sábado, 24 de dezembro de 2016

O Nazismo e o Stalinismo, Muito em Comum ou Nada em Semelhante?



O Nazismo e o Stalinismo como se sabe sao duas Ideologias Politicas e igualmente dois Movimento Politicos ambos associados tanto a Adolf Hitler (1889-1945(?) ) no Nazismo como pelo outro lado o Stalinismo como nao podia deixar de ser associado a Josef Vissarionovitch Stalin (1878-1953) embora ambas as ideologias e movimentos nao tenham deixado muitas saudades para a maioria das pessoas a verdade e que nos dias de hoje o Nazismo comeca a ganhar muita forca no Mundo atraves dos partidos de Extrema-Direita.

Quem me conhece sabe que sou defensor do Nacionalismo porem nao de um Nacionalismo como foi o de Hitler com a inferioridade de racas. O Nacionalismo que tenho defendido e aquele Nacionalismo que defende a cultura, as tradicoes e costumes de cada pais dentro do proprio e os grupos de imigrantes que estao em minoria por muito que lhes custe terao que se acostumar a isso. Nao posso aceitar que o Samba esteja a retirar o lugar ao Fado ou que num bairro tradicional de Lisboa se entre dentro de um Centro Comercial e nao se possa com o forte cheiro a caril que paira la dentro, isso e o que penso do Nacionalismo. Quem vem de fora tem que aceitar as culturas e tradicoes seculares que fazem parte da historia do pais de onde estao agora e mesmo tendo o direito de nao esquecer as suas nao podem as querer impor a forca.

E sabido que Hitler e Stalin se conheciam e que compartilhavam algumas ideias semelhantes. Hitler e Stalin chegaram a defender as mesmas ideias e ate foram fortes aliados um do outro mas sera que isso e o suficiente para se dizer que o Nazismo e o Stalinismo sao semelhantes em grande parte dos seus ideais?


Varios foram ja os autores que realizaram comparacoes entre o Nazismo e o Stalinismo, nas quais procuravam saber se as duas ideologias eram semelhantes ou diferentes, xom essas conclusoes segundo alguns acabaram por afectar a compreensao da Historia no Seculo XXI, que relacoes existia entre os dois regimes politicos e porque ambos tiveram proeminencia ao mesmo tempo. As respostas a todas as perguntas acabam por ser disputadas.

Durante o Seculo XX, a comparacao entre o Stalinismo e o Nazismo foi feita sobre os temas Totalitarismo, ideologia e personalidade. Ambos os regimes foram vistos em contraste com o Ocidental Liberal, com enfase nas semelhancas entre os dois, enquanto por seu lado as diferencas foram minimizadas.

Hannah Arendt (nascida Johanna Arendt 1906-1975), Carl Joachim Friedrich (1901-1984) e Zbigniew Kazimierz Brzezinski (1928), eram fortes defensores proeminentes dessa interpretacao totalitaria, mas o modelo Totalitario foi questionado, em 1970, por cientistas politicos que procuraram entender a antiga Uniao Sovietica (1917-1991) em termos de modernizacao e pelos historiadores funcionalistas Martin Broszat (1926-1989) e Hans Mommsen (1930-2015), os quais argumentavam que o Regime Nazista tinha o problema de ser muito desorganizado para ser considerado Totalitario. A comparacao entre Stalinismo e o Nazismo, que foi realizada em uma base teorica por cientistas politicos durante a Guerra Fria (1945-1991), agora e abordada com base em uma Pesquisa Empirica, pois mais informacoes estao disponiveis. No entanto, continua a ser um campo negligenciado de estudos academicos.

Embora o Partido Nazista Alemao (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes - NSDAP) fosse ideologicamente contrario ao Comunismo, Adolf  Hitler assim como ainda outros lideres nazistas frequentemente expressaram o reconhecimento de que so na Russia Sovietica os seus homologos revolucionarios e ideologicos podiam ser encontrados. Adolf Hitler nao so admirava Stalin como admirava igualmente o Stalinismo. Em numerosas ocasioes, Hitler elogiou publicamente Stalin e ele via o Stalinismo de forma positiva, como uma busca de purificacao do Partido Comunista da Uniao Sovietica (PCUS) de influencias judaicas, observando a purga de judeus comunistas como eram Leon Trotski (nascido Lev Davidovich Bronstein (1879-1940), Grigori Evseievíteh Zinoviev (nascido Ovsei-Gershon Aronovich Radomyslsky (1883-1936), Lev Borisovich Kamenev (1883-1936) e Karl Berngardovitch Radek (1885-1939).

O Stalinismo e o Nazismo enfatizaram mutuamente a importancia da Biopolitica Utopica, especialmente no que dizia respeito a reproducao. Essa enfase por si nao era unica, pois muitos outros paises europeus praticavam a Eugenia naquele momento e os ideais stalinistas e nazistas eram muito diferentes. Afirma-se que o Nazismo baseava-se numa "falsa biologia". A semelhanca fundamental era a ligacao das politicas de reproducao com objectivos ideologicos do Estado.

Havia porem igualmente, diferencas substanciais entre as abordagens dos dois regimes. Pois nunca a Uniao Sovietica de Stalin apoiou a Eugenia oficialmente como os nazistas fizeram - o Governo Sovietico chamava a Eugenia de uma ciencia fascista (ou "Pseudociencia burguesa"). No entanto, realmente existiam eugenistas sovieticos. Os dois regimes tambem tiveram abordagens diferentes acerca da familia e do trabalho renumerado - o Nazismo promoveu a familia de um unico homem provedor, enquanto o Stalinismo promoveu a dupla responsabilidades para os casais.

A Alemanha Nazista (1933-1945), a Uniao Sovietica (1922-1991) e a Italia Fascista (1922-1943) estavam todas muito preocupadas com as baixas taxas de natalidade. As politicas reprodutivas da Uniao Sovietica e da Alemanha Nazista foram administradas por meio dos seus sistemas de saude. Ambos os regimes viram os cuidados de saude como um pilar fundamental para os seus projectos de desenvolvimento de uma nova sociedade.

Enquanto a Uniao Sovietica tinha a concepcao de um Sistema de Saude Publica a partir do zero, a Alemanha Nazista o havia construido sobre o Sistema Publico de Saude preexistente na Alemanha, que tinha sido desenvolvido desde de 1883 pela legislacao de Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schonhausen (1815-1898), o qual criou o primeiro Programa de Saude Publica Nacional do Mundo, e desde entao os cuidados de Saude Publica tinham aumentado dramaticamente em escopo.

Os nazistas centralizaram o Sistema de Saude Alemao a fim de fazer cumprir componentes ideologicos nazistas. Eles substituiram voluntarios e agencias sociais do governo que ja eram existentes anteriormente por outros, que foram dedicados a higiene racial e outros componentes da Ideologia Nazista. O Partido Comunista da URSS abracou a Eugenia em 1920, com a Fundacao da Sociedade de Eugenia Russa, seguida no ano seguinte Fundacao da Mesa da Eugenia na Academia Sovietica de Ciencias.

Tanto o Stalinismo como o Nazismo utilizaram a violencia em massa. Tanto a Uniao Sovietica stalinista como a Alemanha nazista utilizaram campos de concentracao que eram liderados por agentes do Estado (NKVD na Uniao Sovietica e SS na Alemanha nazista). Ambos os regimes estavam envolvidos em violencia contra os grupos que formavam minorias raciais com bases em xenofobia. A violencia xenofoba dos nazis era franca, mas racionalizada sob forma de actos contra elementos antissociais, enquanto a violencia xenofoba dos stalinistas estava disfarcada sob forma de actos contra elementos socialmente perniciosos, um termo que visava nacionalidades de diasporas.

Tanto a Uniao Sovietica de Stalin como a Alemanha Nazista eram sociedades violentas, onde a violencia em massa havia sido aceite pelos proprios estados, como no Grande Terror (1937-1938) na Uniao Sovietica e no Holocausto (1939-1945) na Alemanha Nazi e nos seus territorios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A Uniao Sovietica Stalinista estabeleceu os chamados assentamentos especiais, para onde viriam a ser expulsos os socialmente prejudicados ou considerados socialmente perigosos, que incluiam ex-presidiarios, criminosos, vagabundos, despriviligiados e elementos desclassificados. Os assentamentos especiais estavam em grande parte na Siberia, no Extremo Norte, nos Montes Urais ou em outros territorios inospitos.

Em Julho de 1933, a Uniao Sovietica fez uma prisao em massa de 5000 romenos, com base em sua etnia, os quais foram deportados nesse mes para assentamentos especiais na Siberia Ocidental. Em 1935, a Uniao Sovietica prendeu 160.000 pessoas desabrigadas e delinquentes juvenis e enviou muitas delas para campos de trabalho do NKVD, onde tinham que fazer trabalhos forcados.

Similar ao Nazismo, o Stalinismo, na pratica da Uniao Sovietica, realizou deportacoes etnicas de 1930 ate inicio de 1950, com um total de 3 milhoes de cidadaos sovieticos, que estavam sendo submetidos ao reassentamento com base etnica. A primeira grande deportacao etnica ocorreu entre Dezembro de 1932 e Janeiro de 1933, durante a qual cerca de 60.000 cossacos de Kuban foram colectivamente criminalizados com associacao a resistencia ao Socialismo e a afiliacao ao Nacionalismo Ucraniano.

Entre 1935 e 1936, a Uniao Sovietica deportou cidadaos sovieticos de origem alema e polaca que viviam em bairros ocidentais da Ucrania e cidadaos sovieticos de origem finlandesa que viviam na fronteira da Uniao Sovietica com a Finlandia. Essas deportacoes afectaram dezenas de milhares de familias de Setembro a Outobro de 1937. As autoridades sovieticas deportaram a minoria coreana  da sua Regiao do Extremo Oriente na fronteira com a Coreia, que era controlada pelos japoneses. As autoridades sovieticas apontaram o territorio como um Solo rico para os japoneses lavrarem - o que implica a suspeita sovietica de que os coreanos poderiam unir forcas com os japoneses.

Mais de 170.000 coreanos foram deportados para zonas remotas da Asia Central sovietica entre Setembro e Outobro de 1937. Essas deportacoes baseadas etnicamente reflectiam uma nova tendencia na Politica Stalinista de Xenofobia sovietica, com base em fundamentos ideologicos, a suspeita de que essas pessoas eram suscetiveis a influencia capitalista estrangeira e com base em um Nacionalismo Russo ressurgente.

Apos a Alemanha Nazista ter declarado guerra contra a Uniao Sovietica, em 1941, esta iniciou uma grande serie de deportacoes etnicas. O primeiro grupo-alvo eram alemaes sovieticos. Entre Setembro de 1941 e Fevereiro de 1942, 900 mil pessoas - mais de 70 por cento de toda a comunidade alema sovietica - foram deportados para o Cazaquistao e para a Siberia em operacoes de massa.

A segunda serie de deportacoes em massa ocorreu entre Novembro de 1943 e Maio de 1944, altura em que as autoridades sovieticas expulsaram seis grupos etnicos (balcares, chechenos, tartaros da Crimeia, inguches, karachais e calmucos), o que veio a totalizar 900.000 pessoas. Tambem se fizeram operacoes embora em menor escala, que envolveram a limpeza etnica das minorias da diaspora durante e ate apos a Segunda Guerra Mundial, nas quais dezenas de milhares de bulgaros da Crimeia, gregos, iranianos, khemshils, curdos, turcos e meskhetianos foram deportados do Mar Negro e das regioes da fronteira transcaucasia.

Dois grupos etnicos que foram especificamente orientados para a perseguicao pela Uniao Sovietica de Stalin foram os chechenos e os inguches. Ao contrario das outras nacionalidades, que poderiam ser suspeitas de conexao com outros estados estrangeiros, os chechenos e os inguches eram pessoas completamente nativas da Uniao Sovietica. Em vez disso, o Governo Sovietico alegou que a Cultura desses povos nao se encaixava com as da Uniao Sovietica como um todo - com os chechenos sendo acusados de estarem associados ao banditismo - e afirmou que o governo teve que intervir a fim de recriar e reformar a cultura dos mesmos.

Em termos praticos, isso significava e levava operacoes punitivas fortemente armadas, realizadas contra chechenos considerados "bandidos" que nao haviam conseguido realizar a assimilacao forcada, resultando em que as autoridades competentes sovieticas, em 1944, realizaram uma enorme operacao de limpeza etnica, na qual foram presos e deportados mais de 500.000 chechenos, e inguches do Caucaso para a Asia Central e o Cazaquistao, a fim de se "aliviar" as minorias russas (30 por cento da populacao) da Chechenia-Inguchia.

A deportacao dos chechenos e inguches tambem envolveu o massacre directo de milhares de pessoas e as condicoes impostas sobre os deportados eram severas - eles foram colocados em vagoes de comboios sem cobertura, com pouca ou ate em alguns casos sem nenhuma comida, para realizarem uma viagem que demorava quatro semanas e que durante a qual muitos morreram de fome ou de exaustao. A principal diferenca entre as deportacoes nazistas e stalinistas estavam sobretudo na sua intencao e proposito: enquanto a Alemanha Nazista realizava as limpezas etnicas para produzir a purificacao do seu territorio, a Uniao Sovietica de Stalin realizava a limpeza etnica com uma intencao final de remover as minorias de areas estrategicamente importantes.

Obras de historiadores, como os alemaes Ernest Nolte (1923-2016) e Andreas Fritz Hillgruber (1925-1989) entre outros na decada de 1980, compararam as politicas de Adolf Hitler e Josef Stalin e tracaram um paralelo entre o sistema de campos de concentracao na Uniao Sovietica e na Alemanha Nazista. Alguns estudiosos que se ocuparam com o caso defendem a tese de que os campos de concentracao nazistas foram claramente inspirados no modelo do sistema Gulag sovietico.

Margarete Buber-Neumann (1901-1989) disse em suas memorias que tanto os campos de concentracao comunistas (1937-1940) como os nazistas (1940-1945) em que ela propria esteve tinham metodos muito similares. Depois que foi Prisioneira de um Campo de Concentracao de Ravensbruck ela resumiu suas observacoes da seguinte forma:

"Entre os crimes de Hitler e os de Stalin, na minha opniao, nao existe apenas uma diferenca quantitativa. Para ter a certeza, o Comunismo como uma ideia originalmente era positiva, e o Nacional-Socialismo nunca foi positivo; ele foi, desde a sua origem e desde o seu inicio, criminoso em seus objectivos e em seu programa. Eu nao sei se a ideia Comunista, se sua teoria, ja continha uma falha basica ou se so a pratica sovietica sob Stalin traiu a ideia original e estabeleceu na Uniao Sovietica uma especie de Fascismo". (Em Dois Ditadores, Pagina 300, Codigo 6456, Edicao Kindle).


Tanto o Stalinismo como o Nazismo compartilharam uma visao ideologica de criacao de um tipo de "Homem Novo", ambos identificando o Mundo Burgues, o Mundo Velho, como obsoleto, e ambos envolvendo uma rejeicao total do Liberalismo, bem como dos direitos e das liberdades individuais, pretendendo criar uma sociedade nova e Antiliberal. Essa visao do Homem Novo diferiu entre eles: os stalinistas concebiam o Novo Homem que, necessariamente, envolveria a libertacao de toda a Humanidade, uma meta Global e nao Etnica. Por seu lado os nazistas concebiam o Novo Homem como uma raca superior (Ubermensch ou "super-homem") que organizaria uma nova hierarquia racial na Europa. Estudiosos argumentam que, enquanto o Nazismo baseava-se numa falsa Biologia, o Comunismo por sua vez apoiava-se numa falsa Sociologia.

Tanto a Uniao Sovietica sob Stalin como a Alemanha Nazista exibiram militarismo. Ambas colocaram uma grande enfase na criacao de um Partido-Exercito, com as forcas armadas regulares a serem controladas pelo partido, como os comissarios politicos da Uniao Sovietica e os equivalentes oficiais de orientacao Nacional-Socialista em 1943. Evidencias historicas indicam que, o III Reich (Alemanha Nazista) so conseguiu construir sua nova Wehrmacht ("Forca de Defesa", Forcas Armadas) gracas a uma ajuda decisiva da URSS. E que a NKVD sovietica treinou oficiais da SS Nazista. Existiu uma real possibilidade de a URSS tornar-se uma quarta Potencia do Eixo.

O Historiador Conan Fischer (1951) argumenta que os nazistas eram sinceros em seu uso de adjectivo "Socialista", que eles o viam como inseparavel do adjectivo "Nacional" e o sentiam como um Socialismo da raca-mestre, em vez do Socialismo dos desfavorecidos e oprimidos em busca de justica e igualdade de direitos. No entanto, ambas as ideologias defenderam a teoria da nacao proletaria (Have-not, Proletarian-Nation). Lenin iria adopta-la somente depois dela ter sido introduzida na Italia.

Alem disso, Hitler, por razoes tacticas, tinha retoricamente usado cliches socialistas na plataforma do Partido em 1920. Segundo tambem o Historiador britanico George Grimes Watson (1927-2013): "Ele [Hitler] declarou que tinha aprendido muito do Marxismo, por ler Karl Marx (1818-1883). Que todo o Nacional-Socialismo foi, doutrinadamente, baseado nele". Na verdade, muitos paragrafos do programa do Partido eram obviamente apenas um apelo demagogico ao humor das classes mais baixas, usando slogans socialistas, que foram colocados por insistencia de Anton Drexler (1884-1842) e de Gottfried Feder (1883-1941), os quais aparentemente acreditavam no Socialismo do Nacional-Socialismo. Na pratica, esses pontos nao passavam de meros slogans, a maioria deles esquecidos quando o Partido chegou ao poder. O Lider Nazista mais tarde viria a ser constrangido quando se lembrasse de alguns deles. Enquanto isso Stalin era consistente em sua implementacao da completa nacionalizacao e comunizacao do Pais.

Em o Livro Negro do Comunismo Stephane Courtois (1947) um Historiador especializado em Comunismo afirmou que o Regime Nazista adoptou o sistema de repressao da Uniao Sovietica, em particular do sistema Gulag, e que a repressao durante a era sovietica foi semelhante a das politicas do Nazismo. Courtois considera o Comunismo e o Nazismo sistemas totalitarios embora ligeiramente diferentes. Ele afirmou que "mais recentemente um foco unico sobre o Genocidio Judeu, na tentativa de caracterizar o Holocausto como uma atrocidade unica, tambem impediu a avaliacao de outros episodios de magnitude comparavel no Mundo Comunista". O famoso e reconhecido Historiador afirmou que o genocidio de uma Classe pode muito bem ser o mesmo que o genocidio de uma Raca e que a morte de uma crianca por fome na URSS era igual a morte de criancas judias num gueto de Varsovia.

A abordagem de Courtois foi rejeitada por Annette Wieviorka (1948) ela afirma que Courtois tenta substituir a memoria do Comunismo pela memoria dos crimes nazistas e transferir contas das atrocidades nazistas. O Historiador e Professor de Historia Sovietica Amir Weiner (1961) fez objecoes aos argumentos de Courtois. Ele ressalta que a maquina do exterminio de quatro anos da Alemanha Nazi, parada apenas pela derrota militar, ainda ofusca qualquer outra calamidade, mesmo quando o numero de vitimas e a principal preocupacao, e que os camponeses na Russia  nao foram de todo alvo para exterminio como eram os judeus e outras categorias raciais-biologicas no Mundo Nazista.

Weiner afirma que a comparacao dos nazistas com os sovieticos e uma falha, pois, quando os sucessores de Stalin abriram as portas dos gulags, eles permitiram que 3 milhoes de presos pudessem voltar para casa livremente. Quando os Aliados da Segunda Guerra Mundial libertaram os campos de exterminio nazistas, eles encontraram milhares de esqueletos humanos semimortos, aguardando o que sabiam ser a inevitavel execucao. O Economista e Comunista Steven R. Rosefielde (1942) usou o termo "Holocausto Vermelho" para a repressao nos estados comunistas.

Sobre os genocidios praticados pelos regimes marxistas George Watson tambem afirma:

"Eu nao sei se muitas pessoas sabem, mas so o Socialismo advogou genocidio nos seculos XIX e XX. E um facto bastante desconhecido e parece chocante se voce mencionar. Eu lecionei aqui (Universidade de Cambridge) e em outras universidades e sempre houve um certo sentido de choque. Primeiro apareceu em Janeiro de 1849, no Jornal de Marx, Neue Rheinische Zeitung (Nova Gazeta Renana - NGR) Friedrich Engels (1820-1895), escreveu:

"Quando a Revolucao Socialista acontecer, a guerra de classes, havera sociedades primitivas na Europa dois estagios atras, porque nem sequer sao Capitalistas ainda".

Ele tinha em mente os bascos, bretoes, escoceses e servios. Chamava-os de Volkerabfalle ("Lixo Racial"). E eles teriam que ser exterminados porque estando dois estagios atras na luta historica, seria impossivel traze-los ao nivel dos revolucionarios. Marx foi o predecessor do modelo politico do genocidio. Eu nao conheco nenhum pensador europeu num periodo anterior a Marx e Engels tenha publicamente advogado um exterminio racial. Eu nao consigo achar mais nada antigo, entao presumo que comecou com eles".

Nao obstante, trata-se de opniao baseada em trecho do texto "The Magyar Struggle", publicado na Neue Rheinische Zeitung em 13 de Janeiro de 1849, que descreve factos historicos relacionados a dinamica das migracoes sob uma perspectiva hegeliana. No texto, Engels cita a expressao "Volkerabfalle" como uma expressao usada por Hegel para se referir aos remanescentes de populacoes nativas dominadas por povos e culturas estrangeiras sujeitas ao exterminio ou assimilacao.


Ha uma longa tradicao de Fascismo e Comunismo, ou, mais especificamente, de Nazismo e de Stalinismo sendo comparados um ao outro. Na Decada de 1920, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), sob a lideranca do Chanceler da Alemanha Hermann Muller (1876-1931), adoptou a visao de que "vermelho e igual ao marrom", ou seja, de que os comunistas e nazistas eram perigosos iguais a Democracia Liberal. Kurt Ernst Carl Schumacher (1895-1952) disse que os dois movimentos eram iguais. Ele argumentou que o Partido Comunista da Alemanha, que era ferrenhamente Stalinista, era feito de nazistas pintados de vermelho. Essa comparacao foi espelhada pela teoria de que a Social-Democracia foi uma das muitas formas de fascismo, junto com o Nazismo e outras ideologias.

Um trabalho de Hannah Arendt nascida Johanna Arendt (1906-1975), Origens do Totalitarismo (1951), descreve e analisa os dois principais movimentos totalitarios do Seculo XX, o Nazismo e o Comunismo. Ela conclui que tanto o Nazismo como o Comunismo eram movimentos totalitarios que buscaram eliminar todas as restricoes sobre o poder do Estado. Um grande numero de instituicoes de pesquisa estao se concentrando na analise comparada do Fascismo/Nazismo e do Stalinismo/Comunismo, incluindo o Instituto Hannah Arendt para a Pesquisa sobre o Totalitarismo na Alemanha, o Instituto Para o Estudo dos Regimes Totalitarios da Republica Checa e o Instituto da Memoria Nacional da Polonia.

Esta questao por muito tempo provocou controversia politica e levou a disputas de historiadores na Alemanha na Decada de 1980. O debate continuou depois da dissolucao da Uniao Sovietica e da expansao da Uniao Europeia para o ex-territorio da Uniao Sovietica, resultando em pronunciamentos como a Declaracao de Praga (2008) sobre Consciencia Europeia e Comunismo e varios desenvolvimentos relacionados, conhecidos como o Processo de Praga, apoiados principalmente pelos membros da Uniao Europeia mais afectados pelo Stalinismo.

Depois das revolucoes de 1989, organismos europeus, como a Uniao Europeia e a Organizacao para a Seguranca e Cooperacao na Europa (OSCE), estao cada vez mais tratando e considerando o Nazismo e o Stalinismo (ou as vezes de forma mais ampla, o Fascismo e o Comunismo) como duas formas comparaveis de Totalitarismo. Foram feitos esforcos crescentes para ligar os dois sistemas em museus, monumentos publicos, dias comemorativos e eventos.

A Declaracao de Praga sobre Consciencia Europeia e Comunismo, em 2008, iniciada pelo Governo Checo e assinada por figuras como Vaclav Havel (1936-2011), chamada de "abordagem comum sobre os crimes dos regimes totalitarios e dos regimes comunistas". com o objectivo de "chegar a um entendimento inteiramente europeu de que tanto o Nazismo como os regimes totalitarios comunistas devem ser julgados por seus proprios meritos terriveis, destrutivos em suas politicas de aplicacao sistematica de formas extremas de terror, suprimindo todas as liberdades civis e humanas a partir de guerras agressivas e, como uma parte inseparavel de suas ideologias, exterminando e deportando nacoes inteiras e grupos populacionais; e que, como tal, devem ser considerados os principais desastres que arruinaram o Seculo XX.

O Partido Comunista da Grecia (KKE) se opos a Declaracao de Praga e criticou "a nova escalada da Histeria Anticomunista, liderada pelo Conselho da Uniao Europeia, pela Comissao Europeia e pelo pessoal politico da Classe Burguesa no Parlamento Europeu". O Partido Comunista da Gra-Bretanha (CPGB) foi da opniao que a Declaracao de Praga "e uma repeticao das tentativas persistentes de historiadores reacionarios para equiparar o Comunismo Sovietico ao Fascismo Hitlerista, ecoando as antigas calunias dos autores britanicos, como foram as do Socialista Eric Arthur Blair (1903-1950) mais conhecido pelo seu pseudonimo George Orwell, ou de George Robert Ackworth Conquest (1917-2015)".

A Declaracao de Vilnius da Organizacao para a Seguranca e Cooperacao na Europa (OSCE), "reconhecendo a singularidade do Holocausto", afirmou que "no Seculo XX, os paises europeus tiveram dois grandes regimes totalitarios, o Nazista e o Stalinista, o que provocou genocidio, violacoes dos direitos humanos e das liberdades, crimes de guerra e crimes contra a humanidade". O Jornal The Economist argumentou que "apesar dos protestos da Russia, Stalin nao era menos Vilao do que Hitler, mas observou: "O debate nao vai mudar o Mundo: a Assembleia Parlamentar e apenas um espaco de debate dos bastidores dos 56 membros da OSCE. Suas resolucoes nao sao juridicamente vinculativas". Em 2005, a Organizacao das Nacoes Unidas (ONU) designou o Dia 27 de Janeiro como o Dia Internacional da Lembranca do Holocausto. Desde 2009, a Uniao Europeia oficialmente comemora o Dia Europeu da Memoria das Vitimas do Estalinismo e do Nazismo tambem conhecido como "Dia da Fita Preta" o tambem conhecido  Dia Europeu da Memoria das Vítimas do Comunismo e Nazismo e celebrado em 23 de Agosto em alguns paises, proclamado pelo Parlamento Europeu em 2008 e apoiado pela Organizacao para a Seguranca e Cooperacao na Europa, em 2009, e oficialmente conhecido como o Dia da Fita Preta em alguns paises como o Canada.

O Presidente do Parlamento Europeu Hans-Gert Pottering (1945), argumentou que "os dois sistemas totalitarios (Stalinismo e Nazismo) sao comparaveis e terriveis". Em alguns paises da Europa Oriental, a negacao dos crimes fascistas e comunistas foi explicitamente proibida e o Ministro dos Negocios Estrangeiros checo, Karel Schwarzenberg (1937), argumentou que "ha uma preocupacao fundamental aqui de que os sistemas totalitarios sejam medidos pelo mesmo padrao". No entanto, a Comissao Europeia rejeitou os apelos para uma legislacao semelhante a da UE, devido a falta de consenso entre os estados-membros.

A Uniao Europeia estabeleceu a Plataforma da Memoria e Consciencia Europeia, um projecto educacional proposto inicialmente pela Declaracao de Praga, para promever a avaliacao igualitaria de crimes totalitarios na Europa. Varios estados-membros da UE estabeleceram agencias governamentais e institutos de pesquisa com a tarefa de avaliacao dos crimes totalitarios, que tracaram paralelos entre o Nazismo e o Stalinismo ou entre o Fascismo e o Comunismo.

Estes mesmos institutos incluem o Instituto Tcheco de Estudo dos Regimes Totalitarios, O Instituto Polaco da Memoria Nacional, a Comissao Internacional da Lituania para a Avaliacao dos Crimes de Ocupacao dos Regimes Nazista e Sovietico na Lituania e o Museu Casa do Terror na Hungria.Um grupo representante de todos os partidos do Parlamento Europeu, o Grupo de Reconciliacao de Historias Europeias, foi formado para promover a sensibilizacao do publico para os crimes de todos os regimes totalitarios no ambito da UE.

A declaracao aprovada pelo Parlamento da Russia (Assembleia Federal da Russia) disse que as comparacoes do Nazismo e do Stalinismo sao "blasfemas para todos os veteranos antifacistas do movimento, as vitimas do Holocausto, os prisioneiros dos campos de concentracao e as dezenas de milhoes de pessoas... que sacrificaram suas vidas em prol da luta contra a teoria racial anti-humana dos nazistas.


Quase a finalizar nao vou opniar muito sobre o tema ate porque ainda nao o estudei profundamente. Uma coisa e certa no entanto em relacao ao Nazismo nada me leva a crer que os judeus pelo que fazem hoje na Palestina e em Israel sejam assim tao vitimas e inocentes do Holocausto.

Penso que houve muitas semelhancas mas num modo geral o Nazismo foi o Nazismo e o Stalinismo foi o Stalinismo. Ambos acabaram por ter atitudes que fizeram parte da Historia Universal muitas vezes pela polemica que causaram. No entanto pergunto se nao e de um modo geral uma atrocidade tambem quando um Estado, um Governo leva diariamente o pais para o abismo, para a miseria, onde o povo ja passa necessidades e por vezes morre de fome. A diferenca que existe e que isso se vai fazendo aos poucos com o passar dos anos com um mau Governo enquanto Hitler e Stalin matavam aos milhares de uma so vez.

Caro(a) leitor(a) o tema sem duvida e polemico os proprios especialistas ainda hoje o discutem procurando chegar a uma conclusao que seja satisfatoria para todos o que nem sempre e facil e por vezes mesmo impossivel. A terminar espero que a mesma cronica tenha sido do seu inteiro agrado e aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os leitores tambem acrescento se nao escrever mais nada ate la quero desejar um Feliz Ano Novo 2017, obrigado por estarem comigo.

                                                                                                             Manuel Goncalves









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