitarra fora das poucas coisas que trouxera de Portugal para o acompanhar naquela jornada, era dificil sobreviver assim mas era melhor do que a miseria em que vivia em Portugal e sabia que tinha de arranjar um emprego fixo e seguro senao corria o serio risco de ser deportado.

Com uma vida tao insegura e instavel era sempre de esperar que travasse conhecimento com as pessoas erradas que aparentemente pareciam ser as pessoas certas. Conheceu ja em Washington um certo advogado muito famosa que tinha a fama de ganhar qualquer causa onde estivesse envolvido sobretudo as mais dificeis.

Charles Trevor era um ricaco da California que fizera a sua fortuna com optimos investimentos que havia feito e com o dinheiro, verdadeiras fortunas que ganhara em causas quase impossiveis de ganhar e que por isso tinham sido muito bem renumeradas. Trevor era no entanto Homosexual e ficara obcecado, apaixonado por Roberto e levou-o para Los Angeles com a promessa de lhe arranjar um bom emprego e de o ajudar a subir na vida. Roberto esqueceu-se foi de perguntar qual seria a moeda de troca para o pagamento da mesma ajuda.

So passado pouco tempo de estar em casa de Charles em Los Angeles e que Roberto veio a saber que Charles era gay e ao principio procurou resistir ao assedio do mesmo e sabia que o velho nojento se aproveitara da situacao dele, da inexperiencia do mesmo e do seu desejo obcessivo de vencer e agora era a vez dele tirar proveito da situacao.

Roberto nao se via como gay e continuava a gostar de mulheres mesmo quando dormia com Charles e tinha relacao com o mesmo e eram nessas alturas em que dava momentos de felicidade ao velho americano que ele lhe dava tudo o que ele podia querer e ate o que nao precisava. Dinheiro, roupas de marca, perfumes, ouro, relogios e ate um carro e o que tinha que fazer Roberto, nada demais, nada por ali alem considerava o mesmo.

Charles nao quisera sair naquela noite e ja tinham um jantar combinado no entanto recusava-se a ir ou a que Roberto nao fosse Jantar com aqueles amigos que eram dos melhores clientes que Charles e se ambos faltassem ao Jantar seria uma indelicadeza. Todos sabiam que estarem a tratar de negocios ou qualquer outro assunto com Charles ou com Rodrigo que envolvesse qualquer um dos negocios e assuntos onde o americano estava metido era a mesma coisa tal nao era a confianca, o apreco, e amor que Charles tinha por Rodrigo. O amor pensava Rodrigo, o amor daquele velho que lhe dava tudo menos o que ele sentia mais falta nos ultimos tempos, o amor de uma mulher.

Rodrigo comecava a pensar seriamente em deixar Charles ja tinha uma boa quantia poupada e estava ja a considerar que aquele era um jogo de alto risco quando numa conversa dias antes Charles lhe dera uma advertencia de que se o apanhasse a olhar para uma mulher o matava, era demais, era altura de por um termo a tudo aquilo e ja deveria ter tido coragem de o fazer muito antes mas o medo da reaccao de Charles, o que o seu dinheiro podia comprar e o poder que o mesmo tinha nunca permitiram que tivesse essa coragem. Conhecia e sabia bem que Charles era bem capaz nao de cumprir a ameaca de o matar se ele o deixasse mas que lhe ia fazer a vida pior do que negra a ele e a quem se tivesse atravessado no caminho de ambos.

Estranhara o seu "protector" manda-lo ir ao Jantar sozinho confiando plenamente em si quando nos ultimos tempos lhe andava a controlar as chamadas e mensagens no telemovel ainda com mais frequencia do que o habitual. Charles dava-lhe tudo e tudo o que ele era na vida devia-o a ele. Rodrigo sabia bem que so se tornava assistente directo de Charles por ser seu "companheiro" mas era um homem ciumento e possessivo em demasia. Rodrigo era seu, era seu, so seu e nao podia ser demais ninguem.

O Jantar teria corrido com normalidade se uma das beldades presentes nao insistisse constantemente em fazer investidas ao jovem portugues ao que o mesmo resistiu da melhor maneira quase ate ao fim do Jantar. Ele nao era gay, sentia que nao era, tinha a certeza que nao era e deixou-se envolver por aquela beldade que estava ali a sua disposicao.

Era a primeira vez que fizera amor com uma mulher desde que chegara aos Estados Unidos e isso ja se tinham passado quase 5 anos. Cinco anos isso mesmo, cinco anos sem ver a mae e o resto da familia recebendo uma carta quase todos os meses e telefonando ele uma vez por semana. Tinha ajudado a mae com algum dinheiro e pensava que o devia a Charles ate entao pensava assim mas agora comecava a pensar diferente. Agora pensava que o devia a tudo o que fizera com Charles na cama e que odiava fazer, estava decidido nao ia voltar a ter mais nenhuma relacao sexual com Charles ia deixa-lo e voltar para Portugal.

Charles parecia um louco naquela noite quando ele chegou a casa, acusava-o de cheirar ao perfume de mulher e de o ter traido. Ele negou mas entao Charles abriu o jogo. Fizera-o ir aquele Jantar sozinho porque tinha alguem que tinha sido contratada para meter a sua fidelidade a prova e ele mostara-se ser infiel. Agarraram-se os dois a pancada e Roberto perdeu a cabeca. Agrediu Charles de todas as formas e feitios e tudo o que apanhava a mao partia-o em cima do mesmo ate mesmo depois do outro estar caido no chao sem sentidos numa poca de sangue.

Acalmou e foi ai que comecou a notar o que tinha acontecido Charles nao perdera apenas os sentidos pelo simples desmaio de uma das pancadas na cabeca mas porque nao respirava tambem. Ele tinha matado Charles.

O que veio em seguida foi um verdadeiro inferno. A prisao, os sucessivos interrogatorios, as conversas com a Advogada, as sessoes de julgamento que vieram mais tarde, a familia com quem ja nao podia contactar e nem ajudar monetariamente como fazia anteriormente. Tudo por causa de Charles e tambem da sua propria ambicao.

O Julgamento era quase uma causa perdida considerava a Advogada que decidira mesmo assim agarrar na sua causa porque ela um caso mediatico, muito badalado e que mesmo perdido iria dar muito destaque e reconhecimento publico a quem fosse o seu defensor. Ele sabia que estava tudo perdido e o seu caso so iria ter duas saidas ou a Pena de Morte ou a Prisao Perpetua se fosse a ultima ia ele proprio requerer que fosse a primeira.

Na cadeia tinha feito alguns amigos ali onde estava eram quase todos como ele viria a ser um condenado a morte que estava no corredor da mesma. Havia ali de tudo criminosos dos mais duros e gente que com toda a certeza estava inocente. Todos sentiam uma admiracao e simpatia por Roberto e conseguiam entender o que ele fizera e se nao seria injusto o mesmo ser condenado a morte ou ter que passar o resto da vida na cadeia mas todos sabiam que era isso uma das suas opcoes a liberdade era quase impossivel pelo menos para ja. As leis mudavam e depois como cidadao estrangeiro certamente iriam haver apelos, lutas diplomaticas pela sua libertacao mas isso era tudo hipoteses nitidamente remotas.

O julgamento correu como se esperava com a acusacao a pedir a pena maxima e a defesa a tentar ao maximo minimizar a pena. Roberto nao ajudou muito tambem quando lhe perguntaram se estava arrependido do que tinha feito respondeu que nao e igualmente respondeu que sim quando lhe perguntaram se voltaria a fazer a mesma coisa. Nas alegacoes finais quando lhe deram hipoteses de falar para se defender declarou que considerava que tinha ajudado o mundo a livrar-se de um mal e que nao via a diferenca que fazia um gay a menos ou um gay a mais.

O veredicto ia ser lido e em silencio sem reagir com um so gesto Roberto ouviu o colectivo de juizes decidir-se pela Prisao Perpetua e considerando ate a decisao bastante benevolente ja que o crime em causa era igualmente merecedor da Pena de Morte mas que a mesma decisao havia sido decidida por o mesmo colectivo de juizes considerar que a propria vitima tambem se havia aproveitado do proprio condenado e seduzido nao so o mesmo como querendo forca-lo a uma relacao que o mesmo ja nao queria manter. A sentenca era de Prisao Perpetua podendo Roberto apelar se assim entendesse para ser libertado depois de cumprir 30 anos de pena.

Roberto explodiu ainda na sala do julgamento, queria ser condenado a morte, queria acabar com tudo aquilo nao aceitava, nao conseguia aceitar a ideia de passar o resto da vida preso e que alem disso o vissem como o condenado que era gay e matou outro gay, ele nao era gay, ele nao queria ser gay Charles, aquele velho, porco e nojento levara-o a se-lo. Deu ordem a sua Advogada ali mesmo para apelar pela Pena de Morte o que consideraram um acto insensato mas a decisao era sua e so se deu por feliz quando soube que o seu apelo havia sido atentido. Se nao lhe dessem a Pena de Morte Roberto so teria aceitado a deportacao, era o jogo do tudo ou nada da sua parte.

Tinham-se passado mais de 20 anos e a deportacao sempre fora algo de que mal se ouvira falar o proprio Roberto nao se esforcara por isso e esperava quase todos os dias que estava na lista para seguir para a ultima porta do Corredor da Morte, todos os dias ansiava por isso.

Era triste viver-se ali fechado e ao mesmo tempo ir-se envelhecendo sem se poder viver em liberdade. Era triste quando recebia as noticias tristes de Portugal como fora a da morte da mae que nunca chegara a cumprir com a promessa que lhe fizera de o ir visitar as americas. Olhava o espelho todos os dias e chegava a sentir nojo de si proprio como fora capaz de ter ido para a cama com um homem so porque tinha o desejo de subir na vida acima de tudo o resto mas, poderia Charles considerar um homem?

Durante aqueles anos envelhecera mais do que o seria normal e olhando a sua volta via que tudo o que aprendera fora ali mesmo. Frequentou varios cursos das oficinas podia faze-lo, era uma forma de estar ocupado e de ir aprendendo alguma coisa. Durante aqueles anos tambem enquanto esperava pela aplicacao da sentenca nunca deixara de lutar pela deportacao. Eram os apelos sem resposta, pessoas ja que em Portugal se juntavam e faziam tambem apelos junto a Embaixada dos Estados Unidos sempre sem sucesso.

Rodrigo tornara-se tambem Cronista num jornal de renome em Portugal tudo porque o mesmo achara interessante passar a publicar as cronicas de um condenado a morte e fora com as mesmas que conquistara e chegara a emocionar os leitores e o publico em geral. Rodrigo chegara a dar entrevistas e um canal de televisao portuguesa chegara a ir aos Estados Unidos para se fazer um documentario sobre o mesmo onde se pretendia mostrar que a vida de um condenado a morte nao era apenas a de se manter a espera de lhe aplicarem a sentenca. Ainda que com muitas limitacoes viviam uma vida em sociedade dentro da cadeia aquilo era um genero de pequena comunidade em que todos se conheciam e todos se ajudavam. Eram poucos os que ali estavam que nao estavam condenados a passar ali o resto dos seus dias e por isso iam-se habituando uns os outros, havia tambem, claro, os duroes e os que eram excluidos mas esses passavam quase 24 horas na cela fechados por serem considerados anti-sociais.

Ali o que mais custava a todos era quando viam um condenado a morte partir para que a sentenca lhe fosse aplicada, despediam-se as vezes com um ate breve porque acreditavam que um dia se haviam de encontrar do outro lado e ai seriam livres para fazerem tudo o que do outro lado lhes fosse permitido fazer. Os condenados alguns partiam tristes por nao mais voltarem a ver os restantes reclusos ou seja muitas vezes os unicos amigos que tinham mas ao mesmo tempo iam aliviados mesmo que fossem para o Inferno certamente o mesmo nao podia ser pior que a Prisao do Estado de San Quentin.

Naquela manha era um dia como outro qualquer quando Roberto foi chamado ao gabinete do Director e calculou-se logo de que brevemente lhe seria aplicada a sua sentenca o que todos lamentaram ja que Roberto era um verdadeiro lider, conselheiro, amigo e confidente mas todos sabiam que a sua vez havia de chegar e ele era dos mais velhos que ali estavam. Era preciso ter-se calma pensou Roberto ainda nao sabia o que se passava e o que lhe queria o Director logo nao podia estar com ideias precipitadas e alem do mais nada poderia ir alem da sentenca estar para ser-lhe aplicada e isso nao era nada de inesperado.

O Director parecia-lhe calmo como sempre e nem mesmo uma rebeliao dos presos lhe conseguia tirar aquela sua calma que lhe era uma caracteristica da sua personalidade. Fumava um charuto e ofereceu-lhe um logo assim que o mesmo se sentou na sua frente como o mesmo lhe fizera sinal que se sentasse e tratou de o informar para o manter calmo que acontecera algo que o poderia salvar, salvar da Pena Perpetua e salva-lo da Pena de Morte.

Os sucessivos apelos de clemencia por parte de varias identidades tinham aparentemente produzido um efeito diferente daquele que estava a produzir ate entao. O Estado Portugues fizera um novo pedido para o mesmo ser deportado e enquanto todos os outros tinham sido logo recusados a partida o novo pedido estava a ser analisado pelo Senador do Estado e tinha muitas hipoteses de vir a ser aceite, caso fosse ele seria deportado. Ali era um presidiario em Portugal seria um homem livre.

Roberto pensou Portugal, sera que ainda se sentia portugues, sera que ainda sabia o sabor que tinha uma boa posta de bacalhau cozido. Sentia-se mais americano ja que propriamente portugues. A noticia apanhara-o de surpresa a deportacao seria melhor que a Pena de Morte, pensara? Ate que ponto.

Em Portugal Roberto ja nao tinha praticamente familia e os parentes que tinha eram afastados. O que iria fazer em Portugal? O desemprego, a forma discriminatoria como os ex-presidiarios eram vistos. O melhor e mais indicado seria voltar a imigrar, passara ali vinte anos mas era um homem com muita forca ainda e embora a aparencia o fizesse parecer nao se podia dizer que fosse velho. Nas oficinas da cadeia aprendera muita coisa e em qualquer lado podia trabalhar como Serralheiro ou Carpinteiro, em qualquer lado que aceitassem um ex-presidiario.

Os dias passavam e ele era visto de outra maneira mesmo dentro da cadeia ja nao o viam como um condenado a morte mas como um possivel futuro ex-presidiario. Nao o tratavam de forma diferente mas aquela aceitacao de irem analisar o pedido de deportacao mudava muita coisa ate porque poderia vir a causar um confronto diplomatico entre os dois paises e ele fizera bem em nunca ter desistido daquilo que pretendia a deportacao que em vinte anos sempre lhe fora negada.

Era o meio da tarde e os presos se encontravam no patio onde jogavam a bola e o Director surgiu mal o viram todos pararam embora soubessem que nao havia qualquer problema porque nao estavam a fazer nada de errada. Parecia que estavam na tropa e se punham em sentido em respeito ao seu superior e o Director os foi cumprimentando ate chamar Rodrigo, tinha noticiais para si.

O Director foi claro ja nao o podia ter ali porque a autorizacao para a sua deportacao fora aprovada e o mesmo teria que estar no aeroporto na manha seguinte onde seria entregue as autoridades dos servicos de estrangeiros e fronteiras e seria colocado num aviao com destino a Portugal depois poderia ir para qualquer parte do mundo menos voltar aos Estados Unidos.

A euforia invadiu Rodrigo que se viu coberto e envolvido por um sorriso que lhe ia de orelha-a-orelha e depois a alegria fe-lo chorar e pensara que passado vinte anos apenas passado vinte anos a justica tinha sido feita mas antes tarde que nunca, apertou a mao do Director no dia seguinte iria entao a caminho de Portugal e sentia-se aos poucos novamente um homem livre embora para sempre marcado por vinte anos de cadeia e por uma condenacao a morte que nunca viera a acontecer. A vida tinha muitas voltas e se hoje se estava no Inferno amanha podia-se estar no Paraiso.

                                                                                                        Manuel Goncalves

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