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domingo, 8 de março de 2026

As Meninas do Coronel



Coronel Antonio Manuel Santos Pereira era um portugues que viera para o Brasil e que se tornara dono de muitas terras, ali em terras de Vera Cruz. Suas fazendas eram maiores que muitas cidades do seu Portugal, do seu Portugal que ele deixara para tras depois de atravessar o oceano e ao qual nunca mais retornara e nao tinha vontade de o fazer.

Antonio Pereira era dono de todas aquelas terras e muito poderoso, nao havia ali quem tivesse a coragem de desafiar o Coronel, ate porque sabiam que o homem era um homem muito poderoso, e ate bastante justo mas muito severo com quem tinha a ousadia de o desafiar. Todos os escravos e escravas que tinham tido a ousadia e coragem de o fazer tinham acabado sem vida no tronco.

O Coronel era um homem viuvo ja por quase vinte anos mas nao totalmente solitario. Depois de enviar o filho para estudar e se formar em Portugal criara o estranho habito de se envolver com as suas escravas mais jovens e belas, tinha sido ele a desflora-las mantendo sempre o cuidado de nao as engravidar.

Antonio Pereira quando se interessava por uma das suas escravas mandava o seu Capataz ir busca-la a senzala e leva-la ate a casa grande, logo depois eram banhadas, limpas e preparadas por Gloria a governanta da casa grande e vestidas com roupas decentes, de seguida eram levadas ate ao quarto do Coronel e ai tinham o destino que todos devem imaginar.

Algumas ficavam com o Coronel ate ele se cansar, encontrar outro virgem e quando o Coronel assim entendia mandava-as de volta para a Senzala ou simplesmente as mandava para outra das suas casas e fazendas, por vezes quando as mesmas se revoltavam com a forma como tinham sido tratadas e jogadas fora simplesmente eram vendidas para outro Fazendeiro, para outro Coronel nao tao poderoso e influente como Antonio Manuel Santos Pereira.

Por impossivel que possa parecer algumas das jovens escravas da senzala tinham o sonho, desejo de serem escolhidas sabiam que isso lhes ia permitir muitos direitos especiais, seriam tratadas de forma diferente e algumas ate podiam conseguir ganhar a liberdade. Antonio chegara a ter em alguns casos decidido alforrear a escrava com quem tivera envolvimento intimo como acontecera com Gloria. 

As jovens escravas quando ele as observava faziam por parecer chamar a atencao do Coronel para verem se as mesmas eram escolhidas. Sabiam que enquanto agradassem ao mesmo nao iriam ter que trabalhar como escravas. Seriam escravas sem realmente o serem como as outras tais que nao eram escolhidas. Teriam o direito a viverem, dormirem na casa grande sem terem que passar a noite na senzala, nao teriam que ir para a lavoura do cafe, para o corte da cana, nao teriam que ser forcadas a trabalharem no duro e nem seriam chicoteadas quando o corpo estivesse mais fraco e nao conseguissem trabalhar.

Chegara a fazenda e logo se recolhera na casa grande um conhecido negociante de escravos. Isso queria dizer que se o mesmo conseguisse fazer negocio com o Coronel em breve estariam ali novos escravos robustos e corpulentos, homens fortes como o Coronel gostava que seus escravos fossem porque o trabalho era duro. Viriam tambem escravas sobretudo jovens que de pouco serviam para o trabalho da lavoura e na casa grande ja existiam escravas suficientes fazendo o trabalho domestico, talvez uma ou outra servissem, agradassem ao Coronel Antonio Pereira para serem as proximas escravas a passarem por sua cama.

Antonio Pereira procurava por uma Escrava que tivesse a pele o mais clara possivel e nao era dificil de encontrar porque nao era ele o unico Coronel a usar a escravas para seus prazeres e necessidades sexuais, a diferenca e que ele nao aceitara nunca que uma das suas escravas ficasse gravida dele. Queria comprar uma bela mulata ou parda que fosse o mais bela possivel. Nao seria para si, estava interessado em comprar uma Escrava assim que fosse tambem virgem para oferecer ao seu filho para a usar quando o mesmo chegasse ja formado e sendo um Doutor em Direito.

Henrique o filho do Coronel Antonio Pereira teria que ser para o Pai alguem que viesse a ter um cargo politico deveras importante alem de ter como seu destino vir a gerir todo aquele patrimonio, toda aquela fortuna que ele hoje tinha. Ele queria que seu unico filho fosse conhecido nao apenas por Henrique Pereira filho unico do poderoso e influente Coronel Antonio Pereira.

Dias depois da visita daquele negociante de escravos chegara a herdade principal do coronel Antonio Pereira uma grande comitiva com mais de cinquenta negros como o Coronel gostava, gente forte para o trabalho duro da lavoura e meia duzia de negras para o trabalho mais leve da lavoura, para trabalharem na casa grande e para com sorte por uns tempos serem a interessada do Coronel.

Antonio Pereira observara a comitiva e estava feliz com a mercadoria de escravos que o amigo lhe enviara. Tinham sido pagos por um bom preco mas tinham aspecto de quem lhe iam render muito com o seu trabalho, entretanto era preciso ver se quais os escravos Antonio ia agora vender. Aquilo era como um jogo em que quando um Escravo ficasse doente ou chegasse a velho era vendido para fazendeiros com menores condicoes ou ate por baixos precos para casas de familias nobres ou com condicoes de comprar um Escravo e de sustenta-lo.

Parara tudo no pensamento do Coronel quando vira aquela escrava morena, quase branca mas com os tracos ainda de mulheres negras. Aquela jovem que estava nos ultimos lugares da fila era sem duvida a ideal para ele presentear o filho e com muita pena sua nao ia poder ser ele a estrea-la oficialmente.

O Coronel aproximou se perguntou-lhe o nome, e se sabia a sua idade. Era dificil saber a idade de alguns escravos ja que os mesmos nao eram registados a nascenca e ai muitas vezes a unica forma possivel era acreditar se na palavra do mesmo Escravo.

- Meu nome e Gabriela senhor e tenho 16 anos senhor.
- Pois muito bem Gabriela ficaras a trabalhar na casa grande, antes disso vou dar ordens que te tratem e te arrumem, gosto que as escravas da casa grande estejam apresentaveis.
- Sim meu senhor.

Gabriela fora levada e depois de lhe darem um bom banho e um vestido decente estava ainda mais bela. O Coronel nao se cansava de a observar e trocava algumas palavras com ela sempre que possivel. Como imaginara Gabriela era filha de uma mulata e seu pai era um Fazendeiro branco que acabara por recusar assumir aquela filha ao contrario disso para se livrar de ambas vendera a mae e filha sem que nunca mais tivesse qualquer contacto com as mesmas. O Coronel foi ouvindo as historias da jovem Escrava e tinha realmente pena de nao ser ele o primeiro a usa-la, ja sabia que a mesma era virgem, foi-se afeicoando a mesma e dava-lhe ate muito privilegios, no fundo ele era um homem com sentimentos e sensivel, era ate um bom homem comparado com muitos outros coroneis ao redor. Os escravos ate gostavam dele, sabiam que desde que trabalhassem nada lhes acontecia, eram bem alimentados, o Coronel assim o exigia, nao queria sonhar que algum Escravo seu estava com fome, as instalacoes na senzala tambem eram boas.

Chegara uma carta a casa grande para ser entregue com urgencia ao Coronel e depois de a ler o mesmo caira em tristeza, ate chorara, nunca ninguem na casa grnade tinha visto o Coronel chorar e estar assim tao triste. Os seus servos mais proximos estavam realmente preocupados com o mesmo sem saber o que se passava, que noticias haviam trazido naquela carta que deixaram o Coronel tao desolado, Antonio Pereira por alguns dias raramente saira do quarto e mal comia os seus servos mais proximos estavam realmente preocupados com o mesmo mas ninguem se atrevia a perguntar ao Coronel o que se passava, o que tinha ele? Os criados mais antigos so se lembravam de o ter visto assim quando morrera sua esposa e quando o filho partira para estudar em Portugal.

A verdade e que Henrique Pereira o filho do Coronel, aquilo que ele mais amava na vida a caminho do Brasil e no meio do oceano apanhara uma febre de uma epidemia que andava a matar muitos escravos que vinham no oceano e depois de apanhar essa epidemia o jovem filho do Coronel Pereira foi ficando cada vez mais doente e nao conseguira resistir a doenca, nao conseguira recuperar-se daquela epidemia e viera a falecer, os seus restos mortais, ou seja o seu corpo acabara por ser jogado as aguas do oceano.

Durante muito tempo o Coronel nao aceitara sequer que abrissem as janelas para a casa tomar ar fresco, nem via a luz do dia e estava afastado dos negocios e ate os proprios escravos lamentavam o seu estado.

O Coronel pensava em voltar a Portugal onde ainda tinha alguma familia, mas quem iria ficar a cuidar de toda a sua riqueza, do seu imperio. Ele tornara-se o Rei do Cafe no Brasil e agora tinha uma enorme fortuna, um grande imperio e nao tinha herdeiros, nao tinha a quem deixar a sua fortuna como heranca. O Coronel Pereira sentia que passara uma vida a tentar ter o maximo que pudesse e agora a morte do filho tira-lhe tudo, toda a sua fortuna, imperio tinham partido com a morte de Henrique. Era tarde para pensar em outro herdeiro, estava velho de mais para isso.

Tudo estava contra a essa ideia mas depois de pensar entendera que nao tinha outra solucao, teria que engravidar uma das escravas ou outra mulher qualquer, tinha era que ter um herdeiro mesmo que tivesse ja uma idade avancada, ainda nao chegara aos setenta anos, ainda nao era velho para muita coisa mas era muito velho para ser pai, teoricamente talvez fosse assim mas a realidade teria que ser bem diferente.

Teria de ter um herdeiro mesmo que nao o visse crescer, mesmo que ele morresse antes do filho se tornar homem, adulto. Nao se importaria ate se fosse menino ou menina. Sabia que para ser seu herdeiro nao era preciso que ele vivesse muito tempo, bastaria o filho ter o seu sobrenome, ser um Santos Pereira.

Gabriela colocava a roupa a secar no varal e desde do primeiro dia que ali chegara que trabalhava na casa grande como tinha sido inicialmente ordenado pelo Coronel. Ela gostava de trabalhar na casa grande porque tinha mais liberdade e privilegios que as escravas da senzala nao tinham. O Coronel observa-va a jovem Escrava e sentia que nunca vira uma Escrava tao bonita, nunca lhe tocara, nem ele e nem ninguem mas comecava a sentir esse desejo crescer. Gabriela podia bem ser a escolhida para ser a mae do seu herdeiro embora nao gostasse totalmente que seu filho, um Santos Pereira viesse a carregar o fardo de ter que dizer a todos quando questionado de que era filho de uma Escrava.

A solucao era a seguinte ia propror a Gabriela uma boa proposta se ela aceitasse dar-lhe um herdeiro fosse rapaz ou rapariga ela seria imediatamente alforreada assim que a crianca nascesse e teria optimas condicoes dentro daquela casa. Seria tratada como se fosse sua esposa, ou seja, ela deixaria de ser uma simples escrava (que ja nao era de facto) mas passaria a ter ainda mais privilegios, seria tratada como senhora da casa, seria como se fosse a esposa do coronel e quando ele morresse ela estaria incluida no testamento do mesmo, e com o direito de habitar aquela casa ate a propria morrer alem de herdar quase metade da sua fortuna.

Para Gabriela era uma optima proposta que jamais poderia recusar. Aquela Escrava agora prestes a completar 20 anos se desse um filho, um descendente e herdeiro ao Coronel Pereira seria dona de quase metade de todos os bens do Coronel. Ela tinha que decidir rapido se aceitava aquela proposta. Sabia que o Coronel estava ate a ser benevolente demais porque como seu Dono ele tinha o direito de a usar sem lhe propor nada, ele podia simplesmente usa-la, engravida-la e mesmo que aceitasse o filho como seu deixa-la sem nada porque ela sabia qual era o seu lugar, sabia que era uma simples Escrava. Mas a verdade era outra, ela sabia que o Coronel era um homem de palavra, nao era assim tao rude, mau e severo como os outros coroneis em redor, o Coronel ate tinha um bom coracao. Gabriela sabia igualmente que se ela demorasse muito a responder a proposta do Coronel o mesmo em questao de pouco tempo arranjaria outra Escrava que aceitasse a sua proposta.

A Escrava tomara uma decisao e ia comunica-la ao Coronel. Pediu as mucambas da casa que lhe dessem um bom banho, a deixassem bem perfumada e vestiu a sua melhor roupa. Estava disposta a aceitar a proposta do Coronel mas impunha uma condicao.

Gabriela sabia que o Coronel tinha preferencia por um herdeiro que fosse homem embora tambem aceitasse uma menina se isso viesse a acontecer. A proposta que Gabriela fez a Coronel deixara-o pensativo. Depois de tudo o que ele lhe oferecia, quase metade da sua fortuna, ela ainda lhe impunha uma condicao daquelas.

A condicao de Gabriela e que se ela engravidasse do Coronel, se lhe desse um herdeiro, se o herdeiro fosse um homem ela abdicava de metade da fortuna do Coronel, queria apenas uma renda para sobreviver e um tecto para viver que nao fosse ali. Ela pedia apenas um sustento, uma casa e recusava a parte da fortuna do Coronel mas em caso do herdeiro ser um homem, um macho, ele teria que alforrear todos os seus escravos, todos eles passariam a ser homens e mulheres livres e todos os escravos que o Coronel viesse a comprar seriam imediatamente homens livres. Os escravos que quisessem ficar seriam homens livres e com um ordenado para trabalharem para ele como outra pessoa qualquer.

O Coronel aceitara a proposta mas em caso de ser rapaz ela manteria todos os direitos que ele lhe oferecera, incluindo o de herdar quase metade de tudo o que podia pensar que o Coronel tinha e muito mais que ela nem sonhava pertencer ao mesmo. O Coronel era um dos homens mais ricos e influentes nao so daquelas terras mas do proprio Brasil, ele tinha nome na Corte e era intimo amigo de alguns ministros e conselheiros do Rei, com quem ele proprio tinha ate alguma confianca.

Ela estava preparada. Foi ter com o Coronel ao quarto naquela noite e entrou depois de bater na porta, sem muitas palavras tirou a sua roupa e se deitou na cama se jogando nos bracos daquele homem que ainda era o seu Dono mas que teria que ser o Pai do seu filho.

Por mais de um mes foi assim em muitas noites e momentos de intimidade que pareciam momentos de amor normais.

Ate que ela sentiu uma diferenca no seu corpo e nao era apenas por ter a mestruacao atrasada. Nao tinha duvidas estava gravida e radiante foi dar a noticia ao Coronel.

O Coronel ficou radiante mandou matar um boi e ordenou que os escravos fizessem a melhor Feijoada que soubessem fazer. Mandou tambem chamar um Medico para acompanhar toda a gravidez de Gabriela.

O tempo de gravidez se aproximava do fim e por mais que tentasse esconder a saude, o estado fisico do Coronel ja nao era o mesmo. Estava debilitado e tinham sido muitos e muitos acontecimentos marcantes e pesados nos ultimos anos e ate nos ultimos meses. Ultimamente o Coronel se dedicava praticamente a acompanhar Gabriela nos ultimos tempos de gestacao.

A hora chegara e Gabriela entrara em trabalho de parto o herdeiro do Coronel Santos Pereira acabaria por nascer ali naquela casa que um dia seria sua por heranca do seu Pai.

Entre todas as dificuldades normais de um parto nasceu forte e saudavel. Era um rapaz e isso levaria a que o Coronel viesse a cumprir com o que prometera naquele acordo a Gabriela. Ali naquela fazenda ou em qualquer outra fazenda, casa do Coronel nao haviam mais escravos, estavam todos alforreados e sendo livres poucos foram os que quiseram partir.

O Coronel apesar de ja muito idoso viveu o suficiente para ver Antonio Manuel Santos Pereira Junior partir para estudar em Coimbra de onde regressara vivo e saudavel ao contrario do que acontecera com o seu meio-irmao. Mesmo cada vez mais fraco o Coronel ja quase centenario via naquele filho a sua maior fortuna e sentia que em parte devia isso a Gabriela que mesmo nunca casando com o Coronel sempre lhe fora fiel e jamais o deixara ficar sozinho.

                                                                                                        Manuel goncalves





 



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