segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Escravatura Na Roma Antiga



Quando se fala de escravatura na Roma Antigo o primeiro pensamento muitas vezes parte para os escravos que eram gladiadores e que em combates mortais no Coliseu de Roma animavam os grandes senhores do grande imperio romano, ja aqui inclusive escrevi uma Cronica sobre o mesmo assunto dos gladiadores da Roma Antiga que de facto de um modo quase geral eram escravos.

Creio que os escravos que eram mesmo assim uma boa parte da populacao romana (mais de 30%) pudessem nao ser naturais do Imperio Romano mas sim tambem dos imperios conquistados e dominados pelos imperadores romanos e que tambem houvessem escravas que apesar do seu estatuto eram belas e a mesma beleza atraira o cobica dos seus futuros senhores que as compravam unicamente com o intuito de as possuirem ate se cansarem das mesmas, sendo assim nao se pode dizer de forma alguma que a escravatura tivesse somente a ver com trabalhos pesados ou que a escratura fosse somente laboral. Tambem como em muitos outros lados onde havia escravos um Escravo era Escravo nao porque tivesse sido capturado e condenado a ser Escravo mas apenas porque era filho(a) de um Escravo(a).

Um filme que aconselho a verem e que relata um pouco do que era a escravatura na Roma Antiga e que relata e mostra bem o que era a escravatura daquele tempo. Spartacus (1960) com um elenco de actores de luxo vai ajuda-lo a ter uma ideia do que era a escravatura no grande Imperio Romano o enredo do filme engloba num todo em si a escravatura e a revolta que os escravos fizeram liderados por um antigo Escravo e Gladiador de nome Espartaco (ca de 109 A.C-ca 71 A.C) e a mesma revolta viria a ficar conhecida como a Terceira Guerra Servil (73-71 A.C).


A escravatura na Roma Antiga uma quase absoluta reducao nos direitos daqueles que ostentavam essa condicao, convertidos em meras e simples embora valiosas propriedades de seus donos. Com o passar do tempo, os direitos dos escravos aumentaram (certamente com o avancar da idade sobretudo os escravos da minas onde o trabalho era mais pesado perdiam as forcas e o vigor da juventude e sendo um prejuizo ja eram libertados). Contudo, mesmo depois de receberem a Alforria (manumissio), um antigo Escravo que tivesse sido libertado continuava a nao possuir muitos dos direitos e privilegios dos cidadaos romanos.

Os estudiosos estimam que mais de 30% da populacao da Roma Antiga era formada por escravos.

Durante o Periodo do final da Republica ocorreram varias revoltas de escravos, conhecidas como as Guerras Servis. As revoltas de escravos, tal como a Terceira Guerra Servil acabaram por ser duramente reprimidas. Em Latim, o Escravo era denominado por Servus ou Ancillus (este ultimo termo era aplicado mais particularmente ao Escravo que servisse num lar).

Normalmente, as pessoas reduzidas a escravatura ou mantidas nesta condicao provinham de povos conquistados, o que se manifestava com frequencia em caracteristicas fisicas ou linguas diferentes das dos seus amos.

Os cidadaos romanos consideravam a escravatura como sendo infame, e um Soldado romano preferia mesmo suicidar-se antes de cair Escravo de um Povo Barbaro, ou seja, nao romano.

As estimativas em relacao a proporcao de escravos na populacao do Imperio Romano sao variaveis (penso que podem depender muito de local para local e de epoca para epoca "mas e a minha opniao"). A porcentagem da populacao da Italia que vivia como escrava varia entre 30 a 40 por cento no Seculo I A.C entre 35% e 40% da populacao italiana da epoca (isso significaria entao que somente mais 10% e quase que se consideraria que metade da populacao eram escravos, nao me parece credivel). Para o Imperio Romano como um todo, a populacao escrava foi estimada em cerca de cinco milhoes, representando entre 10-15% da populacao total. Estima-se igualmente que 49% de todos os escravos eram de propriedade da elite, que compunha menos de 1,5% da populacao do imperio. Cerca de metade de todos os escravos trabalhavam no campo e o restante nas cidades.

Na Roma Antiga, a escravatura nao era baseada na raca. Os escravos eram capturados por toda a Europa e na Regiao do Mediterraneo, incluindo povos celtas, germanos, tracios, gregos, cartaginenses e ate mesmo um pequeno grupo de etiopes no Egipto Romano. Ate o Seculo I A.C, o costume impedia a escravizacao de cidadaos romanos e italianos que viviam na Galia Cisalpina "Aquem dos Alpes", mas antes disso muitos italianos do Sul e do Centro da Italia foram escravizados apos serem conquistados. Na Italia a maioria dos escravos eram italiacos.

Um Escravo era um bem que era possuido, despojado de todo o direito. O dono Possuia o direito sobre a sua vida e ate sobre a sua morte se assim entendesse. O termo "manus" simbolizava o dominio e o poder que o Dono tinha sobre o Escravo, do mesmo modo que o dominio do marido sobre a sua esposa. A sua situacao real era porem variavel, segundo a proximidade do Amo: os escravos agricolas dos villae  (vilas rusticas) ou das minas eram muito mal-tratados; os escravos domesticos (Ancillae) que viviam com a familia a quem pertencia eram bem mais favorecidos e com muita frequencia libertados apos um certo periodo.

O status social de um homem era medido em funcao do numero de escravos que possuia. O preco do Escravo variou muito segundo as epocas e os lugares, mas situava-se, de media, por volta de 2000 sestercios; o seu sustento aproximava-se aos 310 sestercios por ano. Toda a crianca nascida de mulher Escrava tornava-se tambem Escravo (isso poderia acontecer mesmo quando era sabido que o pai da crianca era o Dono da Escrava, fazendo e tornando assim o mesmo o filho em Escravo).

Os escravos trabalhavam todos os dias salvo durante as festividades das saturnais de Dezembro e os compitais (Jogos Compitalicios) de Janeiro.

Na Roma Antiga, um Liberto (Latim: Libertus ou Libertinus) era um antigo Escravo que tinha sido emancipado (libertado) pelo seu Amo. Convertia-se num homem quase livre: nao tinha no entanto todos os direitos de um homem livre que fosse um nao-escravo, permanecia "Cliente". As suas criancas, ou seja, os seus filhos seriam totalmente livres.

Convertia-se em Escravo por divida, como Prisioneiro de Guerra, por actos de pirataria ou por mau comportamente civico. Uma crianca nascida de uma Escrava tornava-se tambem Escrava. Um Escravo nascido na morada do seu Dono era chamado de Verna.

Ate o Seculo III, os romanos podiam tornar-se escravos por dividas, isso era o Nexo (em Latim: Nexum). Ate a sua abolicao, este tipo de escravizacao provocava o descontentamento do povo. O Escravo Romano e descrito por Tito Macio Plauto (cerca de 230 A.C-180 A.C) como um membro da familia.

O forte aumento do numero de escravos prisioneiros de guerra (o seu numero passou a 15 ou 20% no Seculo II A.C) e a sua integracao nos latifundios, transformam-nos em homens-maquinas como descreveu Marco Porcio Catao (234-149 A.C) um conhecido Escritor e Politico romano que igualmente ficou conhecido como, Catao o Velho.

Todas as campanhas militares traduziam-se na importacao de uma grande quantidade de escravos, as vezes toda a populacao vencida, como ocorreu na destruicao de Cartago em 146 A,C.

O Escravo romano era ambivalente: era ao mesmo tempo homem e mercadoria. O seu valor monetario era um incentivo para o Amo, a fim de cuida-lo para que o seu investimento fosse rentavel. Assim mesmo, tinha deveres para com ele, como: alimenta-lo, vesti-lo e aloja-lo. As privacoes eram os castigos mais correntes, mas os golpes, as mutilacoes, ou ate mesmo, em certas epocas e dependendo da gravidade dos casos, a morte, podiam ser praticados com impunidade. Catao o Velho, que seus comtemporaneos consideravam como sendo rigido, chegando ate mesmo a um limite excessivo, dizia: "O Escravo deve trabalhar ou dormir".

A situacao de vida e social do Escravo romano variava segundo a sua situacao:

. O Escravo Rural: Executava os trabalhos agricolas, e vivia em condicoes penosas, sobretudo nas grandes propriedades agricolas. As revoltas dos escravos no Periodo Republicano (509 A.C-27 A.C) foram chamadas de Guerras Servis e marcaram sobretudo as regioes de agricultura intensa: Sicilia, Campania. A revolta mais celebre foi a do Gladiador Espartaco em 73 A.C. Espartaco venceu varios exercitos romanos antes de inivitavelmente ser vencido. A repressao feroz desta revolta serviu de exemplo dissuasorio a futuros amotinados.

. O Escravo das Minas: Eram por norma os que eram e estavam mais maltratados.

. O Escravo de Cidade: Era geralmente o mais favorecido. Nas casas modestas, alguns escravos eram ate proximos do Amo e formavam parte aproximadamente da familia. Nas grandes casas (Domus), as tarefas numerosas e variadas permitiam por vezes uma especializacao, distinguindo dos trabalhos "nobres" (magister): Secretario, Contavel, Pedagogo, etc; e os trabalhos "menores" (minister). Muitos dos escravos gregos eram preceptores. A prostituicao, pouco evocada pelos historiadores, era uma realidade constatada, por exemplo em Pompeia pelos grafites e tambem os lupanares.

. O Escravo Publico (Servido Publici): Era um Escravo que pertencia ao Estado. Realizava tarefas de interesse geral, e trabalhava para os servicos municipais: a sua situacao variava dependendo de que se dedicasse a limpeza, ao servico dos edificios publicos, ou ao contrario nas tarefas da administracao. No mais baixo da escala, os escravos das minas eram os verdadeiramente forcados.


Os romanos da Republica conheciam um sistema incentivador para o Escravo: mediante o Peculium, poupanca que realizava o Escravo sobre os lucros de uma actividade, com frequencia artesanal ou comercial; o Peculium pertencia ao Amo, mas o Escravo dispunha de prazos para recomprar a sua liberdade.

As leis romanas foram evoluindo com o tempo, e por volta do Seculo I A.C o Amo perdeu o direito sobre a vida e morte dos seus escravos. Sob o Imperio Romano, as leis melhoraram as situacao dos escravos, certos maus tratos foram postos fora da lei e igualmente duramente condenados, foi proibido de igual modo revender um Escravo velho. As condicoes do Escravo Rural melhoraram ligeiramente (nao ocorreu mais nenhuma Guerra Servil) porque o aprovisionamento massivo de escravos durante os grandes conflitos esgotou-se. A cidade de Roma contava provavelmente com varias centenas de milhares de escravos.

Distingue-se uma nova categoria de escravos, os escravos imperiais. Propriedade do proprio Imperador, trabalhavam as suas propriedades e serviam nos palacios, bem como na admnistracao de Estado, quer fosse como Escravo ou como Liberto.

Segundo o Historiador frances Marc Ferro (1924), havia de 2 a 3 milhoes de escravos na Provincia da Italia, ou seja, por volta de 30% da populacao no comeco do Principado.

A possibilidade de se tornar Liberto oferecia uma esperanca de saida da condicao de Escravo. Chegou a ser usual nas grandes casas que o Amo liberasse, no seu testamento, uma parte da servidao. A pratica da libertacao no Periodo Imperial Romano era corrente, ate o ponto de ser criado sob Cesar Augusto (63 A.C-14 D.C) um novo imposto sob os libertos e uma nova lei que limitava o numero de libertos concedidos por testamento.

As primeiras leis protegendo-os chegaram ja com Publio Elio Trajano Adriano (76-138). A sua condicao foi melhorando pouco a pouco, sobretudo sob a influencia do Estoicismo.

A escravatura teve menos entidade, pois veio a ser relevada pelo sistema do Colonato. Isso nao impediu as revoltas dos escravos chamados Bagaudas.

No Seculo IV, o Imperio Romano oficializou o Cristianismo (Edito de Tessalonica decretado em 380 D.C) pelo Imperador Romano Teodosio I, O Grande (347-395) sem mudar o principio da escravatura.

Com a Queda do Imperio Romano, a escravatura perdurou, mas houve um regresso a uma economia essencialmente rural, na qual a Servidao Medieval substituiu a escravatura.

Um dos maiores centros de venda de escravos encontrava-se na Ilha de Delos:

. 150 000 escravos Epirotas (Epiro) em 167 A.C.
. 150 000 escravos Cimbros e Teutoes em  104 A.C.
. 50 000 escravos durante a tomada de Cartago.
. De 400 000 a 1 milhao de escravos depois da Guerra das Galias (58 A.C-50 A.C) de Caio Julio Cesar (100 A.C-44 A.C).
. 150 000 escravos amotinam-se com Espartaco em 73 A.C.

Caro(a) leitor(a) esta e mais uma daquelas cronicas que tem um limite muito alto na minha preferencia por gostar nao so de Historia mas igualmente por ser dedicada ao Imperio Romano que nas civilizacoes antigas era sem duvida o mais forte, ate o Grande Imperio Egipcio estava dependente de Roma.

Durante a pesquisa de documentos para publicar esta cronica acabei por encontrar algo que tambem podera vir a dar uma boa cronica sobre curiosidades acerca da Escravatura mas tera que ficar para mais tarde porque nao gosto de parecer repetitivo, gosto de variar nos temas que abordo no blog. Gostaria tambem de escrever com mais frequencia, uma Cronica ou Conto Breve por semana seria o ideal mas o meu trabalho nem sempre o permite.

Fico-me por aqui por enquanto abraco, obrigado por continuar a seguir o meu blog e as minhas cronicas, ate a proxima.

                                                                                                           Manuel Goncalves









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