Página

terça-feira, 3 de março de 2026

O Esfaqueamento no Centro Ismaili em Lisboa (2023)



Quando termino um trabalho aqui no Blog a minha primeira ideia, pensamento ou pelo menos objectivo inicial e comecar outra e assim e neste momento. Curiosamente tambem a cronica anterior envolveu uma tragedia que se passou em Lisboa em 2025 e o que liga a cronica anterior com esta de agora e que ambas envolvem duas tragedias ainda que diferentes mas envolvem igualmente a mesma cidade, ou seja, Lisboa a capital portuguesa.

Penso que apesar das semelhancas nao me estou a tornar repetitivo na apresentacao de trabalhos aqui no Blog porque apesar de algumas semelhancas os temas conseguem se diferenciar sobretudo porque os temas sao diferentes.

O Esfaqueamento no Centro Ismaili (1998) em Lisboa (2023) podia parecer uma daquelas noticias que estamos habituados a ver nos noticiarios e que se passam sobretudo nos Estados Unidos da America quando por exemplo um estudante invade uma universidade e comeca a disparar sobre tudo e sobre todos os que lhe aparecem a frente. Porem neste caso a noticia pode ter sido destacada nos noticiarios ate internacionais mas nao se passou nos Estados Unidos, numa qualquer universidade quando um aluno invade a universidade e comeca a disparar a toa, desta vez o caso aconteceu em Lisboa, foi passado mesmo em Portugal e por mais que tente nao consigo deixar de pensar que aquilo que se passou no Centro Ismaili em Lisboa em 2023 era o que teria acontecido tambem em Lisboa na Faculdade de Ciencias da Universidade de Lisboa (FCUL) em 2022, quando Joao Real Carreira na altura com 18 anos de idade acabou por ser detido pela Policia Judiciaria (1945) antes que conseguisse dar inicio a realizacao dos seus planos. Quem desconhece o tema pode ler a cronica publicada neste blog em 22 de Janeiro de 2024 "Tentativa de Ataque Terrorista na FCUL (2022)".


O Esfaqueamento no Centro Isamaili em Lisboa aconteceu na manha de 28 de Marco de 2023, quando mulheres portuguesas, Farana Sadrudin e Mariana Jadaugy (as fontes de informacao de pesquisa diz que eram portuguesas, os nomes nao indica tal), pertencentes ao grupo do Centro Muculmano Isamaili em Lisboa foram mortas a facada por Abdul Bashir (1995), um refugiado afegao matriculado no mesmo Centro.

Na manha do dia 28 de Marco de 2023, por cerca das 10 horas da manha, Abdul Bashir saiu de casa com uma faca de grandes dimensoes escondida na mochila e dirigiu-se, como era seu habito de rotina, ao Centro Ismaili, para mais uma aula de Lingua Portuguesa que frequentava, com outros colegas. Cerca de quarenta minutos depois, apos atender um telefonema, atacou o Professor a facada, ferindo-o no pescoco e abdomen. Apesar dos ferimentos o mesmo Professor viria a sobreviver.

Saindo da sala de aula, encontrou ainda Mariana Jadaugy, de 24 anos, e Farana Sahbudin Sadrudin, de 49 anos. Tendo esfaqueado as mesmas repetidas vezes, acabaram por morrer no local. Uma terceira mulher, cujo o nome nao chegou a ser divulgado, foi tambem perseguida mas conseguiu escapar ao Autor do atentado.

Quando a Policia chegou ao local no minuto seguinte, os agentes enviados para o local foram forcados a disparar contra o homicida, atingindo-o numa perna. Foi depois conduzido ao hospital, onde ficou internado sob custodia e vigilancia total, tendo sido durante esse tempo submetido a operacoes.


O Professor de Lingua Portuguesa ficou ferido e recebeu tratamento medico para ferimentos nas zonas do pescoco e cabeca no Hospital de Santa Maria (1953) recebendo alta hospitalar ainda no mesmo dia do ataque.

Farana Sadrudin, de 49 anos de idade e nacionalidade portuguesa, era a Gerente e a principal responsavel pela Fundacao Focus Europa, uma associacao de assistencia humanitaria, era diplomada em Engenheria Informatica, e trabalhara tambem para a Seguradora AXA em Portugal, Espanha e Marrocos. Farana Sadrudin era sobrinha de Nazim Ahmad, o Lider da Comunidade Ismaelita em Portugal.

Mariana Jadaugy, de 24 anos de idade, pertencia tambem a Comunidade Muculmana Ismaili, desempenhava as funcoes de Assistente Social e "tinha em maos o processo de naturalizacao" de Abdul Bashir, o Autor dos ataques que viria a ser o seu Assassino. Era igualmente licenciada em Ciencias Politicas e Relacoes Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa (1973), e concluira igualmente o Mestrado de Ciencias Sociais e Desenvolvimento no Instituto Superior de Economia e Gestao da Universidade de Lisboa (1911) tambem conhecida como ISEG em 2019.

As duas vitimas mortais eram directamente responsaveis pelo processo de integracao social de Abdul Bashir em Portugal, um servico que fornecia gratuitamente alojamento e alimentacao a sua familia e preparava o seu pedido de naturalizacao.


Abdul Bashir, de 28 anos de idade, era um refugiado afegao, viuvo e Pai de tres filhos menores, que chegara anteriormente a Portugal, vindo da Grecia, onde sua esposa teria morrido num campo de refugiados, ao abrigo de um acordo com o Governo portugues.

Ele havia sido Tecnico de Telecomunicacoes em Cabul, onde trabalhara para a Huawei (1987), hava saido do Afeganistao por volta de 2015 e chegado ao campo de refugiados grego ja em 2019.

Num video de 2021 feito enquanto vivia no campo de refugiados grego, Abdul Bashir lamentou, em ingles, a morte de sua esposa num incendio no campo cinco meses apos a sua chegada como imigrantes irregulares em Lesbos, na Grecia, afirmando que sua vida era muito dificil para ele e para os seus tres filhos, e falou sobre seus pedidos de ajuda dirigidos ao Alto Comissariado das Nacoes Unidas Para Refugiados (1950) tambem conhecido como ACNUR ou como Agencia da ONU Para Refugiados e de seu diploma de Engenharia de Telecomunicacoes. Em Outubro de 2021, foi recolocado em Portugal ao abrigo do sistema formal de reinstalacao de refugiados da Uniao Europeia, atraves de um acordo bilateral entre Grecia-Portugal com ajuda da Fundacao Aga Khan (1967) tambem conhecida como AKF, e recebeu apoio (aconselhamento administrativo, alimentacao e abrigo, aulas de Lingua Portuguesa e aulas de Costura) do Centro Ismaili de Lisboa ate a data de realizar o ataque. Ele procurava activamente um emprego em Portugal, mas sem obter qualquer sucesso, uma situacao que acabaria por o deixar frustrado. Depois de chegar ao territorio da UE, Bashir tinha solicitado o estatuto de refugiado na Alemanha, mas as suas pretensoes acabariam por vir a ser rejeitadas pelas autoridades alemas. A data do crime ainda tentava sair de Portugal e mudar-se para a Alemanha com os filhos.

Em Portugal, Abdul Bashir vivia com os seus tres filhos de 9, 7 e 4 anos num apartamento arrendado em Odivelas, que era pago pelo Centro Ismaili. Ele era descrito pelos vizinhos e por empregados de uma padaria proxima como um Pai atencioso e uma pessoa calma e educada, que nao falava portugues.


O telefonema que Abdul Bashir recebera enquanto estava na sala de aula na manha do dia do crime, informava-o que nao poderia viajar para Zurique, na Suica, como o mesmo planeava, por falta de um documento oficial que nao lhe fora concedido. Uma vez la, poderia ter desejado ficar na Suica ou ate chegar a Alemanha, onde ja havia estado, mas de onde fora enviado de volta para Lisboa, por ter sido Portugal que lhe concedeu o estatuto de refugiado. Apos ter recebido o telefonema, Bashir usou a faca que trouxera escondida na mochila para iniciar o ataque.

Varias fontes que serviram para recolher informacoes acerca do caso e sobretudo de Abul do seu comportamento antes do ataque, afirmam que Bashir estava sexualmente interessado na mulher mais jovem, Mariana Jadaugy, que ele viria a matar no ataque que cometera naquele dia. As declaracoes iniciais da Policia Judiciaria descartaram a ideia de ataque terrorista como motivacao para o ataque e crime e falaram antes em "Surto Psicotico", mas em 31 de Marco o Ministerio Publico (1832) tambem conhecido como MP afirmou que nao descartaria a hipotese de terrorismo para o motivo do ataque.

Ao mesmo tempo, de acordo com a Policia grega, ele ja era considerado suspeito do incendio no campo de refugiados grego onde viria a morrer a sua propria esposa. A Policia grega notou que Abdul Bashir salvou os seus filhos do incendio, mas nao disse aos bombeiros que acturaram no momento para extingir o fogo que a esposa ainda estava dentro de casa.

Bashir assediava constantemente, ha ja varios meses, a vitima Farana Sadrudin (a vitima mortal mais velha) e enviava-lhe constantes telefonemas e mensagens. Segundo o canal televisivo Sociedade Independente de Comunicacao (1992) muito mais conhecido como SIC, o criminoso desejava que ela fosse viver com ele, tomando conta dos seus tres filhos. O afegao era visto em Portugal e sobretudo pelos vizinhos como uma pessoa calma, reservado e educada, assim o descrevem tambem os funcionarios da padaria onde diariamente ia levar os filhos a tomarem o Pequeno-Almoco mas tambem ja tinha demostrado um comportamento oposto, ou seja, violento. A irma desta vitima aponta ser do seu conhecimento um caso complicado de um afegao no centro de apoio, "rude, arrogante e impulsivo" que ela pensa ser precisamente Abdul Bashir. A Jornalista, Maria Joao Marques aponta possiveis motivacoes culturais e/ou religiosas para os crimes, notando o facto de que no Afeganistao "matar mulheres e tao comum como degolar uma galinha", mencionando porem ao mesmo tempo que em Portugal nao existem problemas com as comunidades imigrantes.


Abdul Bashir sem grandes surpresas viria a ser condenado, a 25 anos de prisao, a pena maxima, pelo homicidio de duas mulheres no Centro Ismaili, em Lisboa, a 28 de Marco de 2023.

No entanto ja em Fevereiro de 2026 o Supremo Tribunal de Justica (1822) igualmente conhecido como Supremo Tribunal ou STJ mandou reabrir o caso e ordenou a repeticao do Julgamento do duplo homicida afegao no Centro Ismaili. O Supremo Tribunal decidiu pela nulidade da decisao e mandou reabrir o Julgamento.

Apesar do Ministerio Publico o ter considerado inimputavel na acusacao, o Arguido viria acabar por ser condenado como imputavel, sem disso ter sido sequer informado, o que configura como uma nulidade juridica.

Em comunicado, o STJ explicou que "existiu uma alteracao da qualificacao juridica durante o Julgamento na 1.a instancia, que nao havia sido comunicada previamente ao Arguido para este poder exercer o seu direito ao contraditorio como a lei impoe".

Por isso mesmo, o Supremo Tribunal de Justica considerou que "existia uma causa de nulidade do acordao recorrido e ordenou a reabertura da audiencia", O comunicado do Supremo lembrava ainda que "o Arguido comecou por ser acusado como inimputavel, tendo sido pedida a aplicacao de uma medida de seguranca. Efectuado o Julgamento, veio a ser condenado como imputavel  na Pena de 25 anos de prisao. O Ministerio Publico e os assistentes recorreram desta decisao directamente para o STJ, que viria a decidir que a audiencia deveria ser reaberta".

Abdul Bashir, que tinha sido acusado como inimputavel pelo proprio Ministerio Publico, foi condenado a 02 de Junho pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa (2014) a Pena maxima de 25 anos de prisao, tendo na altura o colectivo de juizes decidido que o cidadao afegao era imputavel e, por isso, alterado a medida de coaccao de internamento preventivo para prisao preventiva.

No seu Julgamento, o cidadao afegao, Abdul Bashir, confessou o crime, confessou ter matado, em 28 de Marco de 2023, duas mulheres de 24 e de 49 anos, que trabalhavam no servico de apoio aos refugiados do Centro Ismaili.

No total, o Arguido viria a ser condenado por sete dos 11 crimes de que estava sendo acusado, julgado e respondendo em Tribunal: dois de homicidio agravado, tres de homicidio na forma tentada, um de resistencia e coaccao sobre funcionario e um de detencao de arma proibida.


Em modos de finalizar na minha opniao devo dizer que Abdul Bashir pode nao ter cometido um acto que se pode chamar de um acto de terrorismo mas acredito que pelo menos alguma coisa ele ja tinha planeado fazer, por que razao o mesmo transportara a faca de grandes dimensoes na sua mochila? E isso que me faz pensar que o afegao ja planeava fazer alguma coisa, cometer algum crime, talvez tivesse em mente algo diferente, mas penso que o mesmo ja planeava alguma coisa. O telefonema que recebera pode ter sido de facto a ultima gota de agua, mas continuo a pensar que ja havia intencao de fazer alguma coisa menos grave, ninguem anda com um facao na mochila com boas intencoes.

Caro (a) leitor (a) e tempo de apresentar as despedidas habituais e fazendo votos que nos possamos encontrar por aqui em breve com os mesmos abracos de despedida me despeco com a garantia de que tudo continuarei a fazer para que as leituras deste blog sejam do seu inteiro agrado, ate a proxima.

                                                                                                               Manuel Goncalves




Sem comentários:

Enviar um comentário