sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Arca de Noe

 
 
Um dos maiores misterios da Biblia Sagrada  e ate da Humanidade e sem duvida o da Arca de Noe. O que para muitos nao passa de um mito e lenda para outros e uma realidade. Coloquei as etiquetas Misterios da Humanidade e Lendas e Mitos nesta cronica por essa por achar que o tema esta relacionado com os mesmos assuntos assim como Opniao Publica por considerar o tema de Opniao Publica afinal e a opniao de cada um acreditar ou nao na existencia da Arca de Noe. Escrevo tambem sobre um tema que envolve a Religoao e a propria Teologia mas penso que nao e um tema que se possa dizer que esta relacionado com a propria Igreja embora muitas facam referencia ao diluvio.

O caso e tambem um misterio para a propria ciencia sobretudo a Arqueologia em particular a Arqueologia Biblica e Historia assim como tambem e um misterio para a Teologia e tambem faz parte do discurso, da cultura de algumas religioes e suas tradicoes sobretudo das religioes abraamicas.

Varias leituras da Biblia Sagrada fazem referencia a mesma arca porem a verdade e que nao ha provas concretas de que a mesma tenha mesmo existido no entanto se me perguntarem se acredito, sim acredito ja vim coisas bem mais dificeis de acreditar. Agora no ponto en que se afirma que a arca havia sido descoberta e muitos ate apontam o Monte Ararate na Turquia como local onde a mesma arca encalhou apos o Diluvio e algo em que ja nao acredito, a Arca de Noe em minha opniao nao foi descoberta, essa porem ja e uma opniao pessoal de cada um sendo um tema de opniao publica porem existe quem nao acredita na existencia da arca e muito menos na sua descoberta.


A Arca de Noe era, segundo a Religiao Abraamica, um enorme navio construido por Noe, a mando de Deus, para se salvar a si mesmo, sua propria familia e um casal fertil de cada especie de animais no mundo, antes que viesse o Grande Diluvio da Biblia. A historia e contada em Genesis 6-12, assim como no Alcorao e em outras fontes.

Conforme a tradicao biblica narra, Deus decidiu destruir o mundo por causa da perversidade humana, os iniquios e pecadores eram em demasia e iam cometendo ofensas e blasfemias cada vez mais graves, mas decidiu poupar Noe, o unico homem justo na Terra em sua geracao, mandando-lhe construir uma arca para salvar sua familia e representantes de todos os animais e aves. A certa altura Deus interrompeu o Diluvio, fazendo assim as aguas recuarem e as terras secarem. A historia termina com um pacto entre Deus e Noe, assim como com sua descendencia que acabamos por ser tambem nos, cada ser humano.

Essa historia tem sido amplamente discutida e debatida nas religioes abraamicas, surgindo comentarios que vao do pratico (como e que Noe teria eliminado os residuos dos animais?) ao alegorico (a arca representa a Igreja como salvadora da Humanidade em decadencia). Logo a partir do Seculo I, varios detalhes da arca e da inundacao foram examinados por estudiosos cristaos e judeus.

Pergunta-se ainda se a arca existiu e a historia do Diluvio e verdadeira porque razao sendo a familia de Noe os unicos sobreviventos acaba por existir mais do que uma raca humana?

Mas, no Seculo XIX, o desenvolvimento da Geologia e da Biogeografia tornaram dificil sustentar uma interpretacao literal da Historia. A partir de entao, os criticos da Biblia mudaram sua atencao para a origem e os propositos seculares da mesma arca; no entanto, os interpretes literais da Biblia continuam a ver a historia narrada como chave para a sua compreensao da Biblia e agora exploram a regiao das montanhas do Ararate, no Nordeste da Turquia, onde a arca teria encalhado apos o Diluvio.

A historia da Arca de Noe, de acordo com os capitulos 6 a 9 do livro de Genesis, comecou com Deus observando o mau comportamento da Humanidade e tera decidido inundar a terra e destruir toda a vida humana provando uma inundacao que viria a ser conhecida como o Diluvio. Porem no meio de tanto mau comportamento da Humanidade Deus encontrou um bom homem, diferente de todos os outros, Noe, "um virtuoso homem, inocente entre o povo de seu tempo", e decidiu que este iria preceder uma nova linhagem do homem. Deus tera dito a Noe para fazer uma arca e levar com ele para o interior da mesma sua esposa e seus filhos Shem, Ham e Japheth, e suas esposas. Deus tera ordenado ainda que de todas as especies de seres vivos existentes entao, levar para a arca dois exemplares ferteis, macho e femea, para assegurar a reproducao de cada raca e tipo de animal apos o Diluvio. A fim de fornecer o seu sustento, disse para trazer e armazenar alimentos.

Noe, sua familia e os animais entraram na arca e "passados 7 dias foram quebrados todos os fundamentos da grande profundidade e as janelas do ceu foram abertas, e a chuva caiu sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites". A inundacacao cobriu mesmo as montanhas mais altas por mais de seis metros (20 pes), e todas as criaturas que estavam de fora da arca morreram; apenas Noe e aqueles que estavam com ele na arca ficaram vivos (uma questao de interesse e procurar saber-se o que aconteceu com os corpos de todos os outros humanos certamente afogados mas mesmo assim ainda existentes como corpos). A historia do Diluvio e considerada por varios estudiosos modernos como um sistema de dois contos ligeiramente diferentes, entrelacados, dai que surge a aparente incerteza quanto a duracao da inundacao (quarenta ou cento e cinquenta dias) e o numero de animais colocados a bordo da arca (dois de cada especie, ou sete pares de alguns tipos). Em relacao a inundacao a Biblia narra que choveu durante 40 dias e 40 noites, e que apos esse periodo parou de chover. Mas as aguas permaneceram sobre a terra durante mais 110 dias fazendo os tais tambem falados 150 dias. E que depois disso Deus se lembrou de Noe e dos que estavam com ele na arca e fez passar um vento sobre a terra para baixar as aguas. E em relacao aos animais a Biblia narra que foram 2 de cada especie dos animais impuros, e 7 pares das especies dos animais puros.

Eventualmente, a arca veio a descansar sobre o Monte Ararate. As aguas comecaram a diminuir e os topos das montanhas emergiram. Noe soltou e enviou um corvo, que "voou de um lado a outro ate que as aguas recuaram a partir da terra". Em seguida, se narra que Noe enviou uma pomba, mas ela retornou a arca sem ter encontrado nenhum lugar para pousar. Depois de mais sete dias, Noe novamente teimou e enviou a pomba e o resultado dessa tentativa e teima e que a mesma voltou a arca com uma folha de oliva no seu bico e entao Noe soube assim que as aguas tinham abrandado e descido.

Noe esperou mais sete dias e enviou a pomba mais uma vez, e desta vez ela nao retornou. Em seguida, ele e a sua familia assim como tambem todos os animais sairam da arca e Noe fez um sacrificio e ofereceu-o a Deus, e Deus resolveu que nunca mais lancaria alguma maldicao na terra por causa do homem, nem iria destrui-la novamente dessa maneira.

A fim de se lembrar dessa mesma promessa, Deus colocou o Arco da Alianca nas nuvens, dizendo: "Sempre que houver nuvens sobre a terra e o arco aparecer nas nuvens, eu me lembrarei da eterna alianca entre Deus e todos os seres vivos de todas as especies sobre a terra".


A historia da arca de Noe foi objecto de muita discussao na posterior literatura rabina. A falha de Noe em advertir outros sobre a inundacao foi largamente vista como fonte de duvidas acerca e sobre a sua suposta bondade. Era ele o unico virtuoso em uma geracao ma? De acordo com uma tradicao, ele passou adiante de uma advertencia de Deus, plantando cedros por cento e vinte anos antes do Diluvio, a fim de que os pecadores pudessem ver e ser incentivados a alterar o seu comportamento.

A fim de proteger Noe e sua familia, Deus colocou leoes e outros animais ferozes a guarda-los contra os impios que se pode dizer que era todo o resto da humanidade e que escarneciam dele e causavam-lhe violencia. De acordo com um midrash, foi Deus, nao os anjos, que reuniu os animais para a arca, juntamente com seus alimentos. Como havia tambem a necessidade de distinguir entre animais limpos e imundos, os animais limpos se deram a conhecer atraves do rebaixamento diante de Noe a medida que eles entravam na arca. Uma opniao diferente sustenta que a propria arca distinguia os puros de impuros, admitindo sete dos primeiros e dois dos segundos.

Noe se encarregou dia e noite da alimentacao e dos cuidados para com os animais, e nao teve sono pelo ano inteiro a bordo da arca. Os animais foram os melhores de suas especies e assim comportavam-se com extrema bondade. Eles se abstiveram de procriacao a fim de que o numero de criaturas que desembarcassem fosse exactamente igual ao numero que havia embarcado. O corvo criou problemas, recusando-se a sair da arca quando Noe o enviou primeiro e acusou o Patriarca de querer destruir a sua raca, mas, como os comentadores salientaram, Deus quis salvar o corvo para que seus descendentes fossem destinados a alimentar o Profeta Elias.

Os refugos foram armazenados no mais baixo dos tres pavimentos, seres humanos e animais limpos sobre o segundo, e os passaros e animais impuros no topo. Uma opniao diferente situou os refugos no pavimento mais alto, de modo que poderiam ser jogados ao mar atraves de alcapao. Pedras preciosas, brilhantes como meio-dia, providenciaram a luz e Deus assegurou que os alimentos frescos fossem mantidos. O gigante Og, Rei de Bashan, esteve entre os salvos, mas devido a seu tamanho, teve que permanecer fora, passando-lhe Noe os alimentos atraves de um buraco na parede da arca.

Cedo no Cristianismo, escritores elaboraram significados alegoricos para Noe e a arca. Na primeira Epistola de Pedro, aqueles salvos pela arca das aguas da inundacao eram vistos como os percusores da salvacao atraves do baptismo dos cristaos, e o rito do baptismo anglicano ainda pede a Deus, "que de sua grande misericordia salvou Noe", que recebia na Igreja as criancas levadas para baptismo. Artistas frequentemente retratam Noe de pe em uma pequena caixa sobre as ondas, simbolizando a salvacao de Deus atraves da Igreja e sua perseveranca atraves do tumulto, e Santo Agostinho de Hipona (354-430), na obra Cidade de Deus, demostrou que as dimensoes da arca correspondiam as dimensoes do corpo humano, que e o corpo de Cristo, que e a Igreja. Sao Jeronimo (347-420) chamou o corvo, que foi enviado adiante e nao retornou, de "chula ave de abominacao" expulsa pelo baptismo; enquanto a pomba e a folha de oliva vieram para simbolizar o Espirito Santo e a esperanca de salvacao e, eventualmente, de paz.

Santo Hipolito de Roma (235-?), procurando demostrar que "a arca era simbolo de Cristo, que era esperado", declarou que a embarcacao teve a sua porta na parte oriental, que os ossos de Adao foram levados a bordo juntamente com o ouro, mirra e resina, e que a arca foi lancada ao vaivem nas quatro direccoes sobre as aguas, fazendo o sinal da cruz, antes de eventualmente parar no Monte kardu, "a Leste, na terra dos filhos de Raban, e os orientais chamaram-na de Monte Godash; os arabes e os persas porem viriam a chamar o monte o Monte Ararate".

Em um plano mais pratico, Hipolito explicou que a arca foi construida em tres pavimentos, o mais baixo para os animais selvagens, o do meio para as aves e animais domesticos e por fim o nivel mais alto para os seres humanos, e que os animais machos foram separados de suas femeas por grandes estacas, para ajudar a manter a proibicao contra a coabitacao a bordo do navio. Do mesmo modo, Origenes (182-251), respondendo a um critico que duvidava que a arca pudesse conter todas as especies de animais do mundo e seguindo uma discussao sobre cubitos, sustentou que Moises, o tradicional Autor do livro de Genesis, tinha sido ensinado no Egipto e, por isso, utilizava no (texto biblico), os cubitos do Egipto, que eram maiores. Ele tambem fixou a forma da arca como uma piramide truncada, retangular, em vez de ser quadrada em sua base, e afunilando-se em um quadrado na lateral; nao foi ate ao Seculo XII que se veio a pensar na arca como uma caixa retangular com um tecto inclinado.

Noe (Nuh) e um dos cinco principais profetas do Islao, geralmente mencionado em conexao com o destino daqueles que se recusaram a ouvir a Palavra. As referencias estao espalhadas atraves do Alcorao, com maxima consideracao a Surata ou Sura 11:27-51, intitulada "Hud".

Em contraste com a tradicao judaica, que usa um termo que pode ser traduzido como uma caixa ou um peito para descrever a arca, a Surata 29:14 refere-se a ela como um safina, um navio ordinario, e a Surata 54:13 cita-a como "uma coisa de tabuas e pregos". Ja a Surata 11:14 diz que a mesma foi parar no Monte Judi, identificado pela tradicao como uma colina perto da cidade de Jazirat ibn Umar, na margem oriental do Rio Tigre, na Provincia de Mosul, no Norte do Iraque.

Abd Allah ibn Abbas, um contemporaneo do Profeta Maome, escreveu certa vez que Noe estava em duvida quanto a que forma dar a arca, e que fora o proprio Deus a revelar-lhe que era para ser modelada como uma barriga de ave e feita com madeira de teca. Noe entao plantara uma arvore, que em vinte anos havia crescido o suficiente para proporcionar-lhe toda a madeira de que ele necessitava.

O Historiador Persa Abu Ja'far Muhammad ibn Jarir al-Tabari, Autor da obra Historia de Profetas e Reis (915-?), incluiu inumeros detalhes sobre a Arca de Noe, ineditos e originais visto que jamais foram encontrados em qualquer outra parte, por exemplo, ele diz que a primeira criatura a entrar a bordo da Arca de Noe foi a formiga e a ultima foi o burro, por meio dos quais Satanas veio a bordo. Ele tambem diz que quando os apostolos de Jesus Cristo manifestaram o desejo de aprender sobre a arca de uma testemunha ocular, ele respondeu com uma ressurreicao temporaria de Ham, filho de Noe, dos mortos, que lhes disse mais: para lidar com o excessivo excremento, Noe criou milagrosamente um par de porcos, que sairam da cauda do elefante, e, para lidar com um rato clandestino, Noe criou um par de gatos a partir do nariz de um leao.

Abu al-Hasan Ali ibn al-Husayn Masudi (956-?) disse que o local onde a arca veio a descansar poderia ser encontrado no seu tempo. Masudi tambem disse que a arca comecou a sua viagem em Kufa, no centro do Iraque, e rumou para Meca, onde ela marcou a Kaaba, antes de viajar finalmente para Judi. A Surata 11:41 diz: "E ele disses, 'Ancora-a aqui; em nome de Deus ela se movera e permanecera!" quando ele desejava que a arca se movesse e o mesmo quando ele queria que ela permanecesse no lugar.

A inundacao resultante no Diluvio foi enviado por Deus em resposta a oracao de Noe, que aquela geracao ma deveria ser destruida; mas, como Noe era um homem justo, ele continuou a pregar e setenta idolatras foram convertidos e entraram na arca com ele, elevando o total para setenta e oito pessoas a bordo (este acrescimo de oito pessoas era como se sabe a familia de Noe). Os setenta nao tiveram descenddentes e todos os nascidos depois da inundacao da Humanidade sao descendentes dos tres filhos de Noe. Um quarto filho (ou neto de acordo com alguns), Canaa, estava entre os idolatras e foi um dos afogados.

Baidawi deu o tamanho da arca em 300 cubitos (157 m, 515 pes) de comprimento por 50 cubitos (26,2 m, 86 pes) de largura e 30 (15,7m, 52 pes) de altura e explicou que, no primeiro dos tres niveis, ficaram acomodados os animais selvagens e domesticados, no segundo os humanos e no terceiro as aves. Em cada tabua havia tambem o nome de um Profeta. Faltavam somente tres tabuas, simbolizando tres profetas, elas foram trazidas do Egipto por Og, filho de Anak, o unico dos gigantes que teve permissao de sobreviver ao Diluvio. O corpo de Adao foi colocado no meio para dividir os homens das mulheres.

Noe passou cinco ou seis meses a bordo da arca, no termo dos quais ele enviou um corvo. Mas o corvo parou para se regozijar em Carrion e, por isso, Noe amaldicou-o e enviou a pomba, que desde entao tem sido conhecida como a amiga do homem. Masudi escreveu que Deus comandou a terra para absorver a agua e algumas porcoes que foram lentas em obediencia receberam agua salgada como castigo, e pela mesma razao se tornaram secas e aridas. A agua que nao foi absorvida formou os mares, de modo que as aguas da inundacao e Diluvio ainda existem.

Noe deixou a arca aos dez dias do mes Muharram, e ele e seus familiares e seus companheiros construiram uma vila no sope do Monte Judi, chamada Thamanin ("oitenta"), a partir de seu numero. Noe entao bloqueou a arca e confiou as chaves a Shem. Yaqut al-Hamawi (1179-1229) mencionou uma Mesquita construida por Noe, que poderia ser vista em seu tempo, e Ibn Batutta atravessou a montanha nas suas viagens ; no Seculo XIV. Um grupo de muculmanos modernos, embora geralmente nao activos na pesquisa da arca, acreditam que ela ainda existe no alto das encostas da montanha.

Os mandaeans, do Sul do actual Iraque, praticam uma Religiao unica, possivelmente influenciada em parte pelos seguidores iniciais de Joao Baptista. Eles respeitam Noe como um Profeta, embora rejeitem curiosamente Abraao (e Jesus) como falsos profetas. Na versao dada em suas escrituras, a arca foi construida a partir de sandalo do Monte Hor e era de forma cubica, com comprimento, largura e altura de 30 gama (o comprimento de um braco); e o seu local final de descanso seria por fim o Egipto.

As religioes dos Yazidi das montanhas Sinjar, no Norte do Iraque mistura crencas islamicas e indigenas. De acordo com as suas Mishefa Res, o Diluvio nao ocorreu uma vez, mas duas vezes. No Diluvio original, sobreviveu um certo Na'Umi, pai de Ham, cujo a arca veio a descansar em um lugar chamado Sifni Ain, na regiao de Mossul. Algum tempo depois veio a segunda inundacao, sobre os yezidis apenas, na qual apenas veio a sobreviver Noe, cujo o navio veio a ser trespassado por uma rocha, uma vez que flutuava sobre o Monte Sinjar, e depois passou a terra do Monte Judi como esta descrito na tradicao islamica.

Segundo a Mitologia Irlandesa, Noe teve um filho chamado Bith, porem Bith nao teria sido autorizado a entrar na arca, e em vez disso tentou colonizar a Irlanda em conjunto com cinquenta e quatro pessoas, as quais foram, entao, todas aniquiladas no Diluvio.

A Fe Baha'i, uma mistura de Islamismo, Hinduismo, Cristianismo e outras religioes, criada no Seculo XIX, respeita a arca e as inundacoes como figuras simbolicas. Na crenca da Religiao Baha'i apenas os seguidores de Noe estavam espiritualmente. A escritura Baha'i Kitab-i-Iqan subscreve a crenca islamica de que Noe tinha um grande numero de companheiros, quarenta ou setenta e dois, alem de sua familia, na arca, e que ele ensinou por novecentos e cinquenta anos (simbolicos) antes da inundacao e Diluvio.

O periodo da Renascenca viu uma especulao que poderia ter parecido familiar a Origenes e Agostinho. Contudo, ao mesmo tempo, uma nova classe de escola surgiu, uma que, embora que embora nunca questionasse a verdade literal da historia da arca, comecou a especular sobre o comportamento pratico de Noe dentro de um navio, de um ambito puramente naturalista. Assim, no Seculo XV, Alfonso Tostada deu uma descricao pormenorizada da logistica da arca e estabeleceu criterios para a eliminacao de excrementos e a circulacao de ar fresco; e o notavel Geometra do Seculo XVI, Johannes Buteo, calculou as dimensoes interiores do navio, que permitissem a existencia de salas para moedores de moinhos e fornos de fumo, um modelo amplamente adoptado por outros criticos e comentadores do assunto.

No Seculo XVII, era necessario conciliar a exploracao do Novo Mundo e a maior consciencia da distribuicao global de especies com a velha crenca de que toda a vida teve origem a partir de um unico ponto nas encostas do Monte Ararate. A resposta obvia e que o homem se havia espalhado ao longo dos continentes apos a destruicao da Torre de Babel e levado animais com ele, ainda que alguns dos resultados parecessem peculiares: porque razao tinham os nativos da America do Norte levado cascaveis, mas nao tinham levado cavalos, perguntou Sir Thomas Browne, em 1646. "como a America abundava de bestas e animais nocivos, mas nao continha criaturas necessarias como um cavalo, e muito estranho".

Browne, que foi um dos primeiros a por em causa o conceito da geracao espontanea, era um Medico e Cientista amador que viria a fazer essa observacao de passagem. Estudiosos da Biblia Sagrada da epoca, como Justus Lipsius (1547-1606) e Atanasio Kircher (1601-1680), tambem refizeram a historia da arca sob uma analise rigorosa, na tentativa de harmonizar a Historia Biblica com o conhecimento de Historia e Natural. As hipoteses resultantes foram um importante impulso para o estudo da distribuicao geografica de plantas e animais, e indirectamente estimularam o surgimento da Biogeografia no Seculo XVIII.

Historiadores naturais comecaram a desenhar conexoes entre os climas, os animais e as plantas adaptadas a eles. Uma influente teoria considerou que o Monte Ararate tinha diferentes zonas climaticas e, como o clima mudou, os animais migraram e eventualmente, espalharam-se e repovoaram o planeta. Havia tambem o problema de cada vez maior numero de especies conhecidas: para Kircher e anteriores historiadores naturais, haveria pouco espaco para todas as especies animais conhecidas na arca, e no tempo em que John Ray (1627-1705) estava trabalhando, apenas varias decadas depois de Kircher, seu numero tinha-se expandido para alem das proporcoes biblicas. Incorporando todo o leque de diversidade animal na arca, a historia foi se tornando cada vez mais dificil, e em 1700 poucos historiadores naturais poderiam justificar uma interpretacao literal da narrativa da Arca de Noe.

A narrativa biblica da inundacao, na qual aparece a Arca de Noe, parece ter sido sujeita a analise literaria consideravel. A narrativa e muitas vezes apresentada como um test-case para a hipotese documentaria, que propoe que a narrativa da inundacao era composta pela combinacao de duas historias independentes sobre o mesmo assunto. Esta hipotese ainda tem muitos seguidores nos circulos academicos, mas ja nao pode ser vista como e nem chamada de uma posicao consensual. Teorias alternativas sobre as origens do Pentateuco sustentam que a narrativa era o produto de uma lenta acumulacao de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edicoes e adicoes a um texto original. Existe um consenso geral de que a historia da arca esta incorporada dentro de um contexto sugestivo de influencias editoriais paralelas que continuam a ser chamadas de jeovaistas e sacerdotais. O desacordo continua sobre que passagens da narrativa pertencem a que fonte.   

Uma outra teoria muito semelhante sobre as teorias alternativas da origem do Pentateuco sustentam que a Tora e a narrativa da arca foram produtos de uma lenta acumulacao de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edicoes e adicoes a um texto original, mas ha um qcordo geral de que existem duas vertentes distintas na narrativa da historia da arca, que, independentemente de serem entendidas como documentos distintos, ou como uma sequencia de camadas editoriais, ou acrescimos autorais, que continuam a ser chamadas de jeovaistas e sacerdotais.

Uma boa parte da atencao academica foi dada ao significado teologico da historia da arca para os antigos autores. O respeitado estudioso Evangelico Gordon Wenham fez notar a presenca de uma elaborada palistrofe dentro da historia: a narrativa tem duas metades, cada uma espelhando a outra, com a frase "E Deus lembrou-se de Noe" em seu centro: isso, de acordo com o proprio Wenham, chamou da historia primal: esta retoma de Genesis: 1-11 e conta a historia da criacao do mundo. o surgimento do pecado, a decisao de Deus de destruir a sua primeira criacao iniciada com Adao e Eva e comecar tudo de novo com Noe. O resto da historia primal narra o novo crescimento do pecado depois de Noe, que veio a culminar com a Torre de Babel.

As percepcoes de Wenham e Noht sao largamente aceitas entre os estudiosos contemporaneos como a presenca de uma fonte vertente dos mitos mesopotamicos em Genesis: 1-11 (a historia da criacao, a Torre de Babel e muitos elementos individuais dentro dessas historias). Os sacerdotes exilados do Templo de Jerusalem, confrontados com historias sobre deuses babilonicos que criam e controlam o mundo (incluindo Atrahasis, as  inundacoes e o mito da arca babilonica), reescreveram os mitos dos seus conquistadores para dar primazia a Jave e efectivamente negar o poder de babilonicos e das suas divindades. Tal como a arca deles, os navios de Atrahasis, as sete camadas do Zigurate mesopotamico, os sete ceus da crenca babilonica, os tres pavimentos retangulares do Templo de Salomao e os tres ceus da crenca hebraica.

De acordo com uma sondagem dos tempos modernos efectuada por telefone pela ABC NEWS/Primetime, em 2004, 60% dos estadunidenses acreditam que a historia da Arca de Noe e literalmente verdadeira. Sites literalistas como a Answers in Genesis discutem questoes tais como a naturreza da madeira da arca, como a mesma poderia ter acomodado representantes de todas as especies de animais, passaros e insectos da terra, e de navegabilidade do navio em geral. O site Old Earth Creationist, acreditando que uma inundacao no mundo inteiro e uma impossibilidade de conciliar a Fe com a Ciencia, sugere entao que a inundacao tenha sido meramente local, e que a arca foi, portanto, uma barcaca, em vez de um navio.

As razoes que levam ao literalismo sao manifestadas por John Morris, um dos principais criacionistas, como se segue: "se a inundacao de Noe efectivamente aniquilou toda a raca humana e sua civilizacao, como a Biblia ensina, entao a arca constitui uma das maiores ligacoes remanescentes  com o Mundo Antidiluviano. Nenhum artefacto significativo poderia ser de maior antiguidade ou importancia... [com] tremendo impacto potencial sobre a controversia da criacao-evolucao (incluindo o evolucionismo teista". A procura pela Arca de Noe, por isso, continua nas montanhas do Monte Ararate, embora ate agora sem sucesso.

Em genero de avaliacoes quase finais tenho a dizer que esta foi uma cronica de particular interesse, apredim muita coisa que nao sabia. Embora a primeira geracao humana tenha sido Adao e Eva e sucessivamente seus filhos e Noe quem e considerado o pai Humanidade o que ate e nao e muito logico porque tambem Noe fazia parte da geracao de Adao portanto nada ficou quebrado ou extinto, apenas se deu inicio a um novo comeco de Humanidade.

Desconhecia a historia do grupo que acompanhou Noe na arca para alem da sua familia mas e mais do logico e aceitavel de outra forma para a continuidade da raca humana teria de haver incesto caso fosse somente familiares de Noe a irem na arca. Um irmao teria de ter relacoes com uma irma ou coisa do genero para dar continuidade a raca humana sem duvida que ja na geracao de Adao teve que ser assim. Era so Adao e Eva, depois vieram seus filhos, para o ciclo de criacao humana ter continuidade esses filhos que no fundo eram irmaos tiveram que se relacionar sexualmente uns com os outros . Se na Arca de Noe fossem so seus familiares teria que ser assim novamente, pelo que acredito que foi esse grupo de setenta pessoas e os oito familiares de Noe a serem os sobreviventes do Diluvio.

Considero tambem que na lista das etiquetas poderia ter sido acrescentado, Espectaculos e Eventos e  Casos Insolitos nao o foi porque mais uma vez o espaco se tornou pequeno para todas as referencias. Isso por que no fundo o diluvio nao foi um espectaculo mas foi de facto um evento que mudou o mundo na opniao de muitos. A minha inclusive.

Caro(a) leitor(a) espero que tenha gostado desta cronica como foi igualmente para mim um enorme gosto e prazer escreve-la, ate a proxima.

                                                                                                     Manuel Goncalves









2 comentários:

  1. Esta é uma história fascinante. Gostei muito do vídeo sobre as buscas da arca. Eu acredito na Bíblia, mesmo que tenha passado tantos milhares de anos, o fundo do que lá está escrito deve ser verdadeiro.

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  2. Nao se trata de se acreditar na Biblia ou nao, trata-se de acreditar na existencia de algo que nunca se viu na verdade. Alguns dos misterios que estao descritos na Biblia foram desvendados, comprovados outros nao. O que eu de facto nao acredito e que a arca alguma vez tenha sido descoberta e nao tenha sido apresentada ao mundo por se temer que se torna-se um local de adoracao e houvesse quem quizesse comprar pedacos de madeira da arca para fazer cruzxificos tradicionalmente usados pelos catolicos. Ainda hei-de dedicar um cronica apenas ao tema.

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