Tinha sido de facto uma dupla traicao, algo semelhante a alguem que com uma cajadada so matara dois coelhos.
Ele estivera envolvido nessa dupla traicao, fora vitima da mesma tal como fora o marido dela e nao podia adivinhar aquele desfecho vindo de alguem que dizia ama-lo como nunca amara nenhum homem e muito menos o proprio marido por quem dizia ja nada mais sentir, ve-lo apenas como um primo ou parente proximo, era apenas o pai dos seus filhos e o homem com quem ela ia para a cama e fazia sexo apenas para cumprir com os deveres de esposa.
Era com ele que ela se sentia realizada como mulher, amada como tal, era com ele que ela sentia prazer e gostava de fazer amor. Era com ele que ela dizia gostar de estar, sentir seu corpo abraca-la e abracar o seu, era por ele que ela gostava de ser penetrada ate ele ficar exausto. Ele segundo ela era o mais meigo, carinhoso e romantico dos homens, dizia-o de verdade aquilo que mais tarde entre linhas declarava e demostrava ser mentira, porque por fim vai-se la saber talvez por milagre, o marido era o homem que ela amava, era muito mais homem que ele, talvez o fosse, sobretudo por ter levado o par de cornos que levara e ter ficado calado.
As vezes ele pensara como ela se devia sentir na consciencia mas concluira que aquela mulher nao podia ter nem consciencia e nem caracter, alguem que somente se preocupara consigo propria sem pensar no mal que estava a fazer aos outros mentindo, dizendo amar sem amar, jurando e sempre quebrando o que jurara e prometendo o que nunca acabaria por cumprir.
Fora-lhe muito dificil deixar tantas feridas para tras, tantas memorias que nao conseguia apagar e recordacoes que nada de bom lhe traziam ao pensamento. Aquela relacao tinha sido uma aprendizagem do risco que era envolver-se com alguem como aquela mulher que somente pensara em si, naquilo que desejava no momento e que queria disfrutar e depois jogar fora.
Ele tinha o direito de odiar aquela mulher e realmente tentara nao o fazer mas odiava, sobretudo depois de vir a saber que a razao de ela o ter deixado e que havia uma outra pessoa e aquilo ja nao era um trio mas sim um quarteto, nada ficara provado mas ele no seu bom senso acabara por dar 50% para cada lado. A pessoa que garantia haver um novo relacionamento extraconjugal dela com outra pessoa, garantia ser verdade mas nao lhe conseguia apresentar provas, ela, ela claro negara sempre ser verdade o facto de ter outro amante.
Recomecara tudo de novo e uma nova vida, nao queria voltar a ter nada com ela mas ainda gostava de voltar a estar com ela para lhe dizer o que sentia para alem de odia-la e sentir nojo de si proprio por ter feito amor com ela, por lhe ter dado o melhor de si quando estava com uma mulher, te-la enchido de amor, carinho e romantismo. Talvez um dia conseguisse fazer isso, dizer-lhe o que estava escondido dentro de si, aquilo que ele so lhe queria dizer pessoalmente, cara-a-cara.
Ele sentia que de facto ela traira o marido e dizia ate sentir-se arrependida porque aquela relacao havia sido um erro, um erro que ele nao queria cometer mas que ela o convencera a tal com as falsas juras e promessas que lhe fizera. No fundo ela nao tinha cometido uma traicao, com tudo aquilo acabara por o trair a ele tambem embora nao se sentisse preocupada com esse facto, o adulterio dela, tudo o que acontecera, era apenas, uma dupla traicao, porque ela tambem o viria a trair a ele, do marido ele nao sabia, mas da parte dele, ele so podia pagar aquela traicao, dupla traicao com todo o odio que agora sentia por ela, odeio-te Cristina, era o que ele sentia prazer em ouvir seu coracao gritar.
Manuel Goncalves
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