domingo, 16 de abril de 2017

Ines de Castro Perante a Arte



Ja aqui falei nisso e sou mesmo um romantico assumido e apaixonado por tudo o que esteja relacionado com a Historia e se ambas as paixoes ou interesses tem alguma coisa de comum entre si na Historia de Portugal e sem duvida naquela que e a mais bela Historia de amor em Portugal.

Dom Pedro I de Portugal (1320-1367) e Ines de Castro (Ca. 1320/1325-1355) escreveram uma das paginas mais romanticas da Historia Universal e sem duvida a mais romantica da Historia de Portugal. Ainda um dia hei-de escrever uma cronica sobre esse grande amor terminado em sangue, tragedia e ate vinganca por parte do amado de Ines de Castro porem a ideia de agora e apresentar a forma como a mesma historia e vista na Arte, alguns episodios da mesma foram descritos em pinturas transformadas em quadros famosos espalhados por varios museus de artes famosos e lembradas por artistas plasticos, pintores de grande valor e renome.

Sao seis os quadros que lembram essa tragica historia de amor. A Suplica de Ines de Castro do Pintor portugues Francisco Vieira (1765-1805) conhecido como Vieira Portuense e datado cerca de 1802 e que se encontra actualmente pertencente a coleccao da CULTURGEST, A Suplica de Ines de Castro datado de 1822 e pintado pela Pintora francesa Eugenie-Honoree-Marguerite Charen (1786-1855) conhecida como Eugenie Servieres e que se encontra pertencente a coleccao do Palacio de Versalhes na cidade de Versalhes, O Assassinio de Ines de Castro datado de 1834 pintado pelo Pintor russo Karl Pawlowitsch Brjullow (1799-1852) e que se encontra no Museu Estatal Russo em Sao Petersburgo, A Coroacao de Ines de Castro datado de 1849 pintado pelo Pintor frances Pierre Charles Comte (1823-1895) e que foi legado ao Musee des beaux-arts de Lyon em 1885 onde ainda se encontra, Ines de Castro Pressentindo os Assassinos (este tive o prazer de o ver ao vivo) um quadro datado de 1885 e pintado pelo Pintor portugues Francisco Augusto Metrass (1825-1861) a obra encontra-se no Museu Nacional de Arte Contemporanea do Chiado (MNAC), em Lisboa, O Drama de Ines de Castro (mais um que tive o prazer de o ver ao vivo) datado de 1901-1904 e pintado pelo Pintor portugues Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) e que se encontra no Museu Militar de Lisboa.

Optei por apresentar os quadros por uma ordem cronologica segundo a sua datacao e nao aparentemente segundo a cronologia dos episodios descritos nos mesmos.


A Suplica de Ines de Castro e uma pintura a oleo sobre tela do Pintor portugues Vieira Portuense, com data desconhecida mas que se calcula como sendo de cerca de 1802 e que se encontra actualmente pertencente a coleccao Culturgest.

A pintura que ilustra o texto de Os Lusiados (1572), representa a suplica de Ines de Castro ao Rei, suplica que nao fora atendida, atendendo como se sabe ao fim tragico que ocorreu a 7 de Janeiro de 1355, apos o Rei Dom Afonso IV (1291-1357) estando de acordo com os seus conselheiros ter dado a ordem do assassinato da mulher do seu filho, o ainda Infante Dom Pedro, o que veio a suceder no Paco de Santa Clara, em Coimbra, onde ela vivia.

A obra de Vieira Portuense muito provavelmente foi executada para a coleccao real, entao no Palacio da Ajuda, em 1802, e em 1807 foi levada para o Brasil por Joao Maria Jose Francisco Xavier de Paula Luis Antonio Domingos Rafael de Braganca (1767-1826) e que foi Dom Joao VI de Portugal, tendo permanecido provavelmente na coleccao de Dom Pedro II do Brasil (1825-1891), no Palacio de Sao Cristovao, no Rio de Janeiro, ate chegar a proclamacao da republica (1889) no pais, altura em que regressou a Europa. Reapareceu somente em 2008 em Paris, para ser vendido num leilao por Pierre Berge & Associes em 25 de Junho de 2008 pela quantia de 210.000 euros.

A pintura de Vieira Portuense representa parcialmente a Estrofe 125 do Canto Terceiro de Os Lusiados de Luis Vaz de Camoes (Ca. 1524-1579 ou 1580), que canta assim a suplica de Ines de Castro:

Para o ceu cristalino alevantando
Com lagrimas os olhos piedosos
(Os olhos, porque as maos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos),
E depois nos meninos atentando,
Que tao queridos tinha e tao mimosos,
Cuja a orfandade como mae temia,
Para o avo cruel assim dizia:
...

Ao contrario do Drama de Ines de Castro de Columbano, e como dizem os versos, Vieira Portuense nao coloca na sala nenhum dos algozes, mas apenas a suplicante com dois filhos e o Rei tem um dos netos a abraca-lo. Atras de uma cortina, na sala contigua, aparecem entao dois cortesaos a espreitar a cena.

O ambiente geral da sala, nao obstante o que se adivinha que ocorrera em breve, e de conforto, tendo o Pintor Francisco Vieira utilizado moveis e decoracao que parecem ser da sua epoca, designadamente o sofa e a jarra que coloca sobre a comoda, podendo comparar-se esta com os exemplos de pintura e de mobiliario de epoca proxima a da pintura em galeria.

Parece que Vieira tambem nao teve preocupacao de dotar os intervenientes das roupas que usavam no Seculo XIV, verificando-se algum anacronismo tambem neste aspecto.

A correspondencia entre o Pintor portugues e o Impressor e Tipografo italiano Giambattista Bodoni (1740-1813) de Parma comprova que em Junho de 1798 Francisco Vieira, em Londres, comecou a pintar dez telas destinadas a ilustrar os dez Cantos do poema Os Lusiados de Luis de Camoes, encomendadas por um Editor portugues tendo em vista uma nova e sumptuosa edicao ilustrada.

De acordo com o Dicionario Historico de 1904-1915 Rodrigo Domingos de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa (1745-1812), primeiro Conde de Linhares do titulo moderno, foi um Diplomata, Politico e Inspector da Imprensa Regia, decidiu fazer uma edicao luxuosa de Os Lusiados, ilustrada com estampas representativas das passagens mais notaveis do poema, que acabou por nao vir a realizar-se, mas tendo encarregado Francisco Vieira Portuense de fazer as ilustracoes.

Francisco Vieira elaborou dez esquissos para a ilustracao de Os Lusiados que pertecem a coleccao privada. O Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa possui pequenas replicas de tres deles (tambem ja a vi ao vivo), executadas provavelmente sob a direccao de Francisco Vieira. Nos dez esquissos originais, encontra-se a primeira ideia da pintura sobre Ines de Castro ainda que com algumas diferencas, pois os filhos eram tres e o quadro na parede, "quadro dentro de quadro", representava o retrato de um homem a meio corpo e nao a cavalo.

Um desenho preparatorio conserva-se no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa aproximando-se da obra final pois sao duas as criancas que figuram junto a Ines,  mas o quadro na parede esta vazio.

Para agradecer as merces recebidas, Francisco Vieira Portuense concluiu para a galeria real dois quadros que representam, um o Desembarque de Vasco da Gama na India, e o outro Dona Ines de Castro ajoelhada com os filhos perante o Rei Dom Afonso IV. Estes mesmos quadros foram depois levados juntamente com outras pinturas para o Rio de Janeiro, no Brasil.

Nao se conhece o seu percurso da pintura desde a sua localizacao no Brasil, em meados do Seculo XIX, ate ao seu reaparecimento em Franca, onde se estava atribuida ao Pintor italiano Giuseppe Gades (1750-1799), tendo sido Maria Teresa Caracciolo, uma estudiosa italiana deste Pintor italiano e grande conhecedora da Pintura Portuguesa do mesmo periodo, que identificou a Suplica de Ines de Castro como obra de Vieira Portuense e elaborou a ficha critica no catalogo do leilao em que a mesma pintura foi vendida.

Dados do Quadro:

. Pintor(a): Francisco Vieira Portuense.
. Nome: Suplica de Ines de Castro.
. Data: Cerca de 1802.
. Tecnica: Pintura a oleo sobre tela.
. Dimensoes: 196 CM x 150 CM.
. Localizacao: Coleccao particular.

Ines de Castro, era uma Fidalga galega do Reino de Castela, veio para Portugal como Aia de Constanca Manuel (Ca 1316-1345) quando esta se casou com o Infante herdeiro do Trono de Portugal Dom Pedro I. Mas nao podendo evitar estas coisas do coracao, amores e paixoes Pedro e Ines acabaram por apaixonar-se, e o romance de ambos deixou o Rei furioso e levou Dom Afonso IV a ordenar o exilio de Ines para Castela.

O afastamento, porem, nao apagou nem foi suficiente para fazer esquecer o anor entre Pedro e Ines, e apos a morte de Constanca, em 1345, ao dar a luz o futuro Rei Dom Fernando (1345-1383), Pedro, entao contra a vontade do proprio pai, fez com que Ines regressasse passando entao os dois a viverem juntos, o que provocou uma grande desavenca entre o Rei e o Infante ou seja entre pai e filho.

Dom Afonso IV tentou ainda sem exito casar o filho com uma Dama de sangue real, mas Pedro opos-se sempre a tal solucao. Fruto da vida que levaram em comum, Pedro e Ines tiveram quatro filhos: Afonso, em 1346 (que morreu pouco tempo depois de nascer), Beatriz em 1347, Joao em 1349 e Dinis em 1354.

Ocorreu entao o receio de que a familia dos Castros conspirava para assassinar o Infante herdeiro Dom Fernando, de modo que assim subisse ao Trono o filho mais velho de Ines de Castro, o que levou o Rei e seu grupo de conselheiros a decidirem pelo assassinio da jovem galega, o que veio a acontecer a 7 de Janeiro de 1355, no Paco de Santa Clara, em Coimbra.


A Suplica de Ines de Castro e uma pintura a oleo sobre tela de autoria da Pintora francesa Eugenie Servieres, que foi apresentada na Exposicao de Pintura de Paris de 1822, com o titulo de Ines de Castro avec ses enfants, aux pieds d'Alphonse IV, roi du Portugal, pour obtenir la grace de Don Pedro, son mari, 1355, fazendo actualmente parte da coleccao do Palacio de Versalhes.

O quadro representar Ines de Castro com os dois filhos a interceder junto do Rei Dom Afonso IV provavelmente por si e pelo seu esposo, o Infante Dom Pedro, para que a uniao entre eles fosse reconhecida pela Corte do Rei.

O titulo da obra tem a data de 1355, mas atendendo a que Ines se apresenta perante o Rei com dois filhos, sendo a filha Beatriz a mais velha sobreviva e que havia nascido em 1347 (Afonso o que era realmente o filho mais velho do casal morrera anteriormente pouco tempo apos o nascimento), sera mais correcto situar a cena, como faz o portal JOCONDE, em 1350, cerca de cinco anos antes do fim tragico de Ines de Castro que ocorreu a 7 de Janeiro de 1355, quando o Rei Dom Afonso IV concordando com o seu conselho ordenou o assassinio de Ines, o que aconteceu no Paco de Santa Clara, em Coimbra, onde a mesma vivia no tragico momento.

Na Sala do Trono, o Rei Dom Afonso IV aceitou conceder uma audiencia a esposa do seu filho. O ambiente envolvente descrito na pintura nao e de tensao e segundo a mesma Ines provavelmente levantou-se do banco que se ve a direita e jorrou-se aos pes do seu sogro para maior convencimento da sua pretensao.

Alem do Rei, Ines de Castro e duas criancas na Sala do Trono estao presentes tres outras figuras mais proximas. Uma por detras do Rei, toda de escuro, o seu Conselheiro ou Secretario, que podera ser a representacao da oposicao a pretensao de Ines de Castro. Depois estao dois cortesaos mais iluminados estando um, mais jovem, embevecido e tendo as maos juntas como que dando a impressao que estava rezando para que a suplicante Ines de Castro tivesse sucesso nas suas intencoes. E finalmente um terceiro com expressao ambigua que parece representar uma posicao de duvida e incerteza acerca do que deveria de ser feito.

Ao fundo, a entrada da sala, que tem tres janelas ogivais amaineladas que acabam por transmitir um ambiente gotico da epoca a que o quadro se refere, estao tambem guardas armados.

Dados do Quadro:

. Pintor(a): Eugenie-Honoree-Marguerite Charen.
. Nome: Ines de Castro avec ses enfants, aux pieds d'Alphonse IV, roi du Portugal, pour obtenir la grace de Don Pedro, son mari, 1355.
. Data: 1822.
. Tecnica: Pintura a oleo sobre tela.
. Dimensoes: 113 CM x 39 CM.
. Localizacao: Palacio de Versalhes.

Eugenie Servieres especializou-se na pintura de genero tendo recebido medalhas de ouro nos saloes de pintura de 1808 e 1817, onde expos um grande numero de quadros de valor, entre eles Agar dans le desert, Lancelot du lac et Genevieve, Louis XVIII et Mile de Lafayette, Alain Chartier et Marguerite d'Ecosse, Valentine de Milan, Marie-Stuart, Desdemona chantant la romance du Saule e Blanche de Castille delivrant les prisonniers de Chatenay.

Teve grande sucesso durante o Primeiro Imperio Frances (1804-1815) tambem conhecido como Grande Imperio de Franca e ainda Imperio Napoleonico, ao ponto do proprio Imperador Napoleao Bonaparte (1769-1821) lhe ter comprado na Exposicao de Pintura de 1812 o quadro La Chretienne Mathilde convertissant Malek Adhel satisfazendo o pedido da Imperatriz Maria Luisa de Austria (1791-1847).

As suas pinturas de estilo trovador, de que a Suplica de Ines e um exemplo, estavam entao muito em voga.


O Assassinato de Ines de Castro (em russo:Смерть Инессы де Кастро) e uma pintura a oleo sobre tela do Pintor russo Karl Pawlowitsch Brjullow (tambem conhecido como Briullov ou Briuloff), datada de 1834 e que se encontra actualmente no Museu Estatal Russo, em Sao Petersburgo.

A pintura representa o acontecimento historico ocorrido em 7 de Janeiro de 1355, quando o Rei Dom Afonso IV concordando com as opnioes dos seus conselheiros autorizou que tres nobres fossem ao Paco de Santa Clara em Coimbra, onde assassinaram Ines de Castro, que vivia com o Infante Dom Pedro, assassinaram-na aproveitando um momento em que o Infante se encontrava ausente.

Karl Brjullow foi um dos primeiros pintores russos que recebeu reconhecimento internacional sendo considerado uma figura de transicao entre o Neoclassicismo e o Romantismo russo.

Dados do Quadro:

. Pintor(a): Karl Pawlowitsch Brjullow.
. Nome: O Assassinato de Ines de Castro (em russo: Смерть Инессы де Кастро).
. Data: 1834. 
. Tecnica: Pintura a oleo sobre tela.
. Dimensoes: 213 CM x 299,5 CM.
. Localizacao: Museu Estatal Russo, Sao Petersburgo.

O Pintor russo Briulluov pintou o quadro e colocou Ines desesperada de joelhos com os filhos agarrados a ela rodeada por tres nobres e todos estavam ja de punhal em punho adivinhando-se a tragedia que se seguiria. Aguardam ainda no entanto a decisao do Rei Dom Afonso IV que e a outra personagem presente no quadro.

Ines e as duas criancas estao iluminadas por um forte foco de luz dando a claridade a ideia da inocencia. Por oposicao, os outros personagens estao definidos em tons escuros o que da a ideia  de maldade sendo que o Pintor idealizou o bem em claro e mal em escuro o que e ainda reforcado pelas suas expressoes de cada um dos lados envolvidos. O desespero de Ines de Castro e bem evidente pelo ideal do Pintor russo.

Ines apresenta-se com vestes reduzidas, ao contrario dos homens que a rodeiam, o que pode levar a pensar que Karl Briulluov tenha idealizado que Ines foi completamente surpreendida, provavelmente arrancada da cama, que ainda se ve ao fundo, nao tendo tido a oportunidade de se apresentar perante estranhos ao nivel do seu estatuto, porque afinal ainda era a esposa do futuro Rei.

O Rei, que ainda parece ponderar sobre qual a melhor decisao a tomar, acabara por nao aceder aos pedidos de clemencia de Ines.


A Coroacao de Ines de Castro em 1361 (Le Couronnement d'Ines de Castro en 1361) e uma pintura a oleo sobre tela de Pierre-Charles Comte que a realizou aproximadamente em 1849 para a sua participacao na Exposicao dos Artistas Franceses de 1849. Foi legado ao Musee des beaux-arts de Lyon em 1885 onde ainda hoje se encontra.

O quadro representa a lendaria Coracao de Ines de Castro em 1361 como Rainha Consorte de Portugal, apos se terem passado ja seis anos depois da sua morte e da tragedia no Paco de Santa Clara, em Coimbra, numa cerimonia que teria sido imposta por Dom Pedro apos ter subido ao Trono e ser Rei de Portugal.

O quadro acaba por representar o episodio morbido e insolito quando alguns dos grandes nobres do Reino de Portugal beija a mao de Ines de Castro, que esta morta e o seu cadaver colocado no Trono, sob a vigilancia do antigo Infante e agora Rei Dom Pedro de pe envergando uma armadura dasmaquinada e manto de arminho. Esta cena principal esta colocada em segundo plano, de vies e a direita. No primeiro plano, um Soldado de armadura armado com uma alabarda sugere a obrigacao imposta aos nobres. A esquerda do Trono, duas damas estao com vestidos de cores variadas, o fundo e dividido, por um lado, da vincada cor vermelha do dossel por cima do Trono e, por outro, um fundo escuro que se divisam colunas e arcos decorados com afrescos ou mosaicos.

A composicao de Pierre-Charles Comte mostra algumas das influencias do seu Mestre, o tambem Pintor frances Joseph-Nicolas Robert-Fleury (1797-1890), no movimento de certas personagens ou pelo Soldado com armadura que faz lembrar o da obra Galilee devant le Saint-Oficce au Vatican (Galileu perante o Santo Oficio no Vaticano).

Demostrando talento no dominio de materias com metal e a armadura, Comte nao se preocupa depois com a exactidao historica ao figurar uma armadura do Seculo XVI numa reconstituicao que se supoe ser do Seculo XIV.

Dados do Quadro:

. Pintor(a): Pierre-Charles Comte.
. Nome: A Coroacao de Ines de Castro em 1361 (em frances: Le Couronnement d'Ines de Castro en 1361).
. Data: 1849.
. Tecnica: Pintura a oleo sobre tela.
. Dimensoes: 128 CM x 95 CM.
. Localizacao: Musee des beaux-arts, Lyon.

A coroacao de Ines de Castro em 1361 e uma obra de juventude de Pierre-Charles Comte, realizada ja para a sua segunda participacao numa exposicao. O tema, medieval e macabro, nao era de todo novo na epoca: havia despertado o interesse em autores romanticos como os franceses o Novelista, Escritor, Poeta e Dramaturgo Victor-Marie Hugo (1802-1885) ou o Escritor e Filosofo Pierre-Simon Ballanche (1776-1847) que tinha escrito uma Novela em 1812, Persiani que tinha montado uma peca de teatro em 1839. Varios pintores ja se tinham inspirado no tragico destino de Ines de Castro: o Conde de Forbin, Louis Nicolas Philippe Auguste (1779-1841) em 1812, e que depois expos uma replica numa exposicao em 1819, Gillot Saint-Evre (1791-1858) em 1827, Eugenie Servieres apresenta numa exposicao em 1824 Ines de Castro se jetant avec ses enfants aux pieds d'Alphonse IV roi de Portugal, e August Marquet pinta uma Ines de Castro antes do seu assassinato em 1839.

Comte apresenta a obra na Exposicao de Pintura em 1849 mas a mesma passa despercebida tendo-a apresentado de novo na Exposicao Universal de 1867. O mesmo quadro foi apresentado na Exposicao L'invention du passe. Histoires de cœur et d'epee en Europe, 1802-1850 de 2014, em Lyon, Franca.

Ines de Castro era Dama de Honor de Constanca Manuel, a esposa do entao Principe herdeiro do Trono de Portugal e que mais tarde viria a ser Pedro I de Portugal. Mas este apaixonou-se loucamente por Ines, e tendo ficado viuvo em 1345 apos a esposa ter falecido no parto de Dom Fernando I recusa-se a casar com a pretendida que seu pai lhe escolhera e passa a viver com Ines apesar do escandalo que a mesma ligacao provoca. Sob a pressao do seu Conselho, o seu pai e ainda rei Dom Afonso IV de Portugal, acaba por autorizar o assassinio de Ines de Castro que ocorrera a 7 de Janeiro de 1355.

Pedro apos a morte de Dom Afonso IV sucede ao seu pai em 1357 e declara desde de logo que se tinha casado secretamente com Ines em 1354, fazendo dela Rainha de Portugal e legitimando os seus filhos, conforme relata Fernao Lopes (entre 1380/1390-Ca, 1460) na sua Cronica de Dom Pedro:

"E pousando El-Rei nesta sazao no lugar de Cantanhede, no mes de Junho, havendo ja uns quatro anos que reinava, tendo ordenado de a publicar como mulher, estando ante ele Dom Joao Afonso, Conde de Barcelos e seu Mordomo-Mor (e outros que nomeia)... fez El-Rei chamar uma tabeliao e, presentes todos, jurou aos Evangelhos por ele corporalmente tangidos que, sendo Infante, vivendo ainda El-Rei seu Pai e estando ele em Braganca, podia haver uns sete anos mais ou menos, nao se acordando do dia e mes, que ele recebera por sua mulher lidima por palavras de presente como manda a Santa greja, Dona Ines de Castro, filha que foi de..."

Fernao Lopes que escreveu a Cronica de Dom Pedro cerca de um seculo depois dos acontecimentos historicos nao refere ter-se realizado a cerimonia de entronizacao como de Rainha Dona Ines. So ja mais tarde, talvez no Seculo XVI, surge a lenda de Dom Pedro ter mandado exumar o corpo de Ines de Castro, vesti-la de seguida com um manto real, senta-la em seguida no Trono e, numa cerimonia com toda a pompa, coroa-la como Rainha, como sua esposa legitima e obrigando a todos os grandes nobres do entao Reino de Portugal a beijar a mao dela prestando-lhe vassalagem e respeito.

 
                                                              
Ines de Castro Pressentindo os Assassinos e ima pintura a oleo sobre tela do Pintor portugues do Romantismo, Francisco Augusto Metrass (1825-1861) datada de 1885 e que esta actualmente no Museu do Chiado, em Lisboa.

Esta obra de Metrass representa os momentos antecedentes ao fim tragico de Ines de Castro que ocorreu a 7 de Janeiro de 1355, apos o Rei Dom Afonso IV , concordando com os seus conselheiros, ter ordenado o assassinato da mulher do seu filho, o Infante Dom Pedro, que ocorreu no Paco de Santa Clara, em Coimbra, onde viviam e durante a ausencia do ainda Infante e futuro Rei Dom Pedro I de Portugal.

A tragica historia de Ines de Castro atraiu, desde o Seculo XVI, artistas e escritores ( o Musico, Poeta e Cronista Garcia de Resende (1470-1536), por exemplo), e diversos pintores romantios, fascinados por esta Historia Medieval de amor tragico, de crueza do poder face ao individuo, da lenda da coroacao depois de morta, tratam o evento historico tomando como fonte historico-literaria Os Lusiados, associando ao tema imaginario Camoniano, uma das preferencias do Romantismo Portuges.

Junto a uma cama de dossel revestida por capa vermelha, Ines de Castro, vestida de robe branco, abraca desesperadamente os seus tres filhos, virando receosamente o olhar para a esquerda (do Espectador), donde vem a luz que ilumuna a sala onde decorre a cena.

Metrass demostra agilidade no claro-escuro (melo) dramatico, que acaba por ser reforcado pela mascara de medo de Ines, bem como no desenho das figuras, levando a composicao ao sentimentalismo imediato, amargo e tragico. Metrass preferiu explorar nao o climax da morte (como Columbano ira fazer mais tarde), mas um momento em que pode explorar um maximo de ansiadade e dramatismo, invocando o sentimentalismo e identificacao imediatos do observador. E o momento em que Ines percebe que nao ira escapar com vida e agarra-se desesperadamente aos filhos, tal como canta Camoes.

A obra pertenceu a coleccao pessoal do Rei Dom Fernando II, de Portugal (1816-1885) tendo sido integrada no MNAC em 1912.

Dados do Quadro:

. Pintor(a): Francisco Augusto Metrass.
. Nome: Ines de Castro Pressentindo os Assassinos.
. Data: 1885.
. Tecnica: Pintura a oleo sobre tela.
. Dimensoes: 229 CM x 163 CM.
. Localizacao: Museu Nacional de Arte Contemporanea do Chiado, Lisboa.

Para Maria Aires Silveira, a paixao, a dor e a morte envolveram os eventos historicos da vida de Ines de Castro cativaram e conquistaram o espirito melodramatico de Metrass, provavelmente inspirado em Os Filhos de Eduardo do Pintor frances Hippolyte Delaroche (1797-1856) mais conhecido por Paul Delaroche. O desfecho infeliz da historia de amor entre Pedro e a "(...) linda Ines posta em sossego" serve o duplo pretexto de invocacao mitica do medievalismo e da gesta Camoniana. Metrass representa o momento do apelo dramatico - "Para o ceu cristalino alevantando, com lagrimas os olhos piedosos (...), se abraca aos filhos" - transformando-o em sentimentalismo teatralizado, algo caracteristico da Pintura Historica Portuguesa.

Numa tela de grandes dimensoes, Ines aterrorizada e pressentindo ja os assassinos, surge em tamanho natural, com uma torcao de rosto em esgar doloroso, impondo a sua presenca ao espectador. No entanto, as intencoes iconicas sao traidas pela insuficiencia das solucoes artisticas, que perdem em grandiosidade historica para introduzir a naturalidade de uma cena.

 
O Drama de Ines de Castro e uma pintura a oleo sobre tela do Pintor portugues Columbano Bordalo Pinheiro datada de 1901-1904 e que se encontra actualmente no Museu Militar de Lisboa.

A pintura representa os momentos antecedentes do fim tragico de Ines de Castro que ocorreu a 7 de Janeiro de 1355, apos o Rei Dom Afonso IV atentendo aos conselhos dos seus conselheiros concordou em mandar assassinar aquela que era a mulher do seu filho dando assim inicio a tragedia da historia do amor de Pedro e Ines que todos conhecemos nos dias de hoje.

Segundo a Pagina do Museu Militar de Lisboa, Columbano buscou a sua inspiracao em Os Lusiados para pintar O Drama de Ines de Castro, bem como as tres outras pinturas suas estao no mesmo museu, designadamente, O Velho do Restelo, O Concilio dos Deuses e Venus em Auxilio dos Navegadores Portugueses (quadros que tive a oportunidade de ver quando visitei o mesmo museu).

A cena aparece dividida em dois grupos de personagens. Do lado esquerdo encontra-se Ines de Joelhos apresentando uma expressao suplicante e desesperada enlaca a filha que procura abrigo ao abracar-se ao pescoco da mae. Atras dela prendendo-a por um braco esta o que parece ser um Guarda, ou ate um Algoz ou seja um Carrasco, atendendo a roupagem mais pobre e o capuz que tem sobre a cabeca. Perto de Ines esta o outro filho em atitude tipica de crianca tapando os olhos perante a cena horrivel a que assistia a sua frente.

Do lado direito, quase em frente a suplicante e desesperante Ines de Castro, e de costas para o observador, esta uma figura imponente vestida de negro que representara o Rei de Portugal, Afonso IV, o qual tem ao seu lado dois nobres que, descontraidos, observam a cena com uma visivel indiferenca, frieza ou calma.

O local onde aparentemente se tera desenrolado o episodio e habitualmente identificado com a Quinta das Lagrimas, em Coimbra, que na pintura o mesmo local e sugerido pelas arcadas e colunas. Nao obstante, os capiteis das colunas estao a um nivel muito baixo, pouco acima da cabeca dos personagens que envolvem a cena e estao em pe, o que podera sugerir que se tratava de uma cripta o local imaginado pelo Pintor.

Existe um estudo para esta obra que se encontra no Museu Grao Vasco, em Viseu com o Numero de Inventario 2455, cuja a descricao apresenta uma composicao muito semelhante a obra final.

Maria Aires Silveira descreve o estilo de Columbano como uma paleta de tonalidades claras, que posteriormente escurece, nos retratos dos intelectuais portugueses, ja na viragem do seculo, numa caracteristica de pintura em mancha e tonalidades, terminando numa obsessiva preocupacao pelo tratamento da luz que desmaterializa a figura. Pioneiro do realismo, as suas obras referenciam artistas como o espanhol Diego Rodriguez de Silva y Velazquez (1599-1660),o holandes Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669), os frances Edouard Manet (1832-1883), Edgar Hilaire Germain Degas (1834-1917), Gustave Courbet (1819-1877) e Henri Fantin-Latour (1836-1904). Amigo do italiano John Singer Sargent (1856-1925), proximo da estetica do alemao Wilhelm Maria Hubertus Leibl (1844-1900), Columbano constroi uma original modernidade.

Dados do Quadro:

. Pintor(a): Columbano Bordalo Pinheiro.
. Nome: O Drama de Ines de Castro.
. Data: 1901-1904.
. Tecnica: Pintura a oleo sobre tela.
. Dimensoes: 196 CM x 246 CM.
. Localizacao: Museu Militar de Lisboa.

A pintura de Ines de Castro de Columbano foi objecto de um programa, integrado na Serie Grandes Quadros Portugueses, que foi transmitido pela RTP em 8 de Fevereiro de 2013 com apresentacao de Manuel Joao Goncalves Rodrigues Vieira (1962) um conhecido Pintor e Musico, Politico e Empresario portugues mais conhecido Manuel Joao Vieira.

Caro(a) leitor(a) foi um prazer trazer para vos um dos episodios mais tragicos da Historia de Portugal mas ao mesmo tempo mais romanticos, em titulo de curiosidade nao deixo de salientar que todos os quadros apresentados nesta cronica tem de facto a mesma tecnica ou seja Pintura a oleo sobre tela. Coincidencia certamente ou talvez nao. Apresentei estes mas creio que ainda existam mais quadros representando episodios desta bonita historia de amor.

Ate onde pode ir o sentimento do amor, uma forte paixao cega ou o desejo de vinganca. O que teria sido diferente se Dom Afonso IV tivesse dado a clemencia a Ines de Castro? Penso que nada teria sido diferente, o seu assassinato foi mais uma jogada politica dos conselheiros do Rei receando que Ines de Castro viesse a virar a cabeca de Dom Pedro e coloca-sse no Trono um dos seus filhos e nao Dom Fernando.

Esta cronica como outras envolvendo um episodio da Historia de Portugal acabou por me fascinar ainda mais e dar mais gosto em escrever e deixo-a para si em especial com o amor e carinho do costume, ate a proxima.

                                                                                                             Manuel Goncalves
























Sem comentários:

Enviar um comentário